Crítica | A Forca

Crítica | A Forca

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A Influência da Bruxa

A Forca‘ é o novo terror independente, produzido no estilo found footage. A obra chamou tanta atenção da Warner, que o gigante de Hollywood resolveu apostar suas fichas no horror de baixo orçamento. O estúdio bancou a produção, a distribuiu, e a colocou para estrear durante a competitiva época do verão norte-americano, na qual os maiores blockbusters de seus respectivos estúdios são lançados. Coragem!

Filmes originais e influentes muitas vezes terminam por tirar da garrafa um demônio que não pode ser mais colocado de volta.  A Bruxa de Blair (1999), um dos maiores sucessos independentes dos últimos vinte anos, serviu entre outras coisas para criar o subgênero do found footage, aquele tipo de filme no qual a imagem que vemos, vem da câmera segurada por um dos personagens. Daí aquela sensação de câmera tremida, amadorismo ou ar documental.

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Depois do filme, uma enxurrada de produções resolveu usar a estética, quase sempre dentro do gênero jovem do terror – embora outras incursões tenham sido tentadas (filme adolescente de festas, como Projeto X, filmes de super-heróis, como Poder Sem Limites, e até cinema catástrofe, vide No Olho do Tornado). O subgênero faz sucesso quase que exclusivamente com o público jovem, deixando os adultos tontos ou enjoados, com tantas imagens sacudidas (sabe aquela sua filmagem que não saiu tão boa quanto você imaginava? Que tal assistir duas horas dela em um telão?).

Na trama, uma tragédia tira a vida de um estudante durante uma apresentação teatral, em 1993. Vinte anos depois, o mesmo colégio resolve reencenar a peça “A Forca” (coisa que nenhuma instituição faria). Na nova roupagem da peça, Reese (Reese Mishler) é o protagonista, ocupando a vaga de Charlie Grimille (Jesse Cross), o garoto morto durante a apresentação. Apesar da classe de arte ser obrigatória, o motivo de Reese é nobre: a garota de seus sonhos, Pfeiffer (Pfeiffer Brown), seu par na peça, foi quem o convidou.

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Sem ter como dizer não, e faltando poucas horas para a apresentação, Reese, ao lado do casal Ryan (Ryan Shoos) e Cassidy (Cassidy Gifford), resolve invadir o colégio e destruir o cenário da peça durante a noite, para que no dia seguinte não ocorra o espetáculo. Chegando ao local, se deparam com Pfeiffer, e estranhos acontecimentos começam a ocorrer, sem que os quatro adolescentes consigam deixar as imediações.




Escrito pelos diretores da obra, Chris Lofing e Travis Cluff (que também participa como ator, no papel do professor Sr. Schwendiman), um dos objetivos de A Forca é lançar um novo serial killer icônico, nos moldes de Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo), Jason (Sexta-Feira 13) ou Michael Myers (Halloween), coisa pouco tentada atualmente. A pretensão é algo admirável, e a figura de Charlie, com seu capuz de carrasco, é interessante e criativa. Se irá emplacar como fantasia no próximo dia das bruxas, ou Comic-Con, só o tempo dirá.

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O uso dos nomes verdadeiros dos jovens atores é uma sacada legal, embora todos ainda estejam bem verdes e inexpressivos. Além desta pitada, contida também em A Bruxa de Blair, dois outros fatos o aproximam do filme de 1999 citado. Primeiro, a intenção de passar que tudo ocorreu de verdade, com uma mensagem ao final da exibição, tentando ludibriar o público. E segundo, a cena mais marcante de “A Bruxa”, quando a personagem Heather, horrorizada, segura a câmera bem de frente para o rosto, enquanto lágrimas escorrem pela sua face. Aqui, temos a mesma cena exatamente repetida.

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O roteiro também não é dos mais rasos, e percebemos certo empenho dos marinheiros de primeira viagem na confecção desta história. Existem reviravoltas, digamos, interessantes aqui em relação à identidade do assassino, e as ligações do passado e presente. Mesmo assim, ao final da exibição, um pouco de pensamento sobre o que acabamos de ver pode ferir o filme, já que nem tudo irá se encaixar ou fazer sentido.

 A Forca caminha na tênue linha entre o assustador e o ridículo. A atmosfera criada do local vazio à noite é assustadora, fazendo do filme algo que não podemos descartar totalmente. Sustos são garantidos. Mas ao final, realmente não existe como defender com unhas e dentes o filme, que funciona basicamente como uma máquina de sustos, sem nada muito substancial por trás.

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