15 Filmes Cult dos últimos 15 Anos

15 Filmes Cult dos últimos 15 Anos

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Para encerrar nossas comemorações aos 15 anos do CinePOP, vamos elaborar 3 listas nas quais iremos apontar 45 filmes relevantes desse período. Depois das listas de atrizes e de atores, vamos falar hoje de 15 filmes cults, alternativos, de artes, ou seja lá qual for o nome de batismo desses filmes que costumam passar fora do circuitão. São obras pouco conhecidas do grande público, algumas restritas aos festivais, outras chegaram ao circuito, mas não estouraram. Pouca divulgação, linguagem que foge do padrão, temas pesados, muitos são os motivos para serem obras pouco conhecidas pelo grande público.

Para elaborar a lista, buscamos filmes que têm maior qualidade artística. Alguns deles agradarão maior número de leitores, outros serão vistos apenas por meia dúzia de pessoas. De qualquer forma, é sempre bom usar uma desculpa como o aniversário de um site para divulgar obras que buscarão fazer valor o título de sétima arte. A lista está em ordem cronológica.

A espinha do diabo (2001), dirigido por Guillermo Del Toro




A espinha do diabo

Filme do começo de carreira do diretor Guillermo Del Toro, A Espinha do Diabo teve razoável distribuição internacional, podendo ser visto como o primeiro destaque de Del Toro. Dosando suspenso, terror, drama e a história política da Espanha, o filme sintetiza os traços do diretor e antecipa o que veríamos em O Labirinto do Fauno.

 

Oldboy (2003), dirigido por Chan-wook Park





Oldboy

Este filme sul-coreano foi dos mais comentados nos anos de 2003 e 2004. Com ótima cotação no Metacritic, aplaudido pelos frequentadores de Festivais e com boa repercussão no grande público (para os padrões dos independentes), Oldboy é, certamente, um dos mais conhecidos da lista.  Segundo filme da trilogia da vingança, de Chan-wook Park, Oldboy é uma adaptação de um mangá de mesmo nome. Após 15 anos de cativeiro, o Sr. Dae-su é solto sem merecer uma explicação de seus sequestradores. Sua busca por vingança e por respostas é um baile de imagens que chocam e fascinam. Oldboy é um cartão de visitas da cinematografia do extremo oriente O filme foi recentemente refilmado, com direção de Spike Lee.

 

2046 – Os Segredos do Amor (2004), dirigido por Kar Wai Wong

2046_Os Segredos do Amor

Ao menos na primeira década deste século, quem mais contribuiu para o apuro estético do cinema foi a cinematografia dos países do extremo oriente (Coréia do Sul, Japão, China, etc). De Hong Kong, o diretor Kar Wai Wong nos deu deslumbres visuais, como o recente O Grande Mestre, de 2013, ou Cinzas do Passado Redux, de 1994. Um de seus trabalhos mais poéticos é 2046 – Os Segredos do Amor.

Obra de rara beleza, Kar Wai consegue metáforas visuais sobre o amor, o destino e a criação artística. A imagem de uma caneta imóvel, a poucos centímetros do papel, a representar a paralisia criativa, nunca saiu dos olhos deste crítico. E, quando ficamos sabendo que no ano de 2046 Hong Kong será inteiramente integrada ao sistema político chinês, o filme surge como tradução visual das inquietações e dúvidas sobre o futuro da ilha.

 

Jogo de Cena (2007), dirigido por Eduardo Coutinho

Jogo de Cena_1

Dá trabalho escolher um filme de Eduardo Coutinho para esta lista. Apesar de sua obra-prima – Cabra Marcado Para Morrer – ser da década de 1990, foi de 1999 em diante que ele concentrou praticamente toda a sua produção. O maior documentarista brasileiro buscou novas formas de captar a realidade. Em Jogo de Cena, Coutinho mistura nas entrevistas mulheres reais e atrizes interpretando depoimentos de mulheres reais. Um jogo do qual a emoção brota do confronto entre o possível real e a encenação possível.

 

Redacted – Guerra Sem Cortes (2007), dirigido por Brian De Palma

Guerra sem Cortes

De Palma é bastante conhecido do grande público. Foi o diretor do primeiro filme da franquia Missão Impossível, por exemplo. Ok, muitos que viram o filme não sabem quem ele é, mas, em comparação com a média desta lista, é dos mais conhecidos.

Em 2007, De Palma dirigiu Redacted – Guerra Sem Cortes. Reconhecidamente um cultor da forma, Redacted é o trabalho seu que “menos” cuidou da forma. O filme é um foundfootege de guerra. Construído como se fosse a reunião de imagens de câmeras amadoras, Redacted é, a um só tempo, um questionamento da capacidade do cinema traduzir um guerra exaustivamente captada em imagens e um grito contra ela.

 

Sukiyaki Western Django (2007), dirigido por Takashi Miike

Sukiyaki Western Django

Takashi Miike é dos diretores mais bizarros da atualidade. Dirigiu quase 100 filmes em menos de 25 anos de carreira! Entre altos e baixos, Miike criou coisas bem curiosas. A extravagância visual, muitas vezes caindo na violência extrema, e a fusão de gêneros são trações do seu estilo. Mesmo sendo mais conhecido pelos filmes de terror, de samurais e de yakuza, ele já fez dramas familiares, musicais, romances e de um cruzamento de faroeste e samurai nasceu Sukiyaki Western Django. Trata-se de um pastiche, um delírio cheio de risadas nervosas e momentos surtados, como o confronto entre espada e revolver. A aparição de Quentin Tarantino no começo do filme revela outro traço de Miike: assim como o colega americano, ele é uma maquina de releitura do cinema.

 

Mother – A Busca Pela Verdade (2009), dirigido por Joon Ho Bong

Mother – A Busca Pela Verdade

Sinceramente, poderia fazer uma lista de 15 grandes filmes produzidos no extremo da Ásia. Só para os leitores terem ideia, cortei da lista Jia Zan-Ke, o maior diretor chinês da atualidade, e o festejado Kim-Ki Duk. Mas como tenho um gosto especial pelo trabalho dos sul-coreanos, trago Mother – A Busca Pela Verdade, de Joon Ho Bong. O diretor tornou-se mais conhecido pelo seu recente Expresso do Amanhã, com Cris Evans. A mistura de gêneros é comum na cinematografia asiática, e Joon Ho trabalha isso com rara eficiência. Mother começa como um drama familiar, expondo o deprimente cotidiano entre mãe e filho. Na segunda parte, após seu filho ser acusado de assassinato, a Mãe (Hye-ja Kim) começa uma busca para provar a inocência do filho. Se no trabalho de Miike a mistura é motivo para o pastiche ou o grotesco, em Joon Ho a costura dos gêneros produz uma tapeçaria fina.

 

Cópia Fiel (2010), dirigido por Abbas Kiarostami

Cópia Fiel

De longe, um dos filmes mais impressionantes dos últimos 15 anos. Dirigido na Itália, estrelado por Juliette Binoche, disponível em serviços de streaming, Cópia Fiel é dos mais populares desta lista e o maior sucesso do iraniano Abbas Kiarostami. Tudo que se falou deste filme foi merecido. Com um minimalismo desconcertante, Kiarostami produziu um estudo sobre a relação entre originalidade e cópia nas artes e uma radiografia sobre quão profundas as relações amorosas podem ir.

 

Saída Pela Loja de Presentes (2010), dirigido por Banksy

Saída Pela Loja de Presentes

O protagonista do documentário toma posse do material de gravação e monta o filme fazendo do cinegrafista o protagonista do documentário! Saída Pela Loja de Presentes é um filme de Banksy, o artista de rua mais misterioso e cultuado desta década. Logo no começo, ele explica que o filme será sobre Thierry Guetta, um francês excêntrico que filmava tudo em sua vida, até começar a gravar os primórdios do que viria a ser a arte de rua.

A primeira parte do documentário é essencialmente sobre a arte de rua e o trabalho de Banksy. A virada se dá quando Guetta tenta montar o documentário e Banksy percebe que ele é qualquer coisa, menos um entendido de cinema. Deste ponto, o documentário passa a ser um ataque à personalidade de Guetta – já autointitulado Mr. Brainwash – e à futilidade do mundo das artes. Saída… é uma quebra de paradigmas e uma crítica à industria que o próprio Banksy alimenta.

 

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), dirigido por Apitchatpong Weerasethakul

Tio Boonmee_Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Os filmes do diretor tailandês Apitchatpong Weerasethakul são tão complicados e herméticos quanto seu nome. O que não significa que sejam ruins. Ok!, para muitas pessoas, isto é motivo para não ir ao cinema. Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas é o trabalho mais famoso do diretor, um filme atmosférico, com imagens de auras míticas. Se podemos fazer um paralelo com a literatura de Gabriel García Márques, Tio Boonmee… entrega imagens onde habitam o real e o sobrenatural de forma harmoniosa.

 

Fausto (2011), dirigido por Aleksandr Sokurov

Fausto

O russo Aleksandr Sokurov usou o mito de Fausto para encerrar sua tetralogia sobre personalidades do século XX. Hitler, em Moloch, Lenin, em Taurus, e Horoito, imperador japonês, em O Sol. Incluir Fausto nesse grupo ressignifica tanto o mito quanto as figuras históricas. A fotografia em sépia e os enquadramentos de Sokurov produzem planos pictóricos que permitem milhares de interpretações sobre poder e ruína. Apesar do ritmo lento, Fausto é uma verdadeira higiene ocular.

 

Isto Não É Um Filme (2011), dirigido por Jafar Panahi

Isto Não É Um Filme

Jafar Panahi foi proibido pelo governo iraniano de produzir filmes por 20 anos. Em seu apartamento, Panahi pegou câmeras caseiras (até de celular) e fez um filme. Documentou seu cotidiano em prisão domiciliar e seu processo criativo. Há instantes curiosos como quando usa uma fita para marcar o espaço de um cenário e encenar seu roteiro. Como o próprio nome evoca, Isto Não É Um Filme é menos um experimento estético e mais um grito primordial de quem não aceita a opressão.

 

Alabama Monroe (2012), dirigido por Felix van Groeningen

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Alabama Monroe é um dos dois filmes desta lista que mais emocionou este crítico. Ele conta a história de um casal de músicos, do início do namoro ao casamento, quando eles têm que enfrentar a grave doença da filha. Alternando cenas do passado (início do namoro) com o presente (a doença da filha), a montagem transmite as ambiguidades da vida. A contraposição de certas imagens produz novos significados de momentos chaves na vida de qualquer casal. Dolorido e doce, Alabama Monroe enquadra-se na classe das obras que fazem a gente sair do cinema com a sensação de ter compartilhado não a vida de personagens, mas de pessoas reais. A trilha sonora é elemento essencial na construção do filme.

 

The Babadook (2014), dirigido por Jennifer Kent

The-Babadook

Mais um filme que deve ser bem conhecido do público, especialmente dos leitores habituais do Cinepop. The Babadook é um filme símbolo da atual renovação do terror. Profundo, ótima direção, com momentos de tensão e com imagens simbólicas. Os maiores filmes de terror sempre conseguiram unir medo e simbolismo. Em The Babadook há várias possibilidades interpretativas, sendo a mais óbvia a condição da mulher.

 

Sono de Inverno (2014), dirigido por Nuri Bilge Ceylan

Sono de Inverno

 

E o segundo filme que mais emocionou este crítico. Em suas 3 horas e 16 minutos de projeção, o diretor Nuri Bilge Ceylan disseca a personalidade de seu protagonista, o fazendeiro, dono de hotel e intelectual Aydan. Especialmente durante a primeira hora, os conflitos pouco aparecem, e o tempo é usado para conhecermos um pouco sobre o protagonista. A partir da segunda hora, a sua imagem começa a ser questionada a cada sequência. O filme cresce revelando-se um sofisticado estudo de personagem, atravessado por temas como amor, ódio, ressentimento, a criação artística, o teatro, a política e a religião. Sono de Inverno é um inventaria sobre os sentimentos humanos. O monólogo de Aydan no final é das declarações de amor mais emocionantes do cinema nesses 15 anos.

 

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