Crítica | Em Nome da Lei

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O Brasil que não deu certo

Ao contrário de países como os EUA, que produz sucessos semanais, o Brasil luta a cada ano por, ao menos, um filme que emplaque no gosto popular. Aquele filme que consiga romper a barreira, levando multidões para as salas de cinema. Os que conseguem realizar tal façanha geralmente são comédias (em sua maioria de gosto duvidoso), algumas com qualidades reais (vide Minha Mãe é uma Peça). As cinebiografias também se mostram eficientes, mas aqui estamos falando de algo do tipo Cidade de Deus (2002) ou Tropa de Elite (2008), que consiga elogios da crítica e contagie o público.

Acertar este público é dificílimo, mas o que não falta são tentativas. A mais nova delas recebe o título de Em Nome da Lei, e mistura alguns gêneros identificáveis na esperança justamente de se tornar o novo grande sucesso nacional. Trata-se também de uma biografia, desta vez não de uma figura popular do entretenimento brasileiro, mas sim uma figura política, tido como um “pilar da justiça”. Embora muitos não saibam, o juiz federal Vitor, interpretado por Mateus Solano, foi inspirado em Odilon de Oliveira, e esta é a retratação romanceada de sua vida. E só por isso, por abordar um assunto bastante urgente como tema de uma produção cinematográfica, Em Nome da Lei já conquista alguns pontos.

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O roteiro, criado pelo próprio diretor Sergio Rezende, acerta ao narrar uma história bem estruturada, direta e sem muito espaço para devaneios artísticos, afinal a proposta aqui é atingir o maior número de espectadores. Além disso, o roteirista ainda consegue espaço para mesclar gêneros, transitando facilmente entre suspense, ação, humor, tensão e drama – apesar deste último item ser o que mais deixa a desejar.

Na trama, o juiz Vitor (Mateus Solano) acaba de chegar e assumir seu novo cargo na fronteira do Brasil com o Paraguai. A tarefa aparentemente simples se mostrará a maior batalha de sua carreira, já que o local é controlado por um “poderoso chefão”, conhecido como Gomez (papel de Chico Díaz, ótimo em cena). No local, a corrupção toma conta e assim como na maior parte de nosso país, a lei é a do mais forte. Como último resquício de bondade, o juiz justiceiro consegue duas figuras importantes como aliados, a promotora Alice (Paolla Oliveira) e o agente federal Elton (Mauro Galvão). E assim estão formados “Os Intocáveis” da fronteira, declarando guerra ao Al Capone tupiniquim.

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Em Nome da Lei é uma produção eficiente, que dá seu recado sem muitos desvios ou floreios. A obra poderá ser acusada de pouco criativa e de soar como televisiva, adjetivos que não irei contestar. E se cito a eficiência do roteiro, devo citar também a deficiência dos diálogos (não todos), em especial os que dizem respeito ao relacionamento relâmpago do juiz e da promotora, um par romântico tão forçado e sem sentido quanto qualquer outro ruim da história. A relação do casal não funciona e a primeira investida do sujeito soa como o diálogo de um filme pornô de baixa qualidade.




Em sua maioria, no entanto, Em Nome da Lei atinge o esperado, confeccionando boas cenas, personagens interessantes (destaco dois rouba-cenas: Zezé, vivido por Gustavo Nader, e Pink, a espalhafatosa amante do chefão), e acertando em cheio os momentos de alívio cômico – timing é tudo. O diretor Sergio Rezende, veterano que iniciou a carreira na década de 1980 e sempre esteve envolvido com o cinema social – vide Zuzu Angel (2006) e Salve Geral (2009) – entrega mais um projeto interessante, que se não é o “filme nacional do ano”, se comporta como um candidato digno.

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