Crítica 2 | Sicario: Terra de Ninguém

Crítica 2 | Sicario: Terra de Ninguém

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O novo trabalho primoroso do cineasta Denis Villeneuve

Se você gosta de cinema precisa conhecer Denis Villeneuve. O diretor franco-canadense surgiu para o mundo da sétima arte em 2010, quando entregou Incêndios, drama indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (perdendo para o dinamarquês Em um Mundo Melhor) e nomeado pelo público como número 163 na lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos no Imdb, a bíblia de cinema na rede.

Seu status de culto absoluto pelos cinéfilos viria em 2013. Os Suspeitos e O Homem Duplicado, seus novos filmes, ganharam espaço especial nas listas dos melhores dos especialistas, em seus respectivos anos – O Homem Duplicado chegou em grande parte do mundo em 2014 –  apelando ao público mainstream e aos amantes do cinema cult de arte respectivamente e simultaneamente.

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Com a virada do novo ano, Villeneuve segue fazendo nossa alegria, desta vez nos apresentando Sicario: Terra de Ninguém. A investida do cineasta aqui é numa história sobre o combate ao tráfico de drogas e suas consequências.  Para isso, o diretor trabalha com Taylor Sheridan (ator e roteirista estreante), narrando a relação de três agentes da lei bem dissonantes.

O estreante Sheridan entrega um roteiro simples, sem reviravoltas mirabolantes, mas muito bem trabalhado, dando ênfase a seus personagens e seu desenvolvimento. É mais fácil um filme ser bem sucedido contando com um bom roteiro do que com uma boa direção. Mas o que Villeneuve consegue aqui é o oposto, extraindo um filmaço de um roteiro eficiente e não precioso.

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Na trama, a bela britânica Emily Blunt vive Kate Macer, agente idealista do FBI, atuando na divisão anti sequestro. Sua última missão está diretamente ligada a um poderoso cartel de drogas mexicano. Dessa forma, a agente é recrutada para fazer parte de uma força tarefa designada a desmantelar este cartel e seus chefes. No esquadrão ela trabalhará diretamente com o polêmico Matt Graver (Josh Brolin), o líder da equipe, e com o direto e misterioso Alejandro (Benicio Del Toro).




Nesta jornada, a protagonista terá um curso relâmpago em destreza e aprenderá que não existe muito espaço para “preto e branco”, como ela jurou fazer. Kate é uma digna protagonista. Uma personagem justa, que nos remete à Clarice Starling (personagem de Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes) em sua descida espiral rumo a seu inferno particular. Ela está adentrando um verdadeiro ninho de cobras, no qual mulheres (e homens) inexperientes não tem vez. Blunt entrega aqui sua melhor e mais comprometida performance. Digna de premiação.

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Desde Traffic – Ninguém Sai Limpo (2000), vencedor de quatro Oscar, um filme chamativo e mirado ao grande público não abordava o tema de forma tão eficiente, crua e realista. Numa guerra suja, onde alianças precisam ser feitas a cada instante, e ceder muitas vezes é o melhor caminho, Villeneuve não ousa dar respostas ou sequer pregar para qualquer lado da questão. Kate é o nosso ponto de vista, intermediário e isento. Ao longo, o público tira da obra, em parte, o que já havia levado para ela. Sicario funciona como entretenimento de forma fantástica, criando algumas das melhores cenas de ação e tensão do ano (uma em particular é extremamente nervosa, envolvendo um grande engarrafamento numa estrada).

Junte a isso a trilha sonora perturbadora de Jóhann Jóhannsson, crescente, criando o suspense que anuncia algo muito ruim por chegar, a fotografia magistral de Roger Deakins, um dos melhores profissionais da área em atividade, que consegue dar textura e beleza ao escuro como poucos, e atuações caprichadas do trio principal. Sicario: Terra de Ninguém pode não ser o filme mais original a abordar o tema do narcotráfico, mas é um dos mais competentes e satisfatórios em todas as outras contrapartes que formam o todo de uma produção de cinema.

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