Crítica | Correndo Atrás de um Pai – Comédia já nasceu morta

Crítica | Correndo Atrás de um Pai – Comédia já nasceu morta

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Três é Bom, Dois é de Menos

Nos EUA, o mês de janeiro é conhecido como o espaço para “desova” de produções que ficaram encalhadas durante o ano anterior no acervo de seus respectivos estúdios, sem encontrar vaga no calendário para serem lançadas. Justamente por isso, os críticos norte-americanos já estão cansados de saber, e até mesmo fazem brincadeira com isso, que o mês de janeiro é a casa do ponto baixo das estreias do ano. Raros são os casos de bons lançamentos no primeiro mês do ano, dedicado também para os atrasados correrem atrás dos filmes de premiações que ainda não assistiram (no Brasil, janeiro, fevereiro e março é quando são lançados os filmes do Oscar por aqui).

Fora isso, outro item que não ajuda em nada o caso deste Correndo Atrás de um Pai é a falta de fé que a Warner teve nele – aqui distribuído pela Paris Filmes – adiando a comédia duas vezes nos EUA (o filme inicialmente seria lançado em 2016 e depois no início de 2017) e realizando refilmagens, provavelmente para mudar o tom do filme. Numa destas refilmagens, o veterano Christopher Walken substituiu o ator Bill Irwin (Interestelar), que havia gravado cenas como o Dr. Tinkler. Com tantos problemas e depois de conferir o resultado, fica difícil acreditar que o roteiro foi comprado poucas horas após seu pitch para os executivos do estúdio.

Não sabemos o quanto o filme foi mexido, mas só podemos avaliar o que vimos na tela, com o produto pronto. Meu palpite: o filme foi suavizado e recebeu uma roupagem mais família, mais comédia clean, acrescentando positividade e bons sentimentos. O que deixou tudo bem meloso, é verdade, e o humor tão inocente que por muito pouco não perde a graça por completo (muitos inclusive dirão que perdeu). Realmente, a nova edição resolveu apostar no seguro, no pouco ofensivo – mas ainda temos piadas sobre urinar em crianças e dormir com a própria irmã.




Vendido com o nome da comédia Se Beber, Não Case (2009) à frente do cartaz para lhe dar algum respaldo, os maiores elos entre as comédias na verdade são ator Ed Helms e o diretor de fotografia Lawrence Sher, que aqui garante seu debute no comando de uma obra. De resto temos o roteirista de A Última Ressaca do Ano (2016), e os produtores de filmes como Baywatch (2017) e do recente lançamento em vídeo Vizinhos Nada Secretos (2016) – o qual comentamos aqui. Ah sim, temos também a produção do icônico Ivan Reitman, que reinou na década de 1980 com filmes com Os Caça-Fantasmas (1984) e Irmãos Gêmeos (1988).

Bom, acho que deveria falar um pouco da história. Vamos lá. Ed Helms e Owen Wilson vivem irmãos gêmeos comparecendo ao casamento da mãe (Glenn Close) quando a trama começa. Enquanto o primeiro não está na melhor das notas com sua vida – seu trabalho é como proctologista, seu filho não se conecta com ele e o recente divórcio o deixou deprimido – o segundo é um bon vivant que tirou a sorte grande e virou milionário como garoto propaganda de uma marca. O jeito como levam suas vidas diz muito sobre suas personalidades. A guinada vem quando descobrem que seu pai não é quem sempre acharam. Logo, o filme se torna um road trip com os irmãos pulando de pai em pai, e se conectando no percurso.

Na jornada para descobrir seu progenitor, a dupla se depara com o ex-astro do futebol americano Terry Bradshaw, interpretando a si mesmo, um criminoso (papel de J.K. Simmons), um policial morto, e o veterinário vivido por Walken. E este é o mote para o filme – que alguém achou uma ideia incrível – dois irmãos caindo na estrada, buscando suas origens e passando de pai a cada cidade. Poderia funcionar? Sim. Funciona? Não.

Com as inúmeras mudanças o filme perde a identidade, e não decide se quer ser uma comédia imprópria – restando alguns (poucos) resquícios – ou uma comédia para toda a família. Mas o primordial é que não existe muita graça aqui, e o humor basicamente morre na praia. É uma pena, pois estes atores talentosos e os envolvidos por trás das câmeras mereciam mais. Do jeito que está, Correndo Atrás de um Pai não ofende muito nossa inteligência (do jeito que algumas produções lançadas na mesma época no ano passado fazem – sim, estou falando com você Beleza Oculta), no entanto, ficamos esperando pacientemente o momento  no qual o longa irá decolar, momento este que nunca chega. Imensamente esquecível e sem qualquer tempero, Correndo Atrás de um Pai marcará sua vida menos do que aquele jantar congelado que você comeu vendo TV num dia de semana sozinho.





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