Crítica 2 | Kingsman: Serviço Secreto

Crítica 2 | Kingsman: Serviço Secreto

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Uma junção de vários agentes e universos

O inglês Matthew Vaughn parece mesmo gostar de adaptar histórias em quadrinhos. Tirando o seu primeiro trabalho, Nem Tudo é o Que Parece (2004), que também possui elementos narrativos semelhantes, até agora o cineasta só fez obras relacionadas ao grande filão atual da indústria cinematográfica norte-americana. Stardust: O Mistério da Estrela (2007) é baseado num livro ilustrado de Neil Gaiman, não foi muito comentado, mas é algo orgânico; Kick-Ass: Quebrando Tudo (2010) é a transposição perfeita de uma graphic novel independente. Mesmo sendo distribuído em poucos cinemas e ganhando alta classificação indicativa, conquistou o mundo pelo background popular e pegada frenética; X-Men: Primeira Classe (2011) foi responsável por colocar os Filhos do Átomo novamente em ascensão, com um filme de espionagem que se passa em plena tensão da Guerra Fria. E este novo Kingsman: Serviço Secreto, que algumas vezes teve sua estreia adiada, também tem como origem um exemplar da nona arte.

Bem como Kick-Ass, o conto original é escrito por Mark Millar, um sujeito que mesmo trabalhando nos dois grandes selos da mídia, DC e Marvel, vez ou outra cria histórias peculiares como O Procurado e Superior. De estilo bem incomum, além de usar bastantes elementos da cultura pop contemporânea, Millar concebe tramas malucas, recheadas de sexo, gore e muita ação. Seus personagens geralmente têm estereótipos de loosers, adolescentes que geralmente possuem uma vida digamos “ferrada”, mas que através de um acontecimento tornam-se heróis suburbanos.

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Seguindo a vibe, esta nova empreitada do Vaughn conta a história de Gary ‘Eggsy’ Unwin (Taron Egerton), um rapaz que está chegando a sua vida adulta, mas ainda mora com a mãe, um padrasto barra pesada e está cercado de maus elementos no bairro. Seu futuro parece amargamente previsível. É quando surge o agente Harry ‘Galahad’ Hart (Colin Firth), que faz parte da organização secreta Kingsman – um grupo britânico responsável por casos extragovernamentais. Depois de uma série de acontecimentos envolvendo Eggsy, membros da equipe e o impagável vilão nerd Valentine (Samuel L. Jackson), Galahad vê no garoto um ótimo combatente para o grupo, principalmente por seu pai já ter sido de lá. Logo ele é convocado para uma dura seleção – intencionalmente semelhante aquela que vemos na franquia M.I.B. – Homens de Preto, com direito ao Neuralyzer e outros componentes mais.

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O longa possui rudimentos de várias obras do cinema, TV e HQ. Pode ser tipo um James Bond, pelo charme de agente britânico ou encarado como Jason Bourne, por ter várias cenas de entraves corporais. E ainda assim funcionar como um filme de ação à moda antiga, cheio de explosões, cenas chocantes e frases de efeito. Vemos também aqui inúmeras gags que fazem alusão a famosas personalidades ou figuras importantes de diferentes meios. Matthew Vaughn não pesa a mão e, já familiarizado com o subgênero, desenvolve bem seus personagens que, mesmo caricaturais, tem qualidades humanas. Criando dessa forma o processo de identificação com o espectador. Ficamos com aquelas figuras genéricas na cabeça.

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É bem verdade que a fita seja deveras inchada, tendo em vista que estamos falando de um filme escapista, que possui um ritmo calcado em situações catárticas. No segundo ato, por exemplo, é notada uma enorme barriga. Sem necessidade, já que a trama não exige muito tempo de tela para descrever e detalhar tal background. No intuito de corrigir isso, Vaughn incrementa mais batalhas – andamentos que se mostram soltos. Somente na parte final, quando tudo vai afunilando, a coisa volta ao normal. Até porque, em alguns momentos do roteiro, ficamos incrédulos com o nível de maluquice e falta de noção ali passada. E isso é bom.

Visualmente, Kingsman: Serviço Secreto é um trabalho interessante, mesmo tendo uma trama “biruta”, é esteticamente elegante e tem uma fotografia inteligente. George Richmond confere um tom clássico às cenas classudas, como as que os personagens estão em reuniões ou então provando ternos na loja da empresa. A trilha sonora de Henry Jackman apresenta um aspecto heroico, ainda que insira canções de Dire Straits e Lynyrd Skynyrd, para dar maior dinamismo. E se não é a montagem eletrizante da dupla Eddie Hamilton e Jon Harris, provavelmente sentiríamos ainda mais o tempo de duração.

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O casting é um dos maiores destaques, o diretor pôde contar com nomes como Mark Strong, Michael Caine e Mark Hamill, além dos já citados Firth e L. Jackson – fazendo um vilão engraçadíssimo. Todos parecem se divertir em cena e contagiam o público com esse espirito. Talvez o protagonista, Taron Egerton, não transmita o mesmo carisma de seus colegas, ainda que não comprometa.

Matthew Vaughn põe a pretensão de lado e oferece um filme que, mesmo carregando várias referências artísticas, não se preocupa em parecer clichê, tendo como principal objetivo o entretenimento. É realmente longo, mas compensa esse problema por deter de um ritmo pulsante. Tem muita ação, comédia e passagens hilárias. Deve agradar diversos públicos, pois não é preso a um gênero. Sua despretensão é algo notável.


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