Crítica 2 | Invocação do Mal 2

Crítica 2 | Invocação do Mal 2

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JAMES WAN NÃO DECEPCIONA

 

Fiz de tudo. Evitei trailers, não li resenhas, andei com cuidado pela internet, mas não consegui. Por considerar o primeiro Invocação do Mal (The Conjuring) um filme excelente, símbolo dessa nova (e excepcional) safra do cinema de terror, minha expectativa ficou em velocidade máxima.

Quando começou a projeção de Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2), as primeira cenas me meteram medo: emulando a estrutura do primeiro, fiquei me perguntando “será que ele vai fazer um simples remake?!” Mas, logo que a música London Calling do The Clash terminou, aquela sensação ruim sumiu e sobrou apenas o medo dos fantasmas e a certeza de que James Wan não iria me desapontar.




invocação do mal

Sim, esta continuação não tem o frescor de novidade do primeiro e a estrutura geral do roteiro mimetiza a do primeiro filme. Mas isso não tira o brilho desta continuação, que alcança a mesma qualidade do seu predecessor e vai além.

Comecemos pela pergunta que muitos fazem: mete medo? O que posso responder: o diretor consegue criar sequências de suspense, estabelecendo um clima genuíno de terror. Os poucos jump scare (aqueles susto de dar pulos na cadeira) são muito bem empregados. Olha, sair ou não com medo vai depende do subjetivo e do sadismo de cada criatura, mas James Wan faz seu trabalho diretinho. As sequências de suspense são longas, tensas e surpreendem, seja pelo instante do susto, seja pela própria concepção. Neste Invocação… 2, Wan cria uma ambientação no qual sonho e realidade se confundem para, ao final de cada sequência, alcançar o máximo de um realismo de horror. Há momentos de apuro estético invejável – sem abrir mão da tensão – como na sequência envolvendo Lorraine Warren (Vera Farmiga), sua filha (Sterling Jerins) e a Freira demoníaca dos trailers.

O espectador pode até achar o primeiro filme mais assustador. O que não se pode negar é a competência de Wan em criar suspense e ambientação. Fiquem tranquilos de uma coisa, ninguém vai acusar Invocação… 2 de não ser terror (como alguns acusam os ótimos The Babadook e Corrente do Mal).




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Assim como o primeiro Invocação… não era apenas sustos, esta continuação apresenta outras qualidades, chegando, em alguns pontos, a superar o anterior. Dois traços que esta continuação se iguala ao primeiro: movimentação de câmera e concepção dos fantasmas.

Um dos aspectos que mais elogiei no primeiro filme foi a movimentação de câmera. Foram planos-sequências, travellings e câmera de ponta-cabeça que estabeleciam o espaço, o suspense e a relação entre as personagens, colocando o espectador no centro da tensão. Curiosamente, a câmera de Wan se movia com uma leveza que contrastava com a tensão do filme. Tudo isso está nesta continuação. Salvo por um primeiro plano-sequência da casa da família Hodgson (achei a câmera um tanto travada), Wan demonstra, nesta continuação, amadurecimento no uso da câmera.

Outro traço característico da carreira do diretor são suas criaturas. Seus filmes trazem criaturas que marcam o espectador pela inventividade e capacidade de evocar o horror. E, o melhor, ele faz questão de mostrar seus fantasmas de traços icônicos. Neste quesito, Invocação… 2 arrisca ao conceber o Homem Torto: o ator Javier Botet veste uma fantasia que lembra um personagem de Tim Burton e seus movimentos emulam uma animação stop-motion. Para alguns, isso pode ser uma quebra de expectativas, porque, sim, foge do tom do filme. Contudo, além de reforçar o clima surreal pelo qual passa a família, o Homem Torto saiu de um brinquedo infantil de imagens em movimento (uma espécie de praxinoscópio); há aqui uma piscadela, uma brincadeira metalinguística, como se o diretor estivesse relendo os antigos filmes de horror e ficção e seus monstros animados. Ou se perguntasse: até onde as antigas técnicas ainda assustam? (Curiosidade: Javier Botet já fez outros filmes de terror, dentre eles o Mama, no qual ele interpretava o espírito da Mama! Abaixo, foto das gravações de Mama)

Mama_Invocação do Mal 2

Ponto no qual Invocação… 2, certamente, supera o original é a direção de arte. A casa da família Hodgson é bem mais evocativa e assustadora que a do primeiro filme. Só as primeiras imagens da sala e da cozinha da casa já traduzem o abandono afetivo e a crise financeira na qual a família vive.

Dois elementos desta continuação me provocaram agradável surpresa. Primeiro, o tom mais intimista e a maior profundidade dos personagens. A maior profundidade já era esperada em relação ao casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren; dispensadas as apresentações, o roteiro dedicou o espaço do casal para conhecermos da sua intimidade. E o roteiro também consegue isso com a família Hodgson, especialmente com a mãe Peggy (Frances O’Connor) e Janet (Madison Wolfe), a filha vítima das possessões. Tudo isso é possível graças às excelentes atuações, com destaque para Frances O’Connor, que consegue transmitir muitas camadas de angustia ao espectador. Neste aspecto, Invocação… 2 permite interpretações e metáforas mais ricas do que o primeiro, ombreando com obras como The Babadook e A Bruxa.

Invocação do Mal 2

Agora, o elemento que mais me surpreendeu foi o humor (como na cena dos policiais). Não esperava ver instantes de humor tão bem colocadas. Tudo muito orgânico, são alívios de risos nervosos que nos ajudam a enfrentar a tensão e o horror criados por Wan.

P.S.: Wan já fala em Invocação do Mal 3. Confio nele, e irei assistir, afinal, ele vem se provando, a cada filme, um talento. Contudo, acharia melhor que ele transformasse os casos do casal Warren numa série para TV, com um caso por temporada, e buscasse outros voos, dentro ou fora do cinema de horror.

E, ai, o que achou do filme? Sentiu mais medo nesse ou no primeiro? Gostou do Homem Torto? Você já quer ver Invocação do Mal 3? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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