Crítica | Creed: Nascido para Lutar

Crítica | Creed: Nascido para Lutar

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Um filme emocionante que traz de volta toda essência da franquia

Mesmo muito querida pelo público e conquistando prêmios importantes logo no início, a cinessérie do icônico Rocky Balboa tem lá seus altos e baixos. De todos os filmes lançados até aqui, apenas um está à altura do memorável Rocky: Um Lutador (1976), e é justamente Rocky Balboa (2006), obra que parecia ter encerrado a passagem do Garanhão Italiano nos cinemas. Mas eis que o jovem cineasta Ryan Coogler surge com uma ideia inusitada e não só faz a franquia ganhar fôlego, como também alcança níveis há tempos não notados nos anteriores.

Vindo do ótimo e pungente Fruitvale Station: A Última Parada (2013), também estrelado por Michael B. Jordan, Coogler parece seguir uma linha temática interessante e contestadora em sua carreira, discutindo valores em relação às figuras marginalizadas por parte da visão deturbada na sociedade moderna. E este Creed: Nascido para Lutar rapidamente mostra sua preocupação ao abordar na introdução temas como a relegação do menor em reformatórios e a falta de oportunidades sem que exista um sobrenome para servir de base. O que vai sendo mais bem explorado e analisado durante a exibição.

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Vemos aqui a história de Adonis Johnson (B. Jordan), o filho que o lendário lutador Apollo Creed teve fora do casamento, e que nunca conheceu o pai, já que este faleceu antes de seu nascimento. E é admirável como o corajoso texto também assinado por Coogler trata logo na plot de temas tão delicados como a traição gerando um fruto bastardo que foi abandonado. O tópico não é gritado aos quatro ventos, mas está lá sendo debatido.

Aliás, o roteiro segue uma estrutura aparentemente esquemática já vista em inúmeras obras do estilo, onde um jovem lutador (Adonis) é treinado por um mestre (Rocky) que de início se nega a função, mas com o tempo torna-se quase um pai do pupilo. E por assim o protagonista consegue superar as adversidades e vencer no final de algum modo. Mas felizmente o roteiro de Coogler vai além, pois como já citado, é rico por trazer variados pontos e abordá-los organicamente, como insere homenagens sutis a toda saga nesse meio tempo deixando o universo fílmico mais interessante. Assim como no meio do segundo ato é adicionada uma nova adversidade dentro da trama, criando uma alegoria que traz o Rocky lutando novamente. Se o novo Creed luta por glória e reconhecimento, Balboa batalha agora pela sobrevivência.

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Uma acertada escolha que traz peso dramático ao personagem de Sylvester Stallone, que não desperdiça a oportunidade e faz aqui uma interpretação memorável. Não é surpresa ele ter levado o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. Assim como Michael B. Jordan consegue passar a veracidade exigida para o seu Adonis, sempre muito conectado e lembrando em alguns andamentos os trejeitos de Carl Weathers. A fita também abre espaço para Tessa Thompson, onde faz uma figura que por sua vez enfrenta uma triste realidade que a cada dia parece mais próxima. O ponto fora da curva fica por conta do antagonista Pretty, vivido por Tony Bellew, concebido de maneira absolutamente caricatural, diferente do original, que acabou gerando esta nova obra, temos um dito vilão do qual não se cria mínima empatia.




Mas curiosamente um dos tópicos que mais chama atenção em Creed – Nascido para Lutar é o seu lado técnico. Ryan Coogler conduz o longa com muita competência e segurança, não tem medo de ousar e utilizar técnicas variadas, criando alegorias do esporte ao acompanhar com a câmera Adonis por trás, como se este fosse entrar num ringue. Nota-se que cada luta é despontada com um estilo distinto. A primeira delas é vista por uma câmera fixa fora do ringue onde enxergamos as cordas enquanto os lutadores estão se confrontando. Outra em particular é iniciada desde os preparatórios até o fim com um plano longo magnificado que deixará o público sem folego. Por fim temos um entrave bastante enérgico e repleto de planos detalhes que certamente causará a catarse pretendida pelo realizador.

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Este que, mesmo falando com diversas plateias, não perdeu sua essência autoral. E isto está evidente em algumas cenas mais prolixas ou menos convencionais, auxiliada pela maravilhosa fotografia de Maryse Alberti, que confere tons mais densos à atmosfera fílmica, mostrando a Filadélfia que víamos no conto original. A essência urbana é enxergada aqui novamente, as ruas parecem expor o sentimento local, mérito para o ótimo design de produção assinado pro Hannah Beachler. De modo que a trilha sonora de Ludwig Göransson é inovadora e vai aos poucos adicionando a melodia clássica criada por Bill Conti.

Temos então um recomeço extremamente importante para a franquia, certamente não será este o último filme que veremos de Rocky e companhia. Uma história que não só vai fazer os fãs vibrarem como se estivessem no ringue vendo a luta ao vivo, como também trará novos admiradores e apreciadores do bom cinema. E se as continuações forem realizadas com o cuidado e o desejo de renovação que os produtores tiveram aqui, que façam mais exemplares estrelados por Adonis.

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