Crítica | Cinquenta Tons de Cinza

Crítica | Cinquenta Tons de Cinza

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Não é muito difícil entender o fenômeno literário que se tornou ‘Cinquenta Tons de Cinza‘, escrito pela autora E. L. James (pseudônimo literário de Erika Mitchell).

A fórmula é clássica e arcaica, porém adaptada e modernizada para o mundo dos dias de hoje. A trama é focada em uma garota virgem sem muitas ambições, que conhece um homem rico e poderoso, que se apaixona por ela – em meio a tantas outras possibilidades melhores. Ela se vê em um mundo encantador, cheio de helicópteros e computadores Apple, carros importados e roupas chiques. A clássica história da Cinderela.

Mas o sucesso não veio dessa sinopse inicial, e sim a modernização: nos bastidores dessa relação aparentemente comum, existe um submundo sexual em que o homem rico gosta de ser um dominador sexual, transformando a jovem garota em uma vítima submissa de seus desejos masoquistas.




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Com essa subtrama moderna, ‘Cinquenta Tons‘ se converteu numa das maiores séries de livros campeãs de vendas de todos os tempos, com mais de 100 milhões de exemplares em 51 idiomas consumidos em todo o mundo.

Muito foi se falado na adaptação para os cinemas e a alta expectativa dos fãs. Em várias manifestações pela internet, os fãs pediam que o longa fosse estrelado por Matt Bomer (‘White Collar’) e Alexis Bledel (‘Gilmore Girls’), nos papeis de Christian Grey e Anastasia Steele. Não conseguiram, ainda bem.

A atriz e modelo Dakota Johnson, escolhida para viver Steele, consegue transpor de maneira brilhante a personagem do livro, tímida e abobada, que lembra a protagonista da saga ‘Crepúsculo‘ (em uma melhor atuação e uma personalidade aprofundada pelo roteiro).




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Mas quem rouba a cena é Jamie Dornan, o bilionário Christian Grey, que consegue preencher a tela com sua sensualidade. Mesmo não tendo a aparência física do livro, o ator conquista não só a protagonista, mas o público. Ele esbanja charme e carisma. A química da dupla principal é inegável.

O filme começa de maneira lenta, transformando um livro extremamente sexual em um romance hollywoodiano. E dá certo.

As cenas de sexo estão lá, mais brandas e menos detalhistas, mas maravilhosamente adaptadas para a telona de uma maneira em que se transformam em algo muito mais sensual do que vulgar, mesmo com todos os chicotes, algemas, couro e masoquismo. A transposição foi de bom tom (o que pode deixar alguns fãs mais afoitos pelas fortes cenas de sexo decepcionados).

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Dirigido de maneira singular por Sam Taylor-Johnson (‘O Garoto de Liverpool’), essa história de amor erótica faz com que o espectador adentre profundamente em mundo rico e misterioso que explora abertamente as complexidades da dinâmica homem-mulher e os limites até onde você se permitirá ir e ser levado, dentro da excentricidade do ser humano.

A trilha sonora é um show a parte, e chega ao seu auge em um momento cena-música perfeito ao som do novo remix de Crazy In Love, de Beyoncé.

Em seu segundo ato, ‘Cinquenta Tons de Cinza‘ se transforma em um soft pornô, que lembra muito uma versão gourmetizada de ‘Emanuelle‘, série de filmes eróticos soft core franceses baseados na personagem criada por Emmanuelle Arsan (que deixava muitos jovens acordados nas madrugadas de sexta-feira com a TV ligada no mudo, no SBT).

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Tendo em vista que este filme é apenas a primeira parte de uma trilogia, o final termina sem dar respostas importantes, e mesmo assim ‘Cinquenta Tons de Cinza‘ cumpre com toda a expectativa que se deu desde o início de sua produção.

Excitante, pervertido, devasso, imoral, deturpado e divertido. Um romance moderno. BEM moderno.

 

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