Crítica 4 | Vingadores: Era de Ultron

Crítica 4 | Vingadores: Era de Ultron

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UM GRANDE FILME MENOR

 

Imagine ir ao teatro assistir uma ópera grandiosa, cheia de grandes cenas e personagens cativantes. Porém, no lugar da orquestra, colocam um MP3 e uma caixa de som tocando a música. É mais ou menos essa a sensação de assistir Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron): um filme grande, sequências de ação em vários pontos do planeta, personagens que amamos, mas, sem aquele o som e a fúria que tornam um filme grandioso.

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Antes de acusarem o parágrafo anterior de ser “coisa de crítico”, deixo claro que Era de Ultron diverte, mas, comparado com outros filmes da Marvel, falta algo. Quando saiu o primeiro filme da equipe, disse que ele era como um episódio crossover, unindo personagens de séries diferentes que amamos; esses episódios, em geral, são interessantes, mas não mais que isso. Era de Ultron acomoda-se na fórmula que deu certo no primeiro filme, amarra uma ponta ou outra e tem alguns momentos interessantes. Parece que o diretor, Joss Whedon, sabendo que a legião de fãs da Marvel garantiria a bilheteria, acomodou-se em berço esplendido. E falo o diretor – e talvez também o roteirista – porque parece que a Marvel já notou que algo não saiu dentro dos altos padrões da casa e chamou os irmãos Russo – de Capitão América: Soldado Invernal – para dirigir os dois próximos filmes.

As sequências de ação são repetitivas e pouco criativas. Tal pasteurização pode anestesiar parte da plateia – ao menos, eu fiquei… O curioso é que o filme almeja a grandiosidade. A ação transcorre em vários países e vários tipos de ambientes, e a sequência do ato final é realmente surreal. Porém, fica faltando algo. Nem o fato de vermos os civis em perigo – escolha que normalmente dá humanidade e urgência para a ação – ajuda. As sequências de ação de Soldado Invernal, para ficarmos no mesmo exemplo, possuem muito mais adrenalina e uma verdadeira noção de perigo. Para completar, os dialogo cômicos são pouco inspirados, e tão preguiçosos quanto às cenas de ação.

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Era de Ultron parecia ser um filme que traria um subtexto interessante, especialmente se pensarmos na ideia de um inteligência artificial que quer trazer a paz arrasando com a humanidade. Porém, se a primeira aparição Ultron (voz de James Spader) é espetacular, a personagem que começa insana, vai ficando menor. É curioso como à medida que o físico dele aumenta seu lado diminui. Com isso, não só o lado ameaçador do filme, como seu subtexto esvazia-se. Uma grande pena, porque toda a série X-Men já provou que filmes de equipe não precisam ser rasos e limitar-se a uma confraternização entre amigos.




Alguns dos melhores momentos do filme são, justamente, fora das cenas de ação, como a festa na Torre dos Vingadores (belo cenário!), a vida privada do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), a relação amorosa entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o Hulk (Mark Ruffalo) e o nascimento do Visão (Paul Bettany). A imagem do Visão promete deslumbrar os fãs. A atuação de Bettany, mesmo pequena, marca. Na sequência do seu nascimento, Whedon tem um instante inspirado, quando o seu primeiro close é no reflexo do rosto dele nas janelas da Torre dos Vingadores, dando-lhe uma humanidade instantânea. Também merecem destaque os irmãos Pietro (Aaron Taylor-Johson) e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen).

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Claro que Era de Ultron não é um filme ruim. O ingresso se paga, há várias pistas de como os próximos filmes serão e os fãs vão adorar. O triste é ver um filme que prometia tanto não entregar nem metade do prometido. E se pensarmos, mais uma vez, no nível que a Marvel estabeleceu nos últimos filmes (inclusive com excelentes subtextos) e que Era de Ultron encerrou a fase 2 da Marvel, realmente é decepcionante.

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