Crítica | Férias Frustradas

Crítica | Férias Frustradas

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Baby, I compare you to a kiss from a rose on the grey

Espécie de reinício, sequência e refilmagem para a série cômica iniciada em 1983. Protagonizada por Chevy Chase (um dos astros da época) e Beverly D´Angelo (que surpreende com sua beleza ao revisitarmos o original, agora clássico) na pele dos pais da família Griswold, um casal da classe média de Chicago, cujo sonho de férias perfeitas – em especial do patriarca Clark (Chase) – é uma viagem de carro até a Califórnia para o parque de diversões Walley World, sátira da Disney. Todos os imprevistos imagináveis e inimagináveis ocorrem durante o percurso da atrapalhada família até seu destino final.

Agora, a Warner, estúdio retentor dos direitos sobre a família Griswold, aposta em novas “Férias” para a geração atual, que sequer faz conhecimento da existência dos filmes anteriores. O fato é inclusive mencionado na forma de uma das melhores gags do filme, na qual os personagens brincam, através de algumas linhas de diálogos, sobre onde se encaixa ou como se comporta este novo filme em relação aos anteriores. É o tipo de humor metalinguístico que nem todos serão capazes de pegar, mas que não deixa de ser esperto.

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Dessa vez, é Rusty, o filho da família original, quem assume as rédeas das novas “Férias”. Ao lado de sua família, a mulher (Christina Applegate) e os dois filhos (Skyler Gisondo e Steele Stebbins), Rusty, agora interpretado por Ed Helms (o Stu dos filmes Se Beber, Não Case), decide recriar a icônica viagem de seus pais para dar novo sangue à relação com os familiares. O protagonista “filho de peixe” recebe contornos de personalidade que não ficam devendo nada ao patriarca Clark. Se formos ser detalhistas, vale lembrar que Rusty sempre foi mais esperto na juventude, e não tão abobalhado como o pai.

A persona de Helms casa perfeitamente com a ideia do homem comum, ingênuo, que nada contra a maré para não ser um completo perdedor. As referências aqui são inúmeras e para os familiarizados com o clássico o filme ganhará novo sabor. Desde o carro estranho escolhido como condução para a viagem (que rende algumas das melhores piadas e uma surpresa no final) passando pela nova bonitona num carrão vermelho (e o desfecho de tal momento), até o nível de piadas incorretas contidas por minuto, Férias Frustradas (2015) é uma digna homenagem ao filme dos saudosos John Hughes e Harold Ramis.

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Apesar de tudo isso, Férias Frustradas (2015) não é um filme propriamente bom. Funciona em grande parte por seu apelo saudosista. Mas existe também muita coisa que não funciona (em especial a piada com os quatro policiais de distritos diferentes no ponto em que todos se entrecruzam) e piadas tão escatológicas, envolvendo vômito e excremento, que serão certas de afastarem os que não tem estômago para humor abaixo da linha da cintura – ou apenas pessoas de bom gosto.




Mesmo que não tenha ido bem nos EUA, Férias Frustradas está longe de ser um desastre de trem. Existe certo nível de afeto e doçura por debaixo de tudo, e um discurso relativamente interessante sobre a importância e o propósito da família. Um dos pontos altos envolve a participação de Chris Hemsworth (o Thor), no papel do marido de Audrey (Leslie Mann), a irmã de Rusty. O arco dos irmãos James (Gisondo) e Kevin (Stebbins) Griswold também é legal e funciona. E a alegria de rever Chase e D´Angelo nas telonas, infelizmente, não será sentida por todos. Ah sim, a música “Kiss From a Rose”, de Seal, não te deixará por um bom tempo…

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