Crítica | A Colina Escarlate

Crítica | A Colina Escarlate

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A bela e sombria moldura do horror, segundo Guillermo del Toro.

É inegável que Guillermo del Toro seja um dos cineastas mais virtuosos da atualidade, pelo menos no que se refere à estética visual. Com uma carreira sólida, mas de poucos trabalhos na direção, principalmente por estar sempre atuando como produtor, o mexicano conseguiu deixar sua marca não só no meio independente, com A Espinha do Diabo (2001), como também em Hollywood, Círculo de Fogo (2013). É bem verdade que o gênero do horror esteja em baixa e sobreviva de pequenos suspiros dentro do grande circuito, no entanto o diretor continua fazendo o que gosta e mantendo um bom nível, tanto no cinema quanto na TV.

E este A Colina Escarlate corrobora ainda mais o apontamento, justamente por se tratar de uma história original escrita pelo próprio del Toro – em parceria com Matthew Robbins, que foi seu parceiro em Mutação (1997) – e contar com um design de produção magnifico – salvo hipérboles, um dos mais inspirados do ano, ao lado de Mad Max: Estrada da Fúria. E, claro, também por referenciar clássicos da nona arte e vertentes expressionistas, no texto e na mise-en-scène, de forma bastante orgânica.

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Inicialmente, a trama em si mostra-se bem simples, é basicamente uma história de casa mal assombrada. Onde a jovem escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska), apaixonada pelo misterioso Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), muda-se para uma gélida mansão sombria, rodeada por um entranho barro cor de sangue. Lá mora também a irmã de Thomas, Lucille Sharpe (Jessica Chastain), uma mulher de personalidade fria que parece se encaixar no local onde vive. A partir daí, Edith é atormentada por assombrações, vai fisicamente definhando e aos poucos descobrindo os segredos tenebrosos por trás do lugar. Porém o grande foco aqui é abordar até onde o humano pode chegar em nome do amor. O fato desse sentimento nos transformar em monstros.

Como é perceptível e já foi dito, Guillermo del Toro se esbalda em referências ao longo de toda exibição, é fácil encontrar aqui e ali grandes obras do terror europeu, ou mesmo identificar movimentos de câmeras semelhantes aos mestres do gênero. Entretanto, em relação à narrativa, o primeiro ato pode soar arrastado devido à preocupação do diretor em tentar melhor aprofundar a protagonista. E, como de costume, Mia Wasikowska possui uma dose limitada de carisma e acaba servindo como a figura pura e singular dentro do universo empreendido. Mas por decompor tanto tempo de tela ao lado do ótimo Tom Hiddleston, se beneficia pela troca de diálogos do texto enxuto da dupla. Jessica Chastain mostra porque vem sendo tão elogiada e divide cenas poderosas com o próprio Hiddleston.

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Se no começo a linguagem parece monótona, podendo deixar o público disperso, da metade para o fim a plateia deve ficar absolutamente imersa pela atmosfera soturna e a trama intrigante que se desenrola em tela. Novamente vale destacar a direção de arte concebida de forma minuciosa e pontual para este filme – já que nenhuma das peças do cenário ou figurino foi reutilizada. A fotografia de Dan Laustsen copia intencionalmente a estética vista nos longas technicolor de Mario Bava. Cada plano engendrado merece ser emoldurado pela riqueza de detalhes e concepção estética. A trilha sonora de Fernando Velázquez também é competente por criar sutis analogias e pontuar distintos andamentos da fita.




Logo, se você é um apreciador do estilo, ou mesmo entusiasta do bom cinema, deve conferir e saber que A Colina Escarlate é uma pedra preciosa dentre tantas outras genéricas lançadas ultimamente. É uma obra autoral e visualmente deslumbrante, que tem pretensões claras e um texto direto, ainda que rico do ponto vista temático. Além de homenagear de maneira honesta este gênero tão amado e respeitado por Guillermo del Toro.

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