Crítica | Chatô – O Rei do Brasil

Crítica | Chatô – O Rei do Brasil

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Antes Tarde do que Nunca

Chatô – O Rei do Brasil provavelmente entrará para a história como uma das produções mais problemáticas de todos os tempos. Com atraso de inacreditáveis vinte anos, a obra dirigida pelo ator Guilherme Fontes, baseada no livro homônimo de Fernando Morais, finalmente está vendo a luz do dia. Houve uma época em que se acreditava que o projeto maldito nunca de fato seria lançado.

Deixando de lado toda a polêmica (a batalha nos tribunais, condenações, a briga do governo com o ator pelo ressarcimento de uma pequena fortuna), Chatô é um filme extremamente satisfatório, que surpreende pelo tom irônico e humorístico, do que muitos acreditavam que seria um drama biográfico.

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Fontes narra as desventuras megalômanas de Assis Chateaubriand (Marco Ricca), magnata da mídia brasileira – responsável entre outras coisas pela chegada da TV ao país (para transmitir seus programas) – transitando entre passado e presente, através de flashbacks. O domínio narrativo e de montagem de Fontes são de um veterano, nos levando de forma detalhada por uma jornada épica.

Não seria difícil adentrar a exibição com um alto nível de incredulidade em relação à obra. Mas ser surpreendido positivamente e ter que dar o braço a torcer nunca foi tão bom. Meio Cidadão Kane, meio O Lobo de Wall Street, Chatô é a versão tupiniquim do esbanjamento de caráter imoral, mas também do comprometimento empreendedor. O filme de Fontes não repreende ou enaltece Chatô, apenas romantiza seus relatos.

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De certa forma, publicidade negativa pode se transformar em positiva. A curiosidade de conferir o filme já era grande para a maioria dos cinéfilos. E com a chegada da notícia de que é de fato bom, o desejo somente aumenta. Chatô merece seus louros e uma boa campanha junto ao público.




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Fora a parte técnica, Marco Ricca dá show de atuação, incorporando com grande energia de interpretação. A vontade, os trejeitos, a voz adotada, tudo adiciona à formulação de um personagem deliciosamente caricato, porém, altamente crível. Seu Chatô é devasso, desonesto, manipulador e desleal. Segundo o mesmo, fez também mais pelo país do que grande parte dos regentes.

Os veteranos Paulo Betti e (a belíssima) Andrea Beltrão igualmente possuem destaque na trama, como o presidente Getúlio Vargas e a socialite Vivi Sampaio, respectivamente. Certas curiosidades, no entanto, não deixam de permear a obra. Como o fato dos saudosos José Lewgoy (falecido em 2003) e Walmor Chagas (falecido em 2013) estarem presentes como parte do elenco, e a excelente Leandra Leal (musa atual do cinema brasileiro) exibir seus 15 aninhos no filme. Vida longa a Chatô. Mas se não a tiver, que maneira de morrer!

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