Crítica | Expresso do Amanhã

Crítica | Expresso do Amanhã

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Uma jornada heroica tanto na estratégia do roteiro, como no próprio lugar em que se desenrola estes acontecimentos. A cada novo vagão do trem, um novo desafio e novas escolhas a serem feitas. Nesse sentido, o filme se assemelha aquela sensação que temos quando assistimos uma situação complicada em um filme de aventura. A cada degrau dessa longa jornada, nos perguntamos mentalmente: “Como ele vai sair dessa situação?”. Pode parecer fácil, quando se lê em um texto, mas atingir esta sensação, genuinamente, é algo complexo.

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Expresso do Amanhã‘ atrai muito por conta desse aspecto, mas não só por isso. As situações complicadas amplificam este sentimento e, em alguns momentos, nos fazem duvidar se os personagens passarão ou não daquele desafio (o máximo de tensão que se pode colocar em um espectador). As sequências de ação são de tirar o fôlego, embora, em alguns momentos, se perca a noção espacial do que acontece e isso prejudique a tensão e o entendimento do que acontece. Os temas, contemporâneos, são tratados com grande sensibilidade, com uma fina ironia ou uma áspera, e óbvia ás vezes, exposição, que faz com que as mensagens cheguem com muito mais violência e vitalidade.




O trem é o ambiente em que se desenrola esta aventura. Snowpiercer, algo como “furador das neves” (não soa tão legal em português, eu sei) é uma locomotiva construída por uma espécie de cientista “filantropo” para abrigar uma população seleta. O mundo está numa espécie de era glacial, após um experimento que visava conter o aquecimento global ter falhado. Então este trem, que nunca para, percorre o mundo inteiro numa velocidade constante. Desse jeito, existem lugares que demarcam uma data comemorativa do ano. Após a locomotiva atravessar um local, sabe-se que é natal, por exemplo.

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As pessoas que habitam este trem são dividias por classes; fisicamente separadas por vagões. O sistema funciona numa espécie de monarquia, sendo o inventor da locomotiva, Wilford (Ed Harris), uma espécie de rei-ditador que manda e desmanda no lugar. Este inventor-rei-filantropo se baseia em um controle populacional que passa por cima de qualquer coisa, sendo capaz de fuzilar sumariamente uma multidão de pessoas, apenas para que o número de indivíduos no trem fique balanceado. Não por acaso, os reféns desta tirania são sempre os membros do mais populoso e negligenciado vagão. Ai se encontra o “herói”, Curtis Everett (Chris Evans), que lidera a revolta que é o evento principal do filme.

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A partir daí, os revoltosos (praticamente todos os que residem no vagão mais pobre) partem em uma jornada rumo ao último vagão, que é o local onde se instala o famigerado Wilford e onde se encontra os motores da locomotiva. Parece residir, no filme, uma possível metáfora da nossa sociedade contemporânea e de outras épocas, também. A revolução, encabeçada pelos mais desprivilegiados é alcançada por pessoas com os mais diferentes objetivos, mas que se juntam por um em comum. Eles quebram com a ordem vigente, que, no universo do filme, se manifesta até fisicamente, através de uma revolta armada, enfrentando diversos desafios físicos e psicológicos que incluem a descoberta de como o “sistema” funciona, conflitos sangrentos e até os olhares tortos de um grupo completamente alienado, que se diverte dançando em uma espécie de balada, colhendo flores e tricotando enquanto uma multidão de pessoas morre de fome. A boa e velha luta de classes.

A alienação de uma classe que se assemelha muito a burguesia é evidente. Este grupo aproveita a vida como se nada estivesse acontecendo do lado de fora ou do lado de dentro do trem, onde ás pessoas se amontoam em cubículos mal arejados e sujos. A grande jornada deste grupo, a parte “ação” do filme, se desenrola a partir desta revolução.

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As sequências de ação são filmadas com uma câmera desesperada que treme e corta sem parar, algumas vezes, em outras se utiliza os planos mais abertos e o ponto de vista, que favorecem a tensão e fazem com que entendamos o que acontece ali. Mas mesmo no seu momento mais sem noção, o diretor Bong Joon-ho (do excelente O Hospedeiro) mantém o mínimo de compreensão e clareza do que acontece ali. O que realmente merece destaque, no estilo, é a maneira de filmar a jornada do protagonista, Curtis Evertett.

O herói sempre é mostrado de maneira lateral, da esquerda para a direita, algo que sugere uma caminhada; um percurso. Uma decisão inteligente e sensível.

 

 

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