Crítica | Festa no Céu

Crítica | Festa no Céu

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Cultura mexicana vendida para as massas

O ano de 2014 está bem servido de animações. Além de produtos vindos de grandes estúdios, como Lego (Warner), Peabody & Sherman (Dreamworks), Rio 2 (Fox), Como Treinar o Seu Dragão 2 (Dreamworks) e Aviões 2 (Disney), temos neste segundo semestre produções de estúdios menores e mais interessantes. No início do mês, o estúdio Laika, especializado em stop-motion, lançou sua nova obra, Os Boxtrolls. Agora é a vez da animação produzida pelo prestigiado Guillermo del Toro (Círculo de Fogo).

O cineasta mexicano, forte representante de seu país em Hollywood, banca a ideia do diretor Jorge R. Guitierrez e leva ao grande público a cultura e folclore do México. Apresentado literalmente na forma de uma aula, na qual uma guia conta a história para crianças americanas, Festa no Céu usa como trama o popularizado triângulo amoroso entre seus protagonistas. Além disso, o filme tem como tema o dia dos mortos, e seus mundos do além vida (crença entranhada na cultura do país).

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Maria, Manolo e Joaquin são amigos de infância. Desde cedo os rapazes disputam o amor da menina. Na fase adulta, já uma jovem formosa, Maria (voz de Zoe Saldana no original) retorna para a cidade após completar seus estudos. Lá, ela encontra o pomposo Joaquin (voz de Channing Tatum no original) como o chefe da guarda cheio de coragem, medalhas e único capaz de liderar a resistência contra a iminente ameaça de um grande vilão. E também Manolo (voz de Diego Luna no original), um jovem com crise existencialista, já que deseja ser músico ao contrário da tradição da família de toureiros.

Temos também a parte sobrenatural da história, com a inclusão de figuras como La Muerte (voz de Kate del Castillo no original), soberana do reino dos “Lembrados”, e Xibalba (voz de Ron Pearlman no original), governante da terra dos “Esquecidos”. Trata-se do céu e purgatório respectivamente. Neste trecho, a obra remete ao elogiado filme de Tim Burton, A Noiva Cadáver (2005), na forma como trata o animado mundo dos mortos.



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As entidades, antigas amantes, fazem joguetes com as vidas dos protagonistas através de apostas. La Muerte garante que Manolo terminará com Maria, já o trapaceiro Xibalta deposita suas fichas em Joaquin, inclusive dando-lhe certa vantagem. Festa no Céu pulsa com energia. O filme é recheado de cores vibrantes e uma animação única. É difícil para quem assiste a muitos filmes ser surpreendido, principalmente no que diz respeito a animações, mas a obra entrega justamente isso, algo extra e com muita alegria.

A obra produzida por del Toro aposta no diferencial, entregando um design estranho e peculiar, seja de seus personagens como dos cenários e criação de cenas. Existe inclusive espaço para a criatividade musical, ao reproduzirem diversas canções de sucesso e atuais na forma de músicas latinas de mariachis, dentre as quais uma que se destaca é Creep do Radiohead. Qualquer filme mirado ao público mais novo que se dê a esse trabalho tem o meu voto de confiança.


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