Crítica | Black Mirror

Crítica | Black Mirror

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Gostar de conhecer séries novas pode ser uma pegadinha cruel, meus amigos. Eu tive que passar por cima de todo o meu bom senso e de TODA fraqueza do estômago para assistir todos os episódios de ‘Black Mirror‘, muito embora eles não tenha conexão entre si. Se você fica impressionado facilmente, pule o primeiro já de cara #ficadica.

Talvez algumas pessoas acharão exagero, mas sensações são coisas pessoais. ‘Black Mirror‘ foi a série mais pesada que eu já vi, não no sentido de terror ou suspense ou coisas assim, mas pelo soco no estômago frequente que você leva ao ver o ‘dark side‘ da sociedade sendo explorado de modo tão aberto. É realmente a sensação de olhar num espelho e ver apenas o seu lado sombrio.

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A série em si tem apenas 6 episódios e um especial de natal – que é o episódio mais leve e mais fraco da série. O tempo de cada episódio é a base de uma série de drama, o especial é o mais longo que tem, mas eu particularmente não gosto dele. Depois que você acostuma com esperar o inesperado, sempre, achei ele bem diferente dos outros e até entendiante.

Cada uma das tramas de ‘Black Mirror‘ joga na nossa cara os perigos do rumo que a nossa sociedade já vem tomando, principalmente a sede por entretenimento de péssima qualidade e os malefícios do avanço da tecnologia.
Como as histórias são desligadas entre si, é bem complicado dar um panorama geral da série, então vou tentar falar um pouquinho de cada episódio sem dar nenhum tipo de spoiler, apenas para vocês entenderem melhor a complexidade da série.

The National Anthem

O episódio que mais judiou da minha cabeça e do meu estômago. Pelo título já dá pra gente imaginar que ele se passa em um cenário político. Eu, particularmente, acho esse episódio doentio, não imagino outro termo para descrever. Em torno de salvar uma dama em perigo, o primeiro ministro tem de se humilhar em rede nacional, diante dos olhos curiosos de toda uma nação que a cada instante alterna sobre se ele deve ou não fazer aquilo. Aviso: o “aquilo” que ele tem que fazer é nojento e deplorável. Novamente: pense bem em ver esse episódio.




15 Million Merits

Pra mim a melhor analogia que a série faz do nosso mundo real. A trama mostra como estamos nos fechando em cubículos, nos isolando uns dos outros e usando a nossa energia para tentar a liberdade de um cárcere que nós mesmos criamos. O trunfo é como isso é mostrado no episódio, quais os modos e as linguagens que eles usaram para demonstrar isso. Não é à toa que ele e um dos episódios mais bem avaliados da série.

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The Entire History of You

O derradeiro e melhor episódio da primeira temporada. Lembram daquela comunidade do Orkut que era tipo “se meus olhos tirassem fotos”? Imagina só se seus olhos pudessem filmar seu cotidiano, tudo que acontece. Ao invés de tirar fotografias da sua viagem, você poderia projetar o que seus olhos viram para que você e todos a seu redor pudessem assistir. E tecnologia vem completa! Você pode dar zoom, dar pausa, ver e rever, fazer leitura labial e tudo mais que puder imaginar. Se isso parece um sonho pra você, corre ver esse episódio incrível e tirar suas próprias conclusões.

Be Right Back

A segunda temporada vem com algo assustador, pois me faz lembrar uma vez que eu vi que o Facebook teria uma ferramenta para que as pessoas pudessem continuar postando na rede após mortas, com base nas postagens que elas fizeram em vida. A rede em si pegaria as suas publicações antigas e continuaria escrevendo por você. É isso que essa história trás, o desesperado avanço tecnológico tentando cobrir o luto e a tristeza das pessoas e, claro, dando um jeito de gerar lucro com isso. A trama mais nostálgica da série que deixa um nó na garganta.

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White Bear 

O MELHOR EPISÓDIO DA SÉRIE TODA e uma das histórias mais sensacionais que qualquer série do mundo já foi capaz de produzir. Eu fiquei atônita e sem fôlego no final do episódio, pois eu nunca – NUNCA – poderia esperar ver nada assim! Eu não vou falar NADA sobre White Bear, só recomendar que você corra agora para a Netflix e assista algo totalmente impressionante.

The Waldo Moment

Chegamos ao fim com um episódio regular. Ele tem o desafio de vir depois de White Bear e, por ser o último, acho que ele tinha de ser bem mais bombástico, mas ainda assim ele é bem interessante no quesito de mostrar como as pessoas são fascinadas por personagens e como as caricaturas e as figuras cômicas que vemos, especialmente na internet, vem ganhando uma relevância e tornando-se ícones de uma geração.

Na minha opinião, ‘Black Mirror‘ é uma das produções mais audaciosas no sentido de colocar o dedo na ferida sem a menor piedade, por mais que alguns futuros distópicos apresentados pareçam distantes demais, esses fatores são apenas um modo de mostrar as coisas que já vivemos e o ponto que elas podem (espero que não) chegar se a gente não começar a pisar no freio. As analogias são pesadas mesmo, exageradas mesmo e assustadoras mesmo!

A série aborda temas que eu gosto de um modo que não agradou meus olhos em muitos episódios, mas isso se dá pela vergonha que a gente fica da nossa própria espécie. ‘Black Mirror‘ é uma ótima pedida, até porque dá pra ser vista em um único dia de mais tédio.

Uma série que merece uma nota 9,5 com mérito!

 

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