Crítica | Ave, César!

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Os Coen e a Era de Ouro

Os irmãos Coen são verdadeiros cinéfilos apreciadores da sétima arte. Calhou de serem também dois dos cineastas mais prestigiados de tal universo. Seus filmes costumam ser grandes homenagens, transitando por variadas formas e conteúdos de gêneros da sétima arte. Fora isso, o cinema em si, a arte de fazer cinema, já constou como tema anterior em seus filmes, como foi o caso com Barton Fink – Delírios de Hollywood (1991). Mas se antes o foco era no segundo plano (tratava da paranoia e percalços de um roteirista), em seu novo projeto os Coen glamourizam geral, colocando os holofotes na melhor época para o cinema mundial.

Conhecida como era de ouro de Hollywood, a trama do novo trabalho dos Coen se passa na década de 1950, quando os grandes estúdios lucravam com seus astros e produziam como fábricas. Filmes eram entretenimento adulto e contavam com grandes histórias humanas, personagens interessantes e grandes atuações como chamarizes. Tal época talvez não volte mais. Quer dizer, só quando trazidas em produções como Ave, César!

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Parte ficção e parte realidade, o novo filme dos Coen mistura, por exemplo, o protagonista Eddie Mannix (papel de Josh Brolin), conhecido “ajeitador” de grandes estúdios, que circulava em suas funções na época. O trabalho do sujeito é basicamente resolver situações escandalosas, varrendo tudo para debaixo dos panos. O que consiste em esconder casos amorosos, bebedeiras, gravidez e outros tipos de polêmicas envolvendo os astros do Capitol Pictures, grande estúdio fictício, no qual a trama do filme gira em torno.

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Em meio a diversas crises, como a gravidez da estrela DeeAnna Moran (Scarlett Johansson), baseada em Esther Williams, que precisa ser escondida, e o sumiço do astro de épicos Baird Whitlock (George Clooney), o protagonista de Brolin ainda precisa se desdobrar para ser marido e pai. O sujeito também avalia a proposta de uma empresa aérea, visto como um emprego de verdade, com um salário superior, longe de criaturas estranhas como atores, fincado no mundo real e não num faz de contas. A mensagem aqui é claramente sobre a distinção de dois universos e o quanto trabalhos com entretenimento podem não ser levados a sério. Dificuldade que os Coen, com certeza, devem ter passado em seu início de carreira.

Mas Mannix é um apaixonado pelo que faz. Ver o estúdio produzindo a todo vapor, com seu cronograma funcionando de forma cronometrada é sua inspiração e o que sabe fazer de melhor. Um dos grandes chamarizes de Ave, César! é o seu elenco, um dos mais fortes do ano. Aqui temos Ralph Fiennes, Channing Tatum, Tilda Swinton, Jonah Hill, além dos citados Brolin, Clooney e Johansson, todos contribuindo com a graça em cenas chave e de igual importância para a trama. Mas quem rouba mesmo a cena é o jovem Alden Ehrenreich e seu cowboy Hobie Doyle. Com um misto de inocência, ingenuidade e talvez não muito talento, vem dele os melhores momentos do longa. A cena na qual Fiennes o dirige é histérica de tão engraçada.




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Quem se destaca também é outra jovem, Veronica Osorio, que interpreta Carlotta Valdez (leia-se Carmem Miranda) e divide alguns dos momentos mais doces do filme – ao final ficamos querendo mais cenas com a dupla. De resto, a obra ainda envolve uma subtrama com comunistas, que talvez seja o ponto fraco e onde se desvia do tema “problemas em um estúdio”. Seja como for, Ave, César! tem o aval garantido e serve de mesmo deleite para os fãs de cinema como os filmes de super-heróis para o grande público.

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