Crítica 2 | Hotel Transilvânia 2

Crítica 2 | Hotel Transilvânia 2

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É frustrante notar que um filme repete estruturas e convenções. Mais frustrante ainda quando há a esperança de que este filme desvie, pelo menos minimamente, de abordagens e estratégias e descobrir, só nos últimos minutos, que não o fará. Disso resulta o gosto razoável, no pior dos sentidos, que este filme tem. Algo entre o bom e o ruim que transita de plano em plano por estes adjetivos, chegando ao final com a mesma sensação da curta animação que passa enquanto os créditos rolam: Uma certa insipidez.

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Isso vem, principalmente, da história e da estratégia utilizada em ‘Hotel Transilvânia 2‘. Um avô querendo que o neto seja do jeito que ele quer, mas o neto não consegue ser. As expectativas da geração anterior em relação a que vem, tema central de diversas animações como ‘Happy Feet‘ e ‘Como Treinar seu Dragão‘, reaparecem neste filme de forma semelhante, mas nunca eficiente; beirando o patético.




As caracterizações são, também, outro fator que acumulam a essa sensação geral que o longa tem. Os personagens não são desprovidos de personalidade, mas não se segue uma lógica simples e que os torne facilmente identificáveis. Algo que torne fácil imaginarmos como um personagem qualquer reagiria a situação mais adversa. Em vez disso, são, na imensa maioria, fracos e variam a personalidade de cena em cena, de modo que nunca fica claro as suas características ou esses personagens construam uma personalidade sólida e forte ao longo do filme.

E apesar de isto acontecer, também, com o conde Drácula (Adam Sandler), é muito mais frequente nos personagens secundários, principalmente em Mavis (Selena Gomez), a filha do Drácula. A jovem transita entre diversas sensações, de forma que quando toma alguma decisão séria, como quando decide sair do castelo do pai, isso soe como uma surpresa e faça com que não entendamos que tipo de personagem é este. Há uma falta constante de seguir uma lógica baseada na personalidade, de forma que sente-se uma falta de tempo para definir as características de cada personagem e este aspecto soa como se tivesse sido feito ás pressas.

Quanto ao humor, é razoável, variando entre algumas passagens boas, como a já revelada no trailer em que o Drácula joga o neto de uma estrutura muito alta, esperando que ele voe, e outras deploráveis, como quando o Drácula começa a dançar Break, numa reação completamente inesperada e numa dança fajuta (mas sério, o diálogo nessa hora é algo como: “Vamos dançar break?”). Uma série de altos e baixos que nunca constituem algo de boa qualidade, sempre tendendo para a as passagens de humor já batidas.

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Os personagens são, esteticamente, dotados de uma certa personalidade, obviamente, o drácula com suas expressões únicas e o garotinho com seu imenso topete ruivo são facilmente identificáveis. Todos animados com expressões adoráveis e grandes olhos, algo que os torna bastante atraentes e envolventes para as crianças, que podem ter uma boa experiência (mas nada demais).

Como dito por Quentin Tarantino em uma entrevista para Charlie Rose logo após realizar Pulp Fiction: “Não há problema em ficar momentaneamente confuso se você sente que está em boas mãos”, em outras palavras, um diretor pode fazer o que quiser, desde que tenha ideia clara e objetivos claros para o que está fazendo, e isto é, justamente, o que não se sente ao assistir este filme.

A projeção se encerra com a sensação de dinheiro mal gasto; esforço mal recompensado ou saber que está sendo enganado. Não nos sentimos guiados por alguém de confiança, que sabe o que está fazendo, e a experiência acaba sendo razoável, no máximo.

 

 

 

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