Crítica | Doutor Estranho

Crítica | Doutor Estranho

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Com quatorze filmes em seu “currículo”, a Marvel Studios coleciona mais acertos do que erros em seu Universo Cinematográfico, salvo alguns “deslizes” (‘Homem de Ferro 2 e 3‘) que não mancham sua reputação. Com o sucesso de seus filmes e seus heróis mais conhecidos consolidados, o estúdio iniciou uma audaciosa nova fase para apresentar seus personagens não tão famosos – como o ‘Homem-Formiga‘, ‘Doutor Estranho‘ e ‘Pantera Negra‘.

Enquanto ‘Homem-Formiga‘ usou e abusou do humor e divertiu o público, ‘Doutor Estranho‘ busca um caminho mais sério para apresentar aos fãs o tão aguardado “plano astral”.

Para quem não sabe, plano astral é o segundo de outros sete níveis conhecidos de existência, do inferior ao superior, são: físico, astral, mental, Búdico, Átmico, Anupadaka e Adi. Esse é certamente um novo elemento introduzido pelo Universo da Marvel, mas nada de novo ou diferente para os quadrinhos, dado que o personagem sempre praticou a projeção Astral.




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Para a difícil tarefa de criar um visual frenético e psicodélico, o estúdio chamou o talentoso diretor Scott Derrickson (‘O Exorcismo de Emily Rose’ e ‘A Entidade’), que nos proporciona um show visual de imagens caleidoscópicas que transformam a projeção em uma jornada alucinante – que muitos comparam com uma viagem de ácido.

A história acompanha o mundialmente famoso – e arrogante – neurocirurgião Dr. Stephen Strange, cuja vida muda pra sempre após um terrível acidente de carro impedir que ele possa continuar utilizando as mãos. Quando a medicina tradicional fracassa, ele é foçado a procurar cura, e esperança, em um lugar improvável – um enclave misterioso conhecido como Kamar-Taj.

Ele rapidamente descobre que esse não é apenas um centro de cura, mas também a linha de frente de uma batalha contra forças ocultas do mal determinadas a destruir nossa realidade. Em pouco tempo Strange – armado com recém-adquiridos poderes mágicos – é forçado a escolher entre retornar à sua vida de riqueza e status ou deixar tudo para trás para defender o mundo como o feiticeiro mais poderoso que existe.




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Apesar do visual espetacular, o roteiro do filme segue a mesma fórmula da Marvel usada em filmes anteriores para apresentar seus heróis, e muitos enxergarão o Doutor Estranho como uma nova versão do Homem de Ferro, iconizado pelo ator Robert Downey Jr. A jornada e as personalidades dos dois heróis são similares, o que pode causar uma sensação de déjà-vu.

Deixando de lado a comparação com ‘Homem de Ferro‘, o roteiro escrito Jon Spaihts, Scott Derrickson e C. Robert Cargill é bem sucedido em nos apresentar os personagens e criar uma empatia e identificação com eles. A jornada do herói se mostra bem definida e aprofundada, criando um personagem com defeitos e acertos que o humanizam.

Apesar de ser um filme mais sério, as piadinhas registradas da Marvel Studios são notadas em algumas cenas – como a que um dos personagens com um nome único é comparado com cantoras pop.

Assim como a direção talentosa de Scott Derrickson, o elenco está afiadíssimo. O sempre fantástico Benedict Cumberbatch (‘O Jogo da Imitação’) está sensacional na pele do protagonista, entregando um dos heróis mais carismáticos de todo o Universo da Marvel.

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Quem rouba a cena e se destaca é a vencedora do Oscar Tilda Swinton (‘O Grande Hotel Budapeste’), uma das escolhas mais inusitadas e acertadas da história do cinema no papel da Anciã, que nos quadrinhos é idealizada na forma de uma figura masculina. Tilda está sensacional, entregando uma personagem bidimensional que guarda um certo suspense ao longo da produção.

Rachel McAdams (‘Meninas Malvadas’) aparece pouco como a médica Christine Palmer, mas deixa sua marca em todas as cenas em que aparece e tem uma química fantástica com Cumberbatch, conseguindo transmitir o carinho que ela sente pelo protagonista mesmo sem ter o “romance” aprofundado pelo roteiro. Ela também é a responsável pelas cenas mais divertidas que servem como alívio cômico nos momentos de maior tensão.

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Mads Mikkelsen (‘007 – Cassino Royale’) entrega um ótimo vilão, enquanto Chiwetel Ejiofor (‘Perdido em Marte’) não se destaca muito como o Barão Mordo.

A fotografia de Ben Davis entrega cenas alucinógenas e muito bem orquestradas, que deixam ‘A Origem‘ no chinelo. A evolução nos efeitos visuais também é visível nesse filme, dando profundidade às cenas psicodélicas e frenéticas do “Plano Astral”.

Doutor Estranho‘ é uma viagem frenética e prazerosa para um novo mundo, que conquista com seu elenco estelar e efeitos visuais mirabolantes, se tornando a melhor apresentação de um personagem desde o primeiro ‘Homem de Ferro‘, lançado em 2008. É um filme que merece ser visto em uma sala IMAX 3D, e vale cada centavo do ingresso mais caro.

Obs: O filme contém duas cenas pós-créditos. Não perca!

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