Crítica | Cabana do Inferno

Crítica | Cabana do Inferno

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Depois que a tentativa de recuperação da franquia deu errado – uma vez que ‘Cabana do Inferno: Paciente Zero‘ foi um fiasco total -, os produtores decidiram cancelar o quarto segmento da série. Originalmente trazendo o subtítulo ‘Outbreak‘, a sequência cancelada seria filmada junto com ‘Paciente Zero‘. Os produtores abandonaram essa ideia, e, depois da péssima recepção da última sequência, não demorou muito para abandonarem projeto em si. Apesar do subtítulo passar uma ideia de epidemia global – uma premissa que vem sendo incitada nos três desfechos da franquia -, a sinopse previamente liberada deixava claro que a história se passaria em uma ilha. Querem saber qual seria o desfecho? Depois de todos os esforços dos mocinhos, o filme fecharia com a ameaça de uma epidemia global que nunca se realizaria em tela.

A história desse remake é exatamente a mesma que o original, ou seja, um grupo de cinco amigos vão para o meio do nada passar o final de semana em uma cabana na floresta. Eles querem curtir e comemorar o fato de estarem formados, mas sua viagem logo se transformará em um verdadeiro pesadelo. Rondando pela área, há um vírus extremamente mortal que come a carne dos infectados. Logo, os jovens começarão a ser expostos, trazendo sérias consequências na forma com a qual lidam uns com os outros. Com a paranoia tomando conta do grupo, sem saber quem está infectado, os sobreviventes terão que fazer o possível para sobreviver. Em paralelo a isso, os moradores locais parecem saber mais sobre o assunto do que aparentam, e estão determinados para não deixar esse mal espalhar pelo mundo…

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Não tenho nada contra refilmagens, de fato acredito que há diversos filmes que poderiam render boas novas versões. ‘Cabana do Inferno‘, lançado em 2002, no entanto, não é um deles. Assisti novamente ao filme original ontem e posso dizer com confiança que ele não precisava de uma atualização. Apesar disso, menos de quinte anos depois, estamos de frente para o remake do filme. Para piorar a situação, os envolvidos acharam que seria uma excelente ideia usar o mesmo script do original. Sequer se deram ao trabalho de desenvolver algo com um mínimo de originalidade. Qual o ponto de refilmar exatamente a mesma coisa em um período tão curto de tempo? Um verdadeiro desperdício de dinheiro e tempo – que certamente poderiam ter sido dedicados em projetos mais promissores.

Acredito que o ponto mais positivo em torno dessa nova versão seja sua fotografia. As locações são muito mais bonitas visualmente que as do original. A cabana, o lago, a floresta; todos eles foram beneficiados nesta refilmagem, dando um aspecto mais sofisticado à produção. Os efeitos de maquiagem também estão relativamente melhores – ainda que os do filme de 2002 tenham sido bons o suficiente. A única coisa que este remake conseguiu foi aumentar a brutalidade de algumas cenas, principalmente a morte de uma certa personagem, que sofre bem mais nesta versão. Não se deixem enganar, as mortes seguem exatamente a mesma linha que as do original, mas o diretor apenas conseguiu acrescentar uns toques mais sofridos. O cachorro certamente também merece destaque, já que, ao contrário do original, neste filme ele se apresenta claramente afetado pelo vírus, tendo parte do seu corpo expostas em carne viva.

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Os elementos positivos desta versão param por aí. Todo o resto é uma cópia descarada do original. Mesmas cenas, mesmas situações e, choquem-se, os mesmos diálogos. O pior de tudo é que, apesar de interessante, o roteiro original não era perfeito. Ao invés de tentar pelo menos melhorá-lo, este remake apenas repete tudo cegamente. A introdução do humor na trama sempre me incomodou, e nesta versão é pior ainda. O “intruso” cheio de maconha era uma espécie de “piada interna” no original, uma vez que era uma participação especial do Eli Roth, diretor do filme, que sempre faz uma aparição especial em suas produções. Aqui, a introdução do personagem perde o seu propósito. De fato, diversas cenas perderam o sentido, e eu só consegui contextualizá-las depois de rever o original. Ou seja, ao invés de fortalecer o enredo, esta nova versão apenas o enfraquece.




Não vou gritar dramaticamente que este é o pior filme já feito, mas certamente é um dos mais inúteis. Sequer consegue fundamentar sua própria existência. Se a ideia era uma nova versão para uma nova geração, talvez eles devessem ter pensado duas vezes antes de usar o mesmo roteiro. Se pararmos para pensar, ao tentar introduzir a tecnologia atual no roteiro, a trama perde ainda mais o seu sentido. Eles não têm sinal para pedir ajuda, mas uma das personagens consegue magicamente postar fotos em suas redes sociais. Sem contar que algumas dessas fotos – presentes no desnecessário epílogo durante os créditos finais – a protagonista não poderia ter tirado (muito menos postado). Enfim, uma produção completamente injustificável. Só irá agradar aos que não assistiram ao original – algo que é extremamente recomendável que vocês assistam.

 

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