Crítica | Capitão América: Guerra Civil

Crítica | Capitão América: Guerra Civil

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Em 2008, a Marvel decidiu tomar as rédeas das suas próprias adaptações para os quadrinhos da marca e criou a Marvel Studios, com o intuito de iniciar uma franquia de filmes que acompanhassem o crescente sucesso do subgênero de filmes de super-heróis. Sem os direitos dos carros-chefes das HQs, ‘Homem-Aranha‘ e ‘X-Men‘, o estúdio investiu pesado na adaptação para o cinema de seu grupo de super-heróis, começando pelas histórias individuais de cada um dos integrantes da equipe.

Nem o executivo mais otimista imaginava o sucesso que ‘Homem de Ferro’ (2008) faria, reerguendo a carreira do ator Robert Downey Jr. e arrecadando incríveis US$ 585 milhões mundialmente.

Com o sucesso, o estúdio trabalhou em filmes individuais de seus personagens principais: ‘O Incrível Hulk’, Thor’ e ‘Capitão América – O Primeiro Vingador’, e preparou terreno para um dos mais ambiciosos projetos: ‘Os Vingadores’.

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Os Vingadores‘ marcou o ápice do estúdio nos cinemas, e o roteiro de Joss Whedon foi incrivelmente bem sucedido misturando ação, comédia e drama na proporção ideal. Após uma recepção morna da sequência, ‘Vingadores: Era de Ultron‘, a Marvel decidiu inovar e anunciou a adaptação de uma de suas HQs mais importantes: ‘Capitão América: Guerra Civil’.

Apesar da Marvel negar, ‘Guerra Civil’ serve exatamente como um ‘Os Vingadores 2.5’. Mais sério que os filmes anteriores dos Vingadores, a história mostra que os eventos de Nova York e Sokovia deixaram marcas profundas no psicológico dos heróis.

O filme encontra Steve Rogers liderando o recém-formado grupo dos Vingadores em seus esforços contínuos para proteger a humanidade. Mas após outro incidente envolvendo os Vingadores resultar em danos colaterais, aumenta a pressão política para instalar um sistema de responsabilização, comandado por uma agência do governo para supervisionar e dirigir a equipe. O novo status quo divide os Vingadores, resultando em duas frentes – uma liderada por Rogers e seu desejo de que os Vingadores se mantenham livres para defender a humanidade sem a interferência do governo, e a outra que segue a surpreendente decisão de Tony Stark de apoiar a responsabilização e supervisão do governo.

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Robert Downey Jr. continua sendo o principal protagonista desse universo, e rouba a cena em todos os momentos que toma a telona de assalto. Seu carisma é fundamental para o sucesso desses filmes, e ele vale cada centavo dos US$ 40 milhões que recebeu de cachê.

Neste filme, seu Tony Stark está mais frio e amargurado devido aos acontecimentos em sua vida – ficando muito mais contido nas piadinhas e ironias que fazem parte do espírito do personagem. Ele deixa de ser o alívio cômico e se torna a voz da razão, deixando as piadinhas para dois personagens: o Homem-Aranha e o Homem-Formiga, novas e poderosas adições.

Chegando no fim da festa e roubando toda a atenção para ele, Peter Parker é majestosamente interpretado por Tom Holland, na primeira personificação infantil do herói nos cinemas. Ainda criança e morando com uma jovem Tia May (Marisa Tomei), Peter é apresentado em uma cena hilária que prepara os fãs para a nova aventura do herói nos cinemas: ‘Spider-Man: Homecoming’ (que estreia em Julho de 2017).

Apesar de ter apenas 15 minutos em tela, suas sequências de ação e piadinhas irônicas vão deixar os fãs em êxtase. O novo uniforme é melhor que o das versões anteriores, apesar de parecer uma massinha de modelar no trailer. A Marvel deixou o melhor exclusivamente para ser mostrado nas telonas, e não no material de divulgação – mais um grande acerto.

Outro que fica pouco tempo em tela mas ganha grande destaque é Paul Rudd, que tem seu Homem-Formiga apresentado em uma cena pra lá de embaraçosa e divertida com o Capitão América. Impagável!

Chris Evans continua entregando uma ótima atuação como o Capitão América, mas perde um pouco de seu brilho quando divide a tela com o poderoso Downey Jr (é difícil atuar com essa força da natureza e conseguir se sobressair). A dupla demonstra uma ótima química em tela.

Scarlett Johansson continua a principal estrela feminina da Marvel, desta vez transformando a Viúva Negra em uma mediadora da turma. É legal ver todas as camadas dessa personagem, que evolui a cada filme.

Sebastian Stan finalmente entrega uma boa atuação como Bucky Barnes, desta vez mostrando os conflitos internos de seu personagem. Ele evoluiu bastante desde que apareceu no primeiro ‘Capitão América’.

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Paul Bettany e Elizabeth Olsen dividem o mesmo arco com seus personagens, o Visão e a Feiticeira Escarlate. É interessante a química entre os atores e a interação em tela, se tornando um dos pontos positivos do filme.

O principal destaque do elenco está em Chadwick Boseman, que brilha como T’Challa (o Pantera Negra). Seu personagem é o mais interessante e mais sério do filme, com uma importante narrativa que abre as portas para o filme solo do personagem. O ator abraçou o papel com unhas e dentes, um grande acerto do casting.

É incrível a habilidade de Christopher Markus e Stephen McFeely, roteiristas de ‘Capitão América 2: O Soldado Invernal‘, em encontrar espaço para cada um dos protagonistas do filme. Todos tem seu próprio arco narrativo, e todas as histórias encaixam perfeitamente na trama principal.

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Usando os primeiros dois atos do filme para explicar as consequências dos eventos anteriores na vida destes personagens, ‘Guerra Civil‘ pode ser visto como um suspense sombrio e um dos filmes mais sérios da Marvel até a data. O roteiro consegue dosar os conflitos dos personagens e entregar heróis humanos e falhos: O Capitão América e o Homem de Ferro são os protagonistas e antagonistas de suas próprias histórias, e ambos tem suas próprias motivações e interesses pessoais. Ambos estão certos e errados, tornando difícil para os fãs tomarem um partido nessa Guerra.

Esse embasamento transforma o filme em uma profunda reflexão sobre o que é certo e o que é errado, já que todas as histórias tem ao menos dois lados.

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Após toda a seriedade e drama das primeiras duas horas de projeção, o terceiro ato traz toda a diversão que é marca registrada da Marvel. O grande embate dos heróis é um deleite orgástico, que fará até o fã mais xiita pirar em alegria.

No ranking dos melhores filmes do estúdio, ‘Capitão América: Guerra Civil’ figura empatado com ‘Capitão América 2 – O Soldado Invernal’ e ‘Guardiões da Galáxia’, e ganha pontos por ser o maior e mais ambicioso filme da Marvel até a presente data.

Os irmãos Russo conseguem dirigir a produção brilhantemente e entregar um pouco mais de seriedade à trama, sem apelar para o excesso de piadinhas que marcou os dois primeiros ‘Os Vingadores’. O Universo Cinematográfico da Marvel está se expandindo e ficando cada vez mais sombrio, preparando o terreno para ‘Vingadores: Guerra Infinita’.

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Guerra Civil’ encontra espaço digno para contar a história de cada um de seus dez protagonistas de maneira convincente, e os faz interagir deliciosamente. É uma lição de como fazer um filme arrasa-quarteirões sério sem perder a diversão e a grandiosidade de contar uma história simples e eficiente.

Um suspense psicológico de primeira, repleto de cenas de ação e um roteiro impecável.

Assista a crítica:

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