Crítica | Brooklin

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A HISTÓRIA DE UMA IMIGRANTE CONTADA POR UM OLHAR DOCE

 

Muitos podem considerar Brooklin mediano e com jeitão de telefilme. Prefiro dizer que é um filme fofo!, que transforma uma história simples – e até mesmo batida – em uma narrativa de delicioso prosaísmo. O diretor John Crowley e o roteirista Nick Hornby (autor de Alta Fidelidade) usam a história de uma imigrante para fazer de Brooklin um sutil estudo de personagem, expondo as mudanças interiores sofridas por Eilis (Saoirse Ronan), que sai de sua cidadezinha no interior da Irlanda para tentar a vida em Nova York, nos anos 1950.

É uma história conhecida e narrada com tamanha simplicidade e sutileza, que muitos não vão notar as qualidades deste filme – mesmo adorando o filme, eu não havia percebido, logo de cara, suas tantas qualidades. Isto talvez explique a reclamação de um espectador na sala de projeção (“Puta Sessão da Tarde!”). Pessoalmente, prefiro dizer que ótima Sessão da Tarde!




Indo além da superfície, encontramos um filme que foge do convencional das histórias de migração. Nessas narrativas, vemos o imigrante comendo o pão sovado pelo tinhoso! Em Brooklin, o drama está na terra natal. O que vai aqui não é nenhum spoiler, está tudo no trailer. O roteiro divide os três atos da história segundo o local: começa com a vida de Eilis na Irlanda, segue para sua vida em Nova York e, no terceiro ato, mostra seu retorno para Irlanda. O diferencial do roteiro é contar uma história de sucesso de uma imigrante e os problemas enfrentados na volta para casa.

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No primeiro ato, vemos Eilis vivendo uma vida pacata, em uma cidade bucólica, com pessoas de hábitos cotidianos. Sua ida para Nova York a faz entrar em contato com um mundo de possibilidade. Para qualquer um que já tenha mudado de cidade facilmente irá se identificar com as situações. Ela inicia um relacionamento com o italiano Tony (Emory Cohen). À medida que a história avança, nos envolvemos nessa história de amor tão pura e sincera quanto o olhar apaixonado de Tony – fruto de um trabalho competente do ator Emory Cohen.

As muitas mudanças por que passa Eilis ganham outra dimensão no ato final do filme. Após seus primeiros anos morando nos EUA, ela é obrigada a retorna à cidade natal, por conta de problemas familiares. Ela terá que decidir se fica na Irlanda, ou se continua sua vida no novo mundo.




O que faz esse terceiro ato do filme tão interessante é o caminho percorrido até ele. Percebemos que nunca as decisões foram tomadas por iniciativa de Eilis. Da sua mudança para os EUA à troca de quarto na pensão, sempre há uma força externa para empurrar as suas ações. Mas, os anos em Nova York levam ao amadurecimento de Eilis, algo que só fica claro na sua volta à terra natal. É nela que percebemos o quanto a protagonista fora levada pelos fatos, conduzida por aquela corrente da vida que nos anestesia. Daí ser tão contagiante quando ela toma as rédeas da sua vida, durante um diálogo com sua antiga patroa; a pergunta que Eilis faz é uma síntese do seu amadurecimento e uma tradução dos dilemas que sempre temos que enfrentar.

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Todo esse enredo é costurado por refinada carpintaria. Os elementos que compõem o filme são orquestrados pelo diretor Crowley para transmitir o amadurecimento de Eilis. O desenho de produção concebe uma cidadezinha da Irlanda com residências de cômodos genéricos, em contraposição ao Brooklin colorido e vibrante, que enchem os olhos do espectador – notem as imagens do alto (plongée) do salão da loja na qual Eilis trabalha.

Nos filmes, o figurino costuma traduzir a personalidade dos personagens. Isto não tem nada de novo. Contudo, assim como um feijão com arroz bem feito é outro nível, em Brooklin, o figurino demarca, de forma inventiva, as mudanças de Eilis, além da forte presença cênica, facilitando a identificação da protagonista na multidão. Os jantares na pensão são uma oportunidade para notar o uso criativo do figurino para contar a história e demarcar os personagens.

A direção de Crowley também é inspirada para encontrar composições visuais que transmitam ao espectador os estados da alma de Eilis. O uso de rimas visuais é recorrente, mostrando ao público a postura da protagonista diante dos diferentes desafios pelos quais passa. As idas à praia são dos exemplos mais ostensivos dessas rimas visuais.

De todo esse artesanato de Brooklin, recebemos uma história inspiradora. Pessoalmente, saí da sessão leve, feliz por ter assistido uma bela história embalada como cuidado estético.

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