Crítica | Anna Karenina: A História de Vronsky – Produção russa baseada num clássico do país

Crítica | Anna Karenina: A História de Vronsky – Produção russa baseada num clássico do país

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Globo Filmes da Rússia

Não é só nossa querida Globo Filmes que realiza metamorfoses audiovisuais quando chega a hora (cada vez mais instantânea) de exibir suas produções cinematográficas nas telinhas – geralmente resultando nas famosas ou infames minisséries ao longo de uma semana. O que muitos sabem se tratar do filme “alongado”. Pois bem, esta obra russa, que adapta um dos maiores clássicos da literatura do país, segue pelo mesmo caminho.

Anna Karenina: A História de Vronsky mescla-se entre esta produção para o cinema, dirigida por Karen Shakhnazarov (calma antes de comemorarmos uma mulher na direção, pois trata-se de um homem) – com roteiro do próprio – e uma minissérie em oito episódios, exibida pelo canal de TV Russia-1. Aqui ao menos imaginamos a significativa encorpada que a obra deve ter recebido para durar 8 episódios, tirados de um filme com 1h40 de duração.

A criatividade aqui vem no roteiro, que narra a história em duas linhas temporais diferentes. O filme começa e é contado na forma de flashback, nos levando para a história mais conhecida da famosa socialite russa, que se atreveu a trair o marido numa época em que o fato era verdadeiramente visto com maus olhos, na década de 1900. Imaginem o escândalo social. Esta trama, é claro, faz parte da essência do que é Anna Karenina, personagem-título da obra do autor Leo Tolstoy, de 1877, cujo discurso de liberdade feminina, solta das amarras do casamento e das convenções sociais da época, estava muito à frente de seu tempo. Como podemos perceber.




Este tema já foi alvo de diversas adaptações cinematográficas ao longo das décadas, assim como produções televisivas igualmente. Uma das mais recentes e famosas é a dirigida pelo prestigiado Joe Wright (O Destino de uma Nação) e protagonizada por Keira Knightley, Jude Law e Aaron Taylor-Johnson, lançada em 2012 pela Paramount. Aqui, temos exatamente a mesma releitura do clássico, reproduzida sem a ousadia narrativa do cineasta britânico – que para o bem ou para o mal entregou inovação ao criar uma peça de teatro filmada, na qual os personagens entram e saem de cenários através de portas, somente para adentrarem um ambiente totalmente oposto e impossível – mesclando as formas de arte cênicas.

Shakhnazarov escolhe uma narrativa mais tradicional, apostando numa dramaticidade quase televisiva realmente, ou novelesca. Na qual o destaque fica para Vitaliy Kischchenko e seu retrato do humilhado, porém, justo, Karenin, o influente e rico marido da protagonista. Por falar nela, Elizaveta Boyarskaya dá forma para a sofredora personagem principal, e consegue transcender sua beleza numa performance correta.

Como dito acima, o grande acerto do longa é a fragmentação temporal, abordando um trecho da história do qual muitos podem não estar familiarizados. Aqui, o cineasta continua a saga desta família, jogando os personagens na guerra russa-japonesa, na qual durante o conflito, o Conde Vronsky (Max Matveev) – o amante – é ferido e precisa ser tratado por Sergey Karenin (Kirill Grebenshchikov), filho de Anna com o marido. O jovem médico guarda apenas ressentimento pelo homem responsável por destruir a reputação de sua mãe (já morta, tendo tirado a própria vida) e de sua família – ao menos esta é sua leitura. Aos poucos, os dois homens trocam confidências e passam a conhecer melhor esta mulher forte e exemplar; tudo em meio ao conflito.

Recentemente, escrevi sobre Colheita Amarga, obra com jeitão de clássico, passado na Ucrânia e que abordava um dos maiores horrores já presenciados pela humanidade. O resultado do filme, no entanto, ficava aquém de sua poderosa trama. O mesmo acontece com este Anna Karenina: A História de Vronsky, que mesmo se envolvendo no manto de um dos maiores ícones da literatura mundial (ou, para usar um termo milênio, um “hino”), e se tratar de uma produção russa (o que garante muitos puristas de não a acusarem de ser um “retalho norte-americano”), o resultado termina com gosto de obra televisiva. Justamente por isso, a vontade maior é por procurar a minissérie para um panorama geral do que verdadeiramente foi planejado.





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