10 Melhores Filmes sobre a Máfia

10 Melhores Filmes sobre a Máfia

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A fumaça.

As ruas escuras.

As sombras…




A submetralhadora Tommy.

Os chapéus.

Os ternos elegantes…

Você reconhece?





Bem, se ainda não entendeu do que se trata, não tem problema, digo do que estou falando: Os filmes de Máfia; embora dificilmente apresentem todas essas características, se convencionaram assim no nosso imaginário. É o que vem na nossa cabeça quando ouvimos esta palavra imortalizada pelo cinema.

A lista abaixo, porém, não têm esses elementos como critério; para entrar nela, os filmes precisam apenas ter um grupo de criminosos que é central ou muito importante na história. Dito isso, as obras listadas abaixo são as que mais contribuíram para os tipos clássicos de Máfia ou as que mais se afastaram desse tipo, das maneiras mais diversas.

10. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994)

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Os personagens mais clássicos do cinema estão aqui: A femme fatale, os capangas, o boxeador e, é claro, o mafioso. Apesar disso, não há preocupação com as origens dos criminosos ou explicação extensa dos seus passados, e isso é exatamente o que torna Pulp Fiction um filme tão diferenciado. Tarantino parece querer mostrar que os capangas também são gente, também falam besteira e também comem hamburguer, ou melhor, Big Kahuna Burguer. O que resta é um grande culto a humanidade e a irreverência, não só uma homenagem ao cinema clássico, mas também uma ruptura.

 

9. O Testamento do Doutor Mabuse (Fritz Lang, 1932)

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Um filme sombrio, para ser bastante direto. O grupo de criminosos, aqui, é liderado pelo espírito de Mabuse, uma espécie de gênio (para o mal pelo menos) que ordena, entre outras coisas, a destruição de uma grande planta química da cidade. O sobrenatural serve não só para estabelecer uma metáfora do tempo difícil que vivia a Alemanha entre as guerras, através de um líder questionável que usa as pessoas como fantoches, mas também para misturar dois gêneros, tirando o filme de Máfia da sua zona de conforto, passando a lidar, também, com o sobrenatural.

 

8. O Poderoso Chefão II (Francis Ford Coppola, 1974)

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Uma das obras primas de Coppola, este filme segue com o que foi estabelecido pelo seu antecessor, mas não apenas isso, o mafioso é retratado com enorme complexidade e especificidade, através da relação entre pai e filho. Em cada ação de Don Corleone, sente-se a preocupação com a família, assim como nas ações de Michael Corleone, praticamente na mesma idade do pai, porém os dois tem maneiras diferentes de alcançar este fim. Enquanto as histórias de pai e filho se alternam, torna-se cada vez mais evidente as diferenças dos dois, eles se utilizam de meios diferentes, mas buscam o mesmo fim. Um é humano, caloroso e familiar, o outro é frio, calculista e extremamente vingativo.

 

7. Fúria Sanguinária (Raoul Walsh, 1949)

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Quando se tem a imagem de um gangster psicopata, do tipo que se sente medo da sua reação, provavelmente tem-se Cody, personagem de James Cagney em Fúria Sanguinária, na cabeça. Embora o próprio Cagney tenha interpretado personagens com alguns excessos, sendo imortalizado pelo gênero, nunca o fez com a intensidade vista neste filme. A violência e as atitudes possessivas são explicadas pelo relacionamento desbalanceado com a mãe. Quando ela morre, Cody perde a vontade de viver e as estribeiras. Isso resulta em um último assalto, que acaba em Cody encurralado e, num último ato, resolvendo atirar em um recipiente de gás, explodindo o local e sendo consumido pelas chamas.

Antes de atirar, o mafioso diz: “Made it, Ma! Top of the World!” (Algo como: consegui mãe, estou no topo do mundo!), referindo-se a como costumava pontuar, com a mãe do lado, que queria chegar no topo do mundo.

 

6. Amarga Esperança (Nicholas Ray, 1949)

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A história de dois jovens que são indefesos tanto fisicamente como emocionalmente é belamente inserida num filme de máfia. Tanto Keechie como Bowie são facilmente manipuláveis dentro da gangue que fazem parte e precisam um do outro para sentirem-se minimamente seguros. Os dois são isolados, até no nível de não se reconheceram na mundo que vivem, estão sozinhos e todos estão contra eles. De uma certa maneira, seus olhares e seus jeitos se assemelham ao de um gato, tendo um passado duro e, provavelmente, cheio de pessoas de intenções ruins, eles estão sempre em modo de defesa, esperando o pior das pessoas, fisicamente e emocionalmente. Talvez pela relação que se vê neste filme, Ray tenha sido chamado de “poeta do crepúsculo”, por Truffaut. A noite tem um sentimento similar. A desilusão, o isolamento, a insegurança, mas, acima de tudo, a necessidade de ter o outro ao lado.

 

5. O Grande Golpe (Stanley Kubrick, 1956)

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A visão de Kubrick sobre o filme de Máfia soa mais como um ode ao fracasso. São explicados todos os passos e meandros do planejamento ao grande assalto. De uma maneira, tudo soa como um jogo de vídeo game que não podemos jogar; passo a passo, vê-se todo o planejamento de forma que o espectador torce para que tudo dê certo, mas desde os primeiros momentos do assalto tudo dá errado, afinal, são seres humanos ali, e seres humanos são falíveis. Este parece ser o argumento do filme, a origem diversa dos integrantes da gangue reforça isso e comenta sobre a face mais cruel do capitalismo. Ele leva algumas pessoas ao desespero, por diversos motivos, ao ponto de acreditarem que a única maneira de resolver seus problemas é recorrer ao crime. O mafioso é o homem comum. É doloroso assistir o roubo dar errado, quando tudo fora planejado com antecedência, Kubrick apaga, definitivamente, a ilusão do roubo perfeito. Se algo pode dar errado, dará errado.

 

4. Caminhos Perigosos (Martin Scorsese, 1973)

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Este clássico de Scorsese é uma jornada rumo a redenção; mas redimir-se de quê? Essa pergunta é fundamental para entender do que se trata o filme. Charlie é um tipo de cobrador de dívidas, alguém vai de lugar a lugar recolhendo o dinheiro dos devedor do seu chefe que, no caso, é o seu tio. Isso, junto ao ambiente repleto de criminalidade que vive, cria uma culpa que o leva a tentar se redimir aproximando-se de Johnny Boy, um rapaz que toma dinheiro emprestado de vários outros mafiosos e não os paga.  A criminalidade está, não nos atos maiores como grandes assaltos e assassinatos, mas sim em pequenas cobranças de dinheiro, suborno e furto. A análise da moral por um viés católico cria uma nova visão no filme de Máfia. O vermelho, frequente no bar em que se passa a maioria do filme, denuncia a associação com a culpa, o jogo de influencias e o embate. Bem e Mal; Vermelho e Azul; Céu e Inferno.

 

3. Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990)

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A fascinação da vida de Gangster é um dos aspectos mais abordados nos filmes de máfia e está presente no gênero desde que ele existe. Os objetos podem mudar, mas a dinâmica geral é a mesma. Em Bons Companheiros, há uma análise profunda desta fascinação e isso é central na vida do protagonista. É, na verdade, o único motivo da entrada de Henry Hill na máfia, a esperança de que, algum dia, possa desfrutar de dinheiro e prestígio. A visão de que, praticamente, não há valores mais nobres, consolidados em alguns filmes anteriores é pessimista. O ser humano está apenas interessado em bens e poder. De uma certa maneira, é descartada a visão honrada, no seu lugar, a sobrevivência. Não há honra ou princípios de qualquer sorte quando a vida, dinheiro ou poder estão em jogo, essa forte concepção, o homem é o lobo do homem, está presente na revelação dos nomes dos companheiros de Henry, pelo mesmo, no julgamento final. Ele trai os companheiros para garantir sua sobrevivência.

 

2. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)

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Há a divisão A.P e D.P, antes do Poderoso Chefão e Depois do Poderoso Chefão, tamanha a importância deste filme para o gênero. A visão de Coppola sobre a máfia é elegante e profunda. O código moral da família Corleone, praticado e sustentado pelo Don em pessoa, é feio e bonito ao mesmo tempo. Brutal e aconchegante. Pode-se entender quase tudo sobre este código nos primeiros dez minutos do filme, em que o Don discursa sobre a moral com Bonasera, que busca vingança pela filha que foi brutalmente espancada e violentada. Mais forte ainda, é a profundidade da personalidade dos personagens e complexidade das disputas entre os mafiosos. Entre as principais famílias que tomam conta do crime em Nova York, há um jogo sutil e embaralhado de interesses, nunca antes visto. O resultado se manifesta em trapaças, fantoches, mentiras e tentativas de assassinato brutais entre esses líderes, que parecem estar num grande jogo de xadrez.

O interior dos personagens é demonstrado com uma profundidade inédita. Michael Corleone começa como um observador, uma pessoa de fora que vê a máfia de forma negativa, mas, ao mesmo tempo, está acostumado com aquilo, tendo crescido ao redor daquele mundo. Sua transição é lenta e gradual. Ele se nega a entrar naquele universo, mas quando vê o pai deitado em uma cama de hospital, alvejado por diversos tiros, não aguenta e se entrega a máfia. Esse sentimento, relacionado ao pai, cresce como algo controlado e racional, mas, ao mesmo tempo, infestado de ódio e brutalidade.

 

1. Scarface (Howard Hawks, 1932)

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Quando se pensa em filme de máfia, este é o filme que vem à cabeça. Scarface é o melhor exemplo clássico deste gênero. Todos os elementos estão presentes no filme: A vida de luxo do mafioso, as violentas guerras entre gangues, o herói trágico, as silhuetas… Tony é a personificação do criminoso que, desde os anos 30 habita a nossa imaginação. A visão determinista é muito comum neste filme e em outros do mesmo gênero e época. Tony é apresentado como um já veterano da vida do crime, com uma reconhecível cicatriz em formato de “x” no rosto. Ele vem de um bairro pobre e de uma mãe solteira. Nesses tempos o meio determinava o sujeito, então não há possibilidade de Tony ser algo além de mafioso.

A propaganda anti-mafia é muito forte no filme. Enquanto estava sendo rodado e exibido, esse e outros filmes dos anos 30, o crime organizado estava no auge, dessa forma, grandes textos no início da projeção clamavam para que o povo tomasse alguma providência contra esses criminosos. Além disso, em Scarface, o tema recorrente é o “x” de reprovação, pintado bem grande no título do filme e surgindo em vários outros momentos. Como de praxe, este tipo de filme tinha de ter um final trágico para o anti-herói, de forma que a lição era de que o crime não compensa. No triste final de Scarface, Tony perde quase toda a família e todos os amigos. Sozinho e sem perspectiva de escapar, ele caminha em direção a morte e, ironicamente, pode-se ver um grande anuncio onde se lê “The World is Yours” (o mundo é seu), um encerramento amargo, numa alusão aos momentos mais confortáveis do mafioso, quando olhava para este mesmo anuncio e sorria para ele.

 

Menções: Little Caesar (Mervyn LeRoy, 1931), Inimigo Público (William A. Wellman, 1931), Acossado (Jean-Luc Godard, 1960), Gun Crazy, Anjo Embriagado (Akira Kurosawa, 1948)

 

 

 

 

 

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