Crítica | Festa da Salsicha

Crítica | Festa da Salsicha

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O filme mais incorreto de 2016 (estávamos precisando)

Por favor, não levem as crianças para assistir Festa da Salsicha. Tudo bem que a animação aparenta ser bem bonitinha, mostrando alimentos com olhos, boca e mãos em luvinhas, deixando assim os pequeninos com enorme vontade de conhecer tais personagens. Se dependesse apenas da imagem contida nos pôsteres que promovem o longa ninguém suspeitaria de que se trata de um dos filmes mais incorretos não só deste ano, mas de anos recentes.

Tudo o que você precisa saber é que por trás do projeto estão as mentes obscenas de Seth Rogen, Evan Goldberg e sua patota, ou seja, os responsáveis por obras como Superbad – É Hoje! (2007), Segurando as Pontas (2008), É o Fim (2013) e A Entrevista (2014). A trupe de humoristas está no auge e em matéria de comédia nos EUA, dominam a cena. Embora não sejam à prova de falhas, já conquistaram território suficiente para emplacarem seus filmes sem grandes dificuldades e possuem no cinturão sucessos de bilheteria, como alguns dos citados.

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Se para mais nada, Festa da Salsicha tem grande mérito de ao menos poder existir. Algo assim nunca havia sido tentado antes, uma animação cômica, voltada ao grande público, bancada por um grande estúdio (a Sony), e que será exibida não no circuito de arte ou restrito, mas nas salas dos grandes multiplex dos shoppings. Ah, sim, esqueci de dizer que essa animação é incorreta, sacana, violenta, desbocada e possui mais sexo do que qualquer outro filme que você verá no circuitão. É sem dúvida uma aposta sem precedentes. Goste ou não desta turma, a iniciativa é admirável, e expande conceitos. Mas o sinal verde não foi dado do dia para a noite, muito pelo contrário, e Rogen e os responsáveis penaram durante cinco anos até tirar a ideia do papel – o medo dos executivos era compreensível, depois que vocês assistirem ao filme entenderão.

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Quando dou ênfase ao teor incorreto e explícito da obra não faço aqui uma propaganda ou venda enganosa. Sabia do tom da produção ao adentrar a exibição para a imprensa, mesmo assim nada poderia me preparar para o que de fato encontrei. Inúmeras vezes me peguei não acreditando no que estava assistindo ali na tela, no que faziam ou falavam esses alimentos de aparência tão inocente e engraçadinha. Bom, sempre defendo o inusitado, o diferente, o único, e aqui ganhamos definitivamente isso. Posso dizer sem medo de equívoco que nunca havia presenciado algo do tipo.

Festa da Salsicha conta a história de alimentos em um supermercado, cujo sonho é serem comprados por nós, os humanos, a quem consideram Deuses. No feriado de 4 de julho, muitos deles terão seus sonhos realizados, em especial um pacote de salsichas e outro de pães, afinal o dia da independência norte-americana é comemorado com o típico produto do país, o bom e velho hot dog. Logo de início, já podemos sentir qual será o tom da coisa, quando a salsicha Frank (Rogen) e o pão Brenda (Kristen Wiig) nos contam seu plano para a grande noite: a óbvia analogia de enfiar a salsicha no pão.




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O filme insere ainda em sua ironia um contexto religioso, já que os alimentos esperam ser levados ao paraíso pelos Deuses, quando na realidade serão devorados como toda comida. Um dos temas centrais abordados é “o que acontece quando se descobre que não existe um paraíso”. É a perda da fé. Além disso, a disputa milenar entre árabes e judeus também não poderia ficar de fora. É claro que tudo vem de forma descompromissada, pontuando nas entrelinhas e se tornando mais referências interessantes do que qualquer outra coisa.

A versão dublada teve o roteiro adaptado pela turma do Porta dos Fundos (que tratam de inserir uma propaganda pouco sutil de seu programa no filme) e suas vozes, resultando num trabalho eficiente. Fora isso, Festa da Salsicha não possui um conteúdo muito substancial. Mas também nem precisava. A força e verdadeira natureza do longa está em tudo o que diz respeito a sua censura alta. Os pudicos, os mais conversadores, grande parte do público feminino e, pode-se argumentar, os que possuem bom gosto, irão ficar constrangidos logo nos primeiros minutos. Rogen e sua turma não se acanham ao se excederem diversas vezes, passando dos limites e indo além do que todas as suas produções live action até hoje. É sério. Festa da Salsicha é pura bobeira, mas uma bobeira necessária nos tempos sensíveis ao extremo, fragilizado por extremistas do bom senso.

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