Crítica | Fullmetal Alchemist: Adaptação da Netflix não tem vergonha de si mesma

Crítica | Fullmetal Alchemist: Adaptação da Netflix não tem vergonha de si mesma

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Definitivamente os japoneses entendem de seus próprios produtos, diferente das adaptações norte-americanas, que parecem sempre tentar “esconder” suas essências e entregar uma obra maioritariamente americanizada, como foi o infame Death Note. Neste caso, funciona ao contrário, a nova adaptação de um dos mais famosos produtos japoneses não tem medo nenhum em mostrar que é inspirado em um mangá.

Fullmetal Alchemist, novo filme adquirido pela Netflix, traz em sua trama o jovem Edward Elric (Ryosuke Yamada), que tem como objetivo principal encontrar a lendária Pedra Filosofal para trazer o corpo de seu irmão Al de volta, após um terrível acidente envolvendo transmutação na infância. E é basicamente isso que você precisa saber para compreender a trama caso não seja familiarizado com a história. O roteiro é raso, explicativo e, em grande parte do filme, óbvio demais.

Apesar da falta de profundidade, mesmo que algumas cenas tentem a qualquer custo nos fazer sentir emoção, raiva e surpresa, a fidelidade com o material original se destaca de forma extremamente positiva, seja em gestos dos atores, expressões e, até mesmo, nos figurinos e penteados, tudo aqui grita cultura japonesa e suas excentricidades.




E por falar nos atores, todos parecem, de certa forma, confortáveis com seus papeis exagerados propositalmente, afinal em anime é feito dessa forma, e devemos sempre lembrar que a atuação oriental é muito diferente da ocidental, mesmo que não entreguem cenas perfeitas. Destaque para o protagonista Ryosuke Yamada, que se doa o máximo que o roteiro permite.

O principal ponto negativo fica por conta de sua longa duração (135 minutos), que apresenta uma perda significativa de ritmo no segundo ato, evidenciando ainda mais a falta que faz bons diálogos, porém, o terceiro ato retoma com força a ação inicial e termina de forma digna o que se estava sendo construído, deixando até mesmo um gancho para uma possível continuação.

E, se tinha algo que poderia dar muito errado, definitivamente seria a computação gráfica. Não foi o caso, os efeitos especiais são até satisfatórios dentro do contexto, principalmente na construção de Al, que necessitava de efeitos digitais para ter um visual fiel, mas tendo em vista que a produção é da Warner Bros., era de se esperar um pouco mais de cuidado. Os erros aparecem bem mais em uma tela pequena do que em um telão de cinema, esse fato sempre parece ser esquecido pelas produções compradas pela Netflix.

Já os vilões, são genéricos e caricatas, não assustam e tem seus objetivos bem explícitos, não são nada mais do que distrações, mesmo que uma certa personagem no final tenha algo de suma importância para a história, suas aparições são quase todas construídas da mesma forma.

Fullmetal Alchemist vai agradar os fãs de animes e pode entreter o público que busca um filme despretensioso. É necessário comprar a trama, pois seus momentos fan service podem distanciar e descontentar o público que não está acostumado com esse tipo de narrativa em filmes.

Com boas cenas de ação, o filme acerta mesmo em não querer ser mais do que ele pode ser. Sem vergonha, foca em apresentar uma boa adaptação, com seus defeitos, mas em geral é agradável e fiel, sem pensamentos aprofundados ou cenas memoráveis feitas pelo diretor Fumihiko Sori, apenas aquele bom e velho entretenimento barato.

 



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