Crítica 4 | Mad Max: Estrada da Fúria

Crítica 4 | Mad Max: Estrada da Fúria

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Um filme que dignifica seu gênero

A ideia de fazer uma continuação, remake ou reboot da cinessérie Mad Max não é de hoje, desde Além da Cúpula do Trovão (1985), os rumores relacionados à franquia que consagrou o astro Mel Gibson eram constantes na indústria do audiovisual. Chegaram até montar um projeto em Namíbia, que acabou sendo cancelado devido a preocupações de segurança nacional, e mais tarde pelo início da Guerra do Iraque. Após esse adiamento, os produtores cogitaram fazer uma animação 3D, algo que nunca saiu do papel.

Mas, eis que o próprio criador da coisa decidiu proporcionar à nova geração a experiência de conferir uma nova roupagem da obra pós-apocalíptica que revolucionou o gênero e trouxe a tona o movimento da Ozploitation.George Miller fez questão de apresentar, novamente, os principais elementos fílmicos que tornaram a série um clássico da moderna ficção cientifica e por que não da sétima arte.

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Temos em Estrada da Fúria a mesma insanidade atmosférica que era latente nos títulos anteriores. Genuínas cenas de ação que, se comparadas a obras contemporâneas, tornam-se um de divisor de águas dentro do quesito em questão. Além de todo esmero na direção de Miller, que mesclando variados estilos impetrou ângulos que soaram impressionantes, os cenários internos e externos possuem um árido e embasbacante design de produção, que é sujo e ao mesmo tempo suntuoso. A fotografia de John Seale é um deleito desértico e cristalino. As tomadas são recheadas de efeitos práticos – o que é quase uma atração à parte. Vemos veículos enormes explodirem literalmente, homens sendo lançados ao ar e batalhas avassaladoras que não devem nada ao clássico A Caçada Continua (1981).

Uma das ferramentas mais presentes do longa é a trilha sonora assinada pelo holandês Junkie XL. As melodias são fundamentais em quase todos os andamentos, elas ditam o ritmo e engrandecem ainda mais as cenas. Um trabalho que mistura instrumentos orquestrais, distorções de guitarra e música eletrônica.

75.0

A história dessa vez traz o solitário guerreiro Max (Tom Hardy) sendo capturado por um exercito liderado pelo tirano Imortal Joe (Hugh Keays-Byrne), um sujeito monstruoso que escraviza a população em troca de um pouco de água. E que é canalha ao ponto de pedir que seu povo não se vicie, pois ficariam dependentes do líquido – uma bela alegoria ao que vemos na política. Joe tem como um de seus generais a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), que cansada de ver suas companheiras serem massacradas, decide fugir e conta, quase que sem querer, com a ajuda de Max. É a partir dessa aliança que vemos os grandes entraves e perseguições do conto.




O Max de Hardy pouco se expressa e, não por acaso, é quase o homem sem nome da Trilogia dos Dólares, de Sergio Leone. Sua força e carisma estão no limite do que passa o personagem, e isso não é pouco. Este que some completamente quando Theron entra em ação. A atriz sul-africana rouba a cena e é um dos maiores destaques da fita. Torna-se a protagonista e vira talvez uma das figuras mais intensas de toda franquia. Os ideais feministas de Furiosa são admiráveis, mais ainda sua postura diante de machões valentões. Será uma pena, caso não retorne nas futuras continuações já confirmadas.

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Keays-Byrne, que fez o vilão Toecutter no primeiro Mad Max (1979), está impagável como Joe. Portando um visual pesadíssimo, o ator confere os traços caricatos necessários para que seu cruel personagem funcione. Bem como Nicholas Hoult é uma grata surpresa e afere momentos catárticos, interpretando o alucinado Nux.

Sem mais delongas, é certo que George Miller remodela o atual cinema de ação, oferecendo um filme ambicioso, sem jamais se entregar aos clichês do momento. Deixa de lado o CGI e investe em planos completamente abertos que, no fim das contas, mostram-se esmagadores. É um misto de referências cinematográficas, onde à primeira vista se apresenta como roteiro simplório, mas se melhor analisado possui sutis camadas que debatem temas sociais. Uma obra peculiar que promete gerar bons frutos, sendo assim o início de outra fase, quem sabe.

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