Amantes Eternos

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A volta do vampirismo elegante

Recentemente, a saga Crepúsculo criou grande euforia entre parte do público jovem no cenário mundial, porém, do mesmo modo, foi responsável por provocar a antipatia de outros e afastar uma determinada massa que sempre quando ouvia falar de algo relacionado a vampiros e criaturas do tipo, torcia o nariz. Artisticamente pobre, mas de enorme potencial lucrativo, a obra de Stephenie Meyer deixou uma impressão errada sobre o subgênero dos chupadores de sangue. Desde o cultuado Nosferatu (1922), na explosão do expressionismo alemão, até o jovem clássico de Francis Ford Coppola, Drácula de Bram Stoker (1992), eles foram enxergados como figuras sombrias, misteriosas e de amplo intelecto, já que viveram por séculos desfrutando de todo conhecimento e cultura possível. Seria necessário, então, algo contemporâneo para resgatar um pouco desse folclore tão enigmático.

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É exatamente aí que se encaixa o mais novo filme do cineasta Jim Jarmusch (Os Limites do Controle), Amantes Eternos, que tem como prioridade dar um tom mais profundo e humano a esses seres, denotando a riqueza que pode existir dentro da lenda. A fita investe numa ótica realmente distinta por colocar seus protagonistas, Adam (Hiddleston) e Eve (Swinton) – numa clara alusão aos primeiros indivíduos que habitaram a Terra -, como pessoas que, apesar de desfrutar a eternidade e recordar eras passadas, vivem em total conflito interno e estão, constantemente, mesmo distantes, tentando se encaixar de algum modo na sociedade atual. E estes por serem bem desenvolvidos são facilmente comprados pelo espectador.

Com uma direção de arte fabulosa que se atenta a pequenos detalhes modernos e foca em artefatos antigos, como os instrumentos musicais e a vestimenta de Adam, além de cenários pontuais e a lindíssima fotografia assinada por Yorick Le Saux, cheia de tons fortes e escuros, Jim Jarmusch realiza um excepcional trabalho de mise-en-scène e proporciona à plateia a sensação que, mesmo num período presente, aqueles personagens ainda estão presos no tempo, com suas anosas características cada vez mais entranhadas. Do mesmo modo, Jarmusch tem a leveza de engendrar uma narrativa leve que caminha com elegância. Ainda que no segundo ato aparente um inchaço e assim à obra possa soar prolixa, mas nunca cansativa.

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Um dos maiores destaque do longa é atuação da dupla Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin) e Tom Hiddleston (Os Vingadores), dois excelentes atores ingleses que, de tão multifacetados, já provaram ser capazes de fazer qualquer tipo de personagem. Swinton dar vida a uma alegre mulher vampira que parece ainda amar o mundo e querer sempre gozá-lo ao lado do parceiro. Este, interpretado por Hiddleston que novamente dá um show e confere melancolia, medo e desprezo ao seu Adam. O jovem Anton Yelchin (Star Trek) é o nice guy Ian, um garoto simpático que aparenta admirar o solitário vampiro e serve como ferramenta para que o público possa conhecer ainda mais a personalidade do sujeito. Quem também dá as caras por aqui é o veterano John Hurt (O Espião Que Sabia Demais), que empresta seu ar de sábio ancião e constrói uma figura crível e importante. O destaque negativo fica por conta de Mia Wasikowska (Segredos de Sangue), que está absurdamente caricata na pele da bela Ava.

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Detentor de uma estética luxuosa, narrativa refinada e atuações poderosas, Amantes Eternos é um belíssimo filme que muito soma a carreira de Jim Jarmusch. Ainda que possua uma trama aparentemente simplória ao espectador mais desatento e não tenha forte apelo popular, suas nuances e camadas o tornam um grande achado dentro desse subgênero que muito vinha sendo maltratado. Cabe aos apreciadores de plantão espalhar suas percepções para que essa nova leva de fãs do estilo possa descobrir que há algo no tema, por assim dizer, muito além de Bella, Edward e Jacob.


Crítica | Extraordinário é extraordinário... e vai te fazer chorar litros!


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