A Marca do Medo

A Marca do Medo

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Psicológico X Sobrenatural

O primeiro impulso da maioria dos especialistas em relação a um filme de terror é sempre desvalorizá-lo, na melhor das hipóteses, ou ignorá-lo, na pior. O gênero é o mais marginalizado da sétima arte e o que rende menos elogios aos seus produtos. A não ser que o especialista avaliando seja um aficionado e meça o valor da produção comparando-a somente com outras do gênero. Ou que exista um grande chamariz em tal produção, como um diretor renomado (Drácula de Francis Ford Coppola, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Tim Burton, Ilha do Medo de Martin Scorsese) ou estrelas divulgando-as.

No geral, os filmes de terror continuam como obras voltadas ao público jovem, que precisam sempre se reinventar com as tendências que os agrada. Na década de 1980 foram os slasher, na de 1990 foi o slasher irônico, na década passada os torture porn, e agora os filmes de fantasmas (que tinham força na década de 1950) são o que há. Dentro deste estilo podemos encaixar A Marca do Medo como pertencente e adicionar outros dois subgêneros: os filmes de found footage, no qual um dos personagens registra tudo com sua própria câmera, e os filmes de pesquisa do sobrenatural, que atingiu seu ápice no ano passado com o ótimo Invocação do Mal.

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Aqui, temos a junção dos dois. O filme apresenta os experimentos do Professor Joseph Coupland, papel de Jared Harris, um erudito de Oxford. O ano é 1974, bancado pela universidade, o educador realiza testes com uma paciente chamada Jane Harper (Olivia Cooke). A jovem acredita que uma espécie de entidade a domina e a faça cúmplice de seus sinistros atos. O estudioso, obviamente, crê numa explicação mais lógica e científica, repelindo qualquer sinal de eventos sobrenaturais. Ao seu lado, o Professor conta com dois estagiários, Erin Richards e Rory Fleck-Byrne, além de um câmera que serve como documentarista.

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Após reclamações, que viam os experimentos do Professor como tortura, a universidade decide cortar ligações com o funcionário, fazendo com que o sujeito continue os estudos por conta própria. Para isso, o protagonista aluga uma casa e leva seus comparsas, além, é claro, do objeto de estudo. Se invertêssemos a perspectiva ou a narrativa, e eliminássemos algumas cenas, A Marca do Medo daria um bom drama. Os personagens são interessantes e as atuações acompanham. Mas esse é um filme de terror, então temos as obrigatórias cenas supostamente assustadoras, que fazem em sua maioria o uso do velho truque do som alto.

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O ponto positivo é que quase nada acontece e os realizadores decidem utilizar mais o psicológico, do que não vemos, do que o explícito. A Marca do Medo é uma produção da Hammer, clássico estúdio inglês especialista em obras de terror, como os filmes de Drácula da década de 1970, com Christopher Lee. Quem também está envolvido com a produção é Oren Moverman, que aqui assina o roteiro. Moverman é o roteirista de Não Estou Lá (2007) e diretor de filmes como O Mensageiro (2009) e Um Tira Acima da Lei (2011). Além de personagens mais críveis do que normalmente teríamos em filmes assim, Moverman cria momentos de descontração, fazendo uso da cartilha do subgênero e dando o que o público-alvo quer.

Em determinado momento, a sofredora paciente profere para seu interesse amoroso (Sam Caflin): “O que esperava? Que minha cabeça girasse no corpo”, fazendo referência ao sucesso do ano anterior nos cinemas, O Exorcista (1973). O fato mostra que ao menos os realizadores souberam respeitar a cronologia em que o filme se encaixa. Outro detalhe é que podemos ter muitos sustos, certa violência (com membros destroçados e paredes ensanguentadas), mas nenhuma nudez (a câmera vira quando a personagem se exibe ao sair da banheira), já que este é um terror “comportado” e de censura baixa. No geral, A Marca do Medo é mais um filme esquecível que tentam nos empurrar como história real. Eu sempre me pergunto o quão real são essas histórias.


Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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