Crítica | Alguém Como Eu – Paolla Oliveira estrela comédia romântica passada em Portugal

Crítica | Alguém Como Eu – Paolla Oliveira estrela comédia romântica passada em Portugal

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Se Você Fosse Eu

O Brasil é especialista em humor para o consumo rápido do público. Este tipo de filme pode ser considerado nossos blockbusters. É a diferença entre o cinema comercial e o cinema de arte em nosso país. Dentro de tal molde, as comédias são confeccionadas para uma grande abrangência de pessoas, justamente por isso precisam de uma linguagem mais popular, que crie identificação com o maior número de espectadores possível. O que em nosso país reflete em muito da nossa cultura.

Alguém Como Eu não entra tanto neste mérito. Trata-se de um romance leve e tão despretensioso que provavelmente passará em branco. O chamariz aqui é, obviamente, a presença da estrela nacional Paolla Oliveira. No longa, a atriz vive Helena – uma mulher jovem, linda, rica e bem sucedida. Então, é claro que irá se comportar como uma louca, girando toda a sua vida em função de um homem, por quem não é correspondida. O início do filme, apenas enfatiza o buraco que é a existência desta mulher interessantíssima, se não tiver o aval de um sujeito – que provavelmente é um grande traste.

É verdade que o Brasil engatinha muito em relação a inúmeros temas sociais se comparado a países de Primeiro Mundo. Um destes conceitos parece ser o de criar personagens femininas fortes e independentes, que podem fazer outra coisa além de correr atrás de homens desmerecedores de seu tempo, em filmes comerciais voltados ao grande público. Afinal, a mensagem que deve ser propagada para as massas é a inversa deste discurso. Mas essa não é uma deficiência apenas de Alguém Como Eu. Filmes como SOS – Mulheres ao Mar, e sua continuação, repetem a mesma batida. Deviam aprender um pouco com as rom-coms de Julia Rezende, vide Ponte Aérea (2015).




A coisa infelizmente ainda piora, com a perda de foco do objetivo do longa. Todo filme precisa passar uma mensagem, mesmo que não gostemos do que tem a dizer. Tudo bem que em certas produções fica mais difícil ler a proposta. Alguém Como Eu torna esta missão quase impossível. Ele começa de um jeito, segue por outro, traz uma reviravolta sobrenatural (será?) e termina basicamente no status quo – o que não seria problema se o filme não pensasse ter tido a maior das epifanias com esta trajetória.

Escrito por Tatiana Maciel (Desculpe o Transtorno) e Adriana Falcão (Se Eu Fosse Você 2), baseado na premissa do português Pedro Varela, e dirigido pelo lusitano Leonel Vieira, o mote pelo qual Alguém Como Eu é vendido aborda elementos fantásticos. Cansada de ter companheiros que não entendem o que ela quer de uma relação, Helena faz um pedido e passa a ter mais afinidade com o namorado Alex, papel de Ricardo Pereira. O problema: ela passa a vê-lo nas belas formas de Sara Prata – já que como pegadinha desta compreensão feminina, o sujeito, ao menos para ela, se torna uma mulher por dentro e por fora.

A situação de Helena não cria muita empatia ou identificação, soando como uma insatisfação muito pequena e egoísta. Fora isso, o “desejo” em si não exibe qualquer criatividade – a moça faz um pedido... para Deus! E é atendida. Até mesmo a fonte em que Ryan Reynolds e Jason Bateman urinam em Queria Ter a Sua Vida (2011) é uma ideia mais inventiva. Outro deslize é que o roteiro esquece este artifício e o usa muito pouco, não conseguindo arrancar qualquer graça das situações proporcionadas pela transmutação de gênero. Tudo bem, podemos fazer igualmente a leitura de que a transição estava ocorrendo apenas na mente da protagonista – mas como o texto não deixa isso claro com todas as letras, seria tripudiar demais com um elemento tão implícito.

Os atores, como sabemos, são mais do que carismáticos e talentosos. Paolla Oliveria e Ricardo Pereira possuem boa química e funcionam bem juntos. Assim como Júlia Rabello e José Pedro Vasconcelos – que infelizmente não possuem muito o que fazer aqui. O problema é mesmo a condução desfocada, não permitindo ao elemento de fantasia permear a duração, o que deixa a ideia central como coadjuvante. A mensagem de mudança ou aprendizado da protagonista tampouco é sentida. A desculpa aqui parece ser a viagem para o país de nossos colonos. E se esta for a sua intenção sem sair do Brasil, opte por Meu Passado Me Condena 2 (2015) – um filme com mais graça e energia, também passado em Portugal, e igualmente com Pereira no elenco.




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