Crítica | American Horror Story: Roanoke – 6×01 (Season Premiere)

Crítica | American Horror Story: Roanoke – 6×01 (Season Premiere)

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Diferente das temporadas anteriores, Ryan Murphy decidiu manter o tema desta sexta em segredo até a sua estreia. Todo o material de divulgação trouxe os mais diversificados tons e temas possíveis, e o próprio presidente do canal FX havia alertado que apenas um teasers estava realmente relacionado com o que eles estavam desenvolvendo.

Muitos spoilers correram a internet, mas dois deles mostravam-se fortes; o primeiro girava em torno de um erro no guia de programação americano, no qual apontava que o sexto ano se chamaria American Horror Story: The Mist – e o fato de uma das promos ter recebido esse título só aumentou essa crença. O segundo, que se provou verdadeiro, veio através de fotos vazadas dos bastidores, que levavam a crer que o novo ano falaria sobre a colônia perdida de Roanoke.

A lenda da colônia é bastante conhecida, e o seu mistério perdura até os dias de hoje. Ninguém sabe o que aconteceu com os mais de 100 habitantes da colônia, que parecem ter desaparecido em pleno ar. Uma das poucas pistas deixadas para trás foi a palavra CROATOAN, gravada no tronco de uma árvore. A lenda, no entanto, já foi mencionada na franquia – lá na primeira temporada –, onde a personagem da atriz Sarah Paulson, a sensitiva Billie Dean Howard, discursou sobre os acontecimentos na colônia, apresentando um ângulo diferente e mais voltado para o sobrenatural. Segundo ela, depois de terem morrido misteriosamente, os habitantes ficaram presos ao lugar, matando todos aqueles que se atreveram a pisar na colônia fantasma. O pesadelo só teve fim depois de um ancião realizou um ritual, expulsando os espíritos dali para sempre.




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Acredito que essa sexta temporada deva pegar o esqueleto dessa narração e desenvolvê-lo com mais detalhes, além de trazer algumas surpresas que nós não estamos esperando. Infelizmente, para mim, esse primeiro episódio não funcionou tão bem quanto deveria, sendo o pior início de temporada apresentado até agora. Foi diferente de tudo o que foi visto antes – e admiro a coragem e busca pela mudança –, mas este primeiro episódio foi fraco em quase todos os seus aspectos. A tentativa em deixar os espectadores confusos em relação ao tema foi baixa, especialmente depois de ter feito todo mundo esperar pela revelação. E, depois de todos aqueles teasers maravilhosos, é bem decepcionante nos depararmos com mais uma história focando em uma casa mal-assombrada. Espíritos já foram os protagonistas do primeiro ano, além de terem tido grande destaque no quinto. Queria ver a série seguindo por caminhos inexplorados, até porque o gênero oferece um leque ilimitado de possibilidades.

A montagem em forma de documentário também não funcionou para mim. Ainda que seja uma abordagem diferente, tira o fator surpresa da trama. Nenhum dos três personagens principais irão morrer porque eles aparecem narrando sua própria história. Como podemos temer pelas suas vidas? Como iremos nos importar ou ficarmos tensos com as situações agonizantes que eles passam quando temos certeza de que conseguirão escapar ilesos? Lily Rabe é maravilhosa e é sempre bom vê-la na tela, mas eles deveriam ter escolhido atores desconhecidos para interpretarem os personagens “reais”, o que daria mais credibilidade ao formato documentário – como no filme Contatos de 4º Grau, que investiu fundo em tentar enganar os seus espectadores sobre a veracidade dos acontecimentos na tela.

Preciso ressaltar, porém, que a fotografia do episódio está sensacional e a casa traz uma atmosfera perfeita para o tema proposto. No passado eu critiquei muito o excesso de tramas que o Ryan Murphy apresentava em suas temporadas, então não posso deixar de comentar sobre quão focado foi este primeiro episódio. Seguiu apenas três personagens principais, do começo ao fim, desenvolvendo o seu drama – apesar de eu não ter me importado com nenhum deles ainda. Foi uma narração limpa e séria, ainda que o seu ritmo tenha sofrido com as constantes entrevistas dos personagens “reais”. Vale ressaltar que é a primeira vez desde a segunda temporada que o tom da história apresenta um clima sério, apresentando e honrando o “horror” do título sem os alívios cômicos ou personagens icônicos cheios de falas divas (Coven, eu estou falando com você!).




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Aparentemente, ao contrário do que anda sendo reportado, My Roanoke Nightmare não é o subtítulo da temporada, mas sim o título do documentário que estamos acompanhando na série. O sexto ano será American Horror Story: Roanoke – pelo menos de acordo com o site oficial do FX e a página no Facebook. Por fim, preciso destacar um momento que chamou muito a minha atenção. Vocês também repararam nos totens de madeira da franquia A Bruxa de Blair? Eles estavam espalhados pela casa e também na floresta, no final do episódio. Será que essas figuras terão um significado maior e/ou a trama poderá apresentar mais elementos da icônica franquia que iniciou em 1999? Shelby perdida na floresta, desesperada e cercada por estes símbolos me pareceu uma grande homenagem ao filme – cuja a sequência, tão aguardada, curiosamente estreou neste fim de semana.

O teaser 10 aparentemente para o certo, ainda que fosse impossível descobrir qualquer coisa a partir dele. Apesar desse primeiro episódio não ter mostrado muita coisa, foi o suficiente para me deixar curioso pelo próximo. Espero ser surpreendido nas próximas semanas e que eles não estendam esse formato até o final da temporada, afinal de contas, estamos vendo American Horror Story, e não Paranormal Witness. Confira abaixo a promo legendada dos próximos episódios. Viram a Lady Gaga? Não? Vou ajudar vocês!

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