Crítica | Chappie

Crítica | Chappie

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Chappie é o novo filme do cineasta Neill Blomkamp, um dos nomes atuais referência no cinema de ficção científica. O cineasta sul africano começou a carreira como técnico em efeitos visuais no final da década de 1990. Em 2004 dirigia seu primeiro curta-metragem. Mas foi em 2009 que realmente teve sua presença notada no mundo da sétima arte, quando entregou Distrito 9 (com o aval do prestigiado Peter Jackson, produtor da obra), uma das ficções científicas mais chamativas dos últimos vinte anos. Com forte teor social, Blomkamp (também o roteirista) criava uma invasão alienígena diferente, mais inclinada a apontar para a segregação racial em Joanesburgo.

A produção foi um enorme sucesso e colocou o nome de Blomkamp no mapa com quatro indicações ao Oscar – incluindo roteiro para o diretor e filme (no ano em que as portas foram abertas para dez filmes). O próximo projeto do cineasta era esperado com grande entusiasmo e ele viria somente em 2013. Elysium criou ansiedade e prenúncio para outra grande ficção científica recente. A ideia agora apostava na segregação de classes sociais: os ricos viviam isolados constando como 1% da população da Terra, enquanto o restante vivia no lixão que o planeta se transformou. Uma ideia promissora, que demonstra que sem um bom desenvolvimento não é possível manter uma boa premissa. Elysium desapontou mais do que emplacou, e o próprio Blomkamp andou se referindo negativamente à obra.

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Corta para dois anos depois, e o novo projeto do diretor aporta nos cinemas. Desta vez sem o hype do filme anterior – o que sempre é uma boa coisa, já que expectativa demais quase sempre leva à decepção. Mas o que realmente temos aqui? O que é Chappie e o que Blomkamp deseja dizer com ele? Ao contrário das duas primeiras obras do cineasta, seu novo filme parece não possuir o contexto político e social de costume, e ter apenas o entretenimento como ambição. E isso é uma coisa ruim? Não necessariamente. Apenas não é o esperado do diretor. Pode-se dizer também que Chappie é parte de uma trilogia, com todos os filmes centrados em uma Joanesburgo futurista.

Pegando emprestado de Robocop (1987), Um Robô em Curto Circuito (1986) e até Pinóquio (1940), Blomkamp cria Chappie, um filme sobre robôs policiais substituindo humanos e terceirizando a força policial da cidade. A OCP, quer dizer, a companhia que fornece tais produtos é chefiada por Sigourney Weaver – com quem o diretor trabalhará novamente em breve, no seu próximo projeto, um novo filme da franquia Alien. Em tal empresa dois engenheiros também lutam pelo controle criativo dos robôs. Dev Patel (Quem Quer Ser um Milionário?) e Hugh Jackman (o Wolverine) são os criadores de Robocop e ED 209, quer dizer, Chappie e MOOSE, respectivamente.

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O cientista interpretado por Patel está interessado, no entanto, em dar o passo além, criando um chip que trará inteligência para sua criação. Assim, o robô posteriormente chamado Chappie (abreviação para chapa ou chapinha, em inglês) é criado como uma criança humana, aprendendo coisas básicas, pensando e sentindo. O problema é que a criatura vai parar nas mãos de um grupo de criminosos, comandados pelo casal Ninja e Yolandi, que deseja usá-lo para saírem de uma enrascada financeira. Talvez o fato mais curioso e interessante da obra seja o uso dos bizarros Ninja e Yolandi, vocalistas da banda sul africana de rap-rave Die Antwoord, interpretando a si mesmos (ou uma versão mais hardcore de si mesmos). Eles são os verdadeiros protagonistas do filme e cuidam também da trilha sonora.




Essa estranheza traz certo equilíbrio a um filme que poderia ser muito mais comum e mundano. Um filme que poderia seguir de perto a cartilha de obras assim (e o faz) não fosse o casal dissonante, que parece pertencer a outro filme, ou quem sabe a outro mundo. Sharlto Copley, ator fetiche de Blomkamp também está no filme, por mais que muitos não o encontrem. Ele interpreta Chappie, a voz e a captura de movimento do ser artificial, que não chega a ser tão adorável quanto planejado. O filme não marca um golaço para o diretor e sua virtude realmente é não mirar alto dessa vez. Entretém enquanto estamos assistindo, sem nunca decolar ou desapontar de fato. Agora é esperar pelo novo Alien.

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