Crítica 2 | Até O Último Homem

Crítica 2 | Até O Último Homem

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MEL GIBSON ACERTA O TOM

 

Nesta temporada de premiação uma grata surpresa foi a volta de Mel Gibson à direção (e à lista de indicados ao Oscar). Até O Último Homem (Hacksaw Ridge) narra a história verídica do soldado Desmond T. Doss (Andrew Garfield), que foi para a Segunda Guerra Mundial como médico do exército, recusou-se a tocar em armas e salvou a vida de vários companheiros nos campos de Okinawa. E foi o primeiro norte-americano, exercendo escusa de consciência, e sem dar um único tiro, condecorado com a maior honraria militar.

Guerra, heroísmo e religião, temas caros para Gibson que consegue dosá-los em um filme que agrada o público, sem renunciar certa integridade artística.




Adotando uma estrutura clássica de roteiro (a opção foi bem acertada), Até O Último Homem tem o seu primeiro ato formatado de maneira bastante tradicional, focando em apresentar Desmond em sua cidadezinha, traçando sua personalidade e suas relações com os pais, com o irmão e com a noiva. Eficiente, este primeiro ato agrada, mas por sua falta de brilho não torna o filme notável. O segundo ato transcorre durante o treinamento militar. Uma espécie de Nascido Para Matar sem a mão pesada de Stanley Kubrick, Gibson consegue um resultado saboroso e eficiente, mas ainda convencional. A força do filme está mesmo no terceiro ato. É nele que Gibson demonstra que ainda sabe dirigir, e nos faz bisbilhotar o IMDB para saber de seus próximos projetos.

Imerso na guerra, o terceiro ato é a experiência mais visceral de um campo de batalhas que o cinemão nós deu desde a abertura dO Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan). Com uma câmera próxima dos acontecimentos, e uma edição que recusa a cortar o momento da morte, o público não é poupado de vísceras, membros amputados e toda a má-sorte que um teatro de guerra produz. É também neste terceiro ato que o heroísmo de Desmond se impõe ao público e aos colegas.




Infelizmente, a direção de Gibson não optou por abraçar nas cenas de batalha a contradição de seu protagonista. Desmond é um pacifista que vai para a guerra; é um soldado que se prepara para não matar; um religioso que reza para que Deus proteja seus amigos de farda, mesmo que isso implique, logicamente, na morte do adversário. Estas contradições, em grau razoável, estão na interpretação de Garfield, mas não estão traduzidas na mise-en-scène.

Gibson capta os soldados norte-americanos com uma honra glorificadora; as cenas de violência podem ser explícitas, mas não causam repulsa no espectador (ou, ao menos não foram concebidas com esse fim). De outro lado, a direção capta o heroísmo do pacifista Desmond; são cenas que elevam o protagonista a um patamar de divindade. Essa opção tem a vantagem de afasta do filme aquele pacifismo simplório à la Imagine, e tem a desvantagem de adotar a visão simplista das batalhas (do bem contra o mal). Porém, é desperdiça a chance de expor as contradições da relação entre guerra e pacifismo. Gibson divide as coisas: Desmond fica com o heroísmo vindo do pacifismo e os demais soldados com o heroísmo das armas.

Parece que o filme poderia ter dado mais um passo, gerando uma, digamos, dialética maior entre as imagens, provocando um questionamento dos danos da guerra e dos limites do pacifismo, dando maior complexidade para a narrativa. Claro que isto é um passo a mais, algo que poderia ter sido, é chatice de crítico. Fiquemos então com a seguinte conclusão: Gibson entrega um filme saboroso, que espero rever em breve!

E, aí, o que achou do filme? Gostou ou não do primeiro ato? Achou as imagens violentas? Ficou a fim de bisbilhotar o IMDB do Mel Gibson? Também achou pavoroso aquele CGI no final do filme? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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