As Tartarugas Ninja

As Tartarugas Ninja

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O Anti-Guardiões da Galáxia

Os recentes Planeta dos Macacos: O Confronto e Guardiões da Galáxia provaram que qualquer tema pode ser transformado em um filme eficiente desde que exista qualidade no roteiro. Ou seja, personagens bem desenvolvidos, situações que causem emoção e certo nível de humanidade com que nos identifiquemos. Não importa se sejam primatas ou guaxinins falantes, se bem explorada em seu contexto a ideia funciona. Cinema é magia, é abrir a mente, é dar aquele chamado salto de fé.

Afinal, quem ama verdadeiramente cinema como arte já se emocionou com um computador superinteligente e até mesmo uma bola de vôlei como personagens. Sabemos que a coisa funciona e pode funcionar bem. Mas também pode funcionar muito mal. É o caso com o novo filme das Tartarugas Ninja. Criados por Peter Laird e Kevin Eastman ainda na década de 1980, os personagens que levam nomes de artistas do período renascentista, e seu universo, ganharam o mundo na década de 1990. Foi uma explosão.

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Popularizados por uma série animada na TV, logo Raphael, Leonardo, Michelangelo e Donatello estavam em todo canto, desde lancheiras escolares até os milhares de brinquedos. Não existia uma criança no período que não soubesse quem eram, ou não quisessem algum produto de seu merchandising.  É claro que As Tartarugas Ninja também foram parar no cinema, em produções que datam 1990, 1991 e 1993. Apesar de termos adorado esses filmes na infância, basta uma segunda olhada agora para percebermos que nosso senso crítico era inexistente.

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Já hoje, quem tiver o mínimo do mesmo, não poderá recomendar a nova produção dos personagens, que pretende repagina-los para toda uma nova geração de consumidores. Este é um filme condescendente com a inteligência de seu público. Assim como Transformers, o que parece importar são apenas as cenas de ação e os efeitos visuais, extremamente bem realizados. Se você espera mais do que isso, irá se desapontar seriamente. Não por acaso, o cineasta Michael Bay (diretor da franquia Transformers no cinema) está por trás desta nova investida, como produtor.

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O diretor (ou dublê de diretor) é Jonathan Liebesman, o sujeito que cometeu Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (2011) e Fúria de Titãs 2 (2012). A fotografia é do brasileiro Lula Carvalho (Tropa de Elite e RoboCop). Infelizmente, tudo no filme é tragado pelo roteiro sem brilho, apressado e sem diversão. Além de não agradar os “não escolados” neste universo, o novo filme faz um desserviço para os fãs também. Planejado como um reboot, um reinício para a franquia, o que traduz na obrigatória história de origem dos protagonistas, de seus aliados e vilões. E ela ocorre… nos créditos iniciais!

A criação das tartarugas, de seu mestre e figura paterna, uma ratazana humanoide, e do arqui-inimigo Destruidor (aqui, o cruzamento entre Darth Vader, um canivete suíço e um Transformer), é jogada na tela com imagens animadas, nos primeiros minutos de forma corrida. É como se os realizadores não quisessem mais perder tempo com isso. No entanto, preferem gastar o tempo com ideias recicladas, como o plano maligno do vilão, tirado diretamente de O Espetacular Homem-Aranha (2012).

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A belíssima Megan Fox como repórter é uma eficiente modelo. Seu relacionamento com o quarteto acontece de forma forçada e apressada. Ao final já estão se chamando de família, mas nunca sentimos este desenvolvimento. Pelo contrário, a jornalista de jaqueta amarela aparentemente só é ferida quando os heróis ou seu mestre a arremessam de um lado para o outro tentando salvá-la. Outro aspecto que irrita é a necessidade de uma ligação e explicação que junte os personagens, além do fato de simplesmente existirem. Eu posso te conhecer e desenvolver um relacionamento com você sem que nossos passados estejam interligados.

Mas vai explicar isto para os realizadores dos últimos filmes de super-heróis. Dessa forma, o passado de April, Splinter e das tartarugas estão todos conectados. Que chatice! Sabemos que o vilão é importante para a trama, e uma ligação prévia com os heróis e seu mestre é mencionada, mas nunca ficamos sabendo qual era. O filme faz um péssimo trabalho em criar uma identidade para ele, apesar de promissor. As gracinhas são infantis e sem graça, enfiando até mesmo uma piada com flatulência, maior sinal de desespero e falta de ideia que existe.


Crítica | Extraordinário é extraordinário... e vai te fazer chorar litros!


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