Crítica | ‘Game Of Thrones’ – 6ª Temporada (7º Episódio)

Crítica | ‘Game Of Thrones’ – 6ª Temporada (7º Episódio)

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GAME OF THRONES É SOBRE POLÍTICA. E TAMBÉM SOBRE PESSOAS…

 

Estamos tão acostumados aos momentos épicos, de grandes batalhas e dragões voando, que qualquer episódio de Game Of Thrones – GoT com menos disso pode ser confundido com encheção de linguiça. Mas, há uma diferença essencial entre embromação e um episódio com um compasso mais lento – e olha, lentidão não é adjetivo aplicável ao caso.

Este 7º episódio resgata algo essencial da série: GoT não é apenas sobre dragões, caminhantes brancos, um inverno que nunca chega, violência e sexo. A série é tudo isso, e também é sobre política e sobre guerra, e, sobre as consequências desses grandes eventos (como a guerra e o inverno) nas vidas dos indivíduos. E mais, como as ações individuais influem no todo. Também ficou claro no episódio como acontecimentos passados influenciaram o presente. Uma obviedade para qualquer série não procedural, que ficou evidente neste 7º episódio.




Em porto real, as ações de Margaery Tyrell (Natalie Dormer) deixaram claro aquilo que até o espectador desatendo sabia: ela estava fingindo sua conversão. No fundo, ela está fazendo uma jogada política. É interessante vermos como a dissimulação é uma arma poderosa. Fica a dúvida dos objetivos dela. Aposto em dois: além de se salvar das penas da Fé Militante, ele pode estar tentando usar o Alto Pardal (Jonathan Pryce) e seu séquito para acabar com Cersei (Lena Headey). Viajando um pouco mais: após matar Cersei, sua avó Olenna Tyrell (Diana Rigg) enviaria tropas para acabar com a Fé Militante. Mas, divago. Há quem aposte que Cersei irá tocar fogo verde em Porto Real. Vamos aguardar.

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Mas, a dissimulação como arma política foi um detalhe. A essência do que falei no começo desta resenha está distribuída em outros três núcleos.

Quando observamos tanto as negociações de Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) para reaver Correrrio, quanto as de Jon Snow (Kit Harington) para formar seu exército, percebemos o quanto a história é formada por ações individuais. Os livros de história do colégio costumam focar nos acontecimentos ou nos atos dos grupos. Se por um lado é positivo porque abandonou a inocente perspectiva de que a história é feita de alguns grandes homens, de outro lado, podemos perder a noção de que os grandes eventos são feitos por pessoas de carne osso, pouco importa o tamanho que elas tiveram. Em uma série como GoT, de forma lúdica e pop, podemos perceber como atos individuais influenciam a história e a política.




Quando Jaime chega em Correrrio, vemos um soldado ameaçando matar Edmure Tully (Tobias Menzies) para convencer Brynden Tully (Clive Russell), o Peixe Negro, a deixar Correrrio. O soldado não mata Edmure, no que Jaime observa que, feita a ameaça, ela deve ser cumprida, regra de ouro da chantagem. E a conversa entre Jaime e o Brynden é não só uma lição de política como uma demonstração do quanto uma guerra também pode ser tediosa. O passado se faz presente logo no começo, quando Brynden questiona se o Regicida cumpriu sua promessa de encontrar Sansa e Arya.  Na linha do que falamos acima, de como personalidades individuais pesam no curso da história, notem como a experiência de Jaime com guerras é perceptível em uma tomada aérea de Correrrio, já com o cerco bem mais organizado.

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Mas, o núcleo que ilustra com mais evidência o que estamos falando é o de Jon Snow. Ações do passado influenciaram tanto para ele conquistar o apoio dos Selvagens, quanto para a negativa da Casa Glover – estes se recusaram a ajudar os Stark, por conta dos erros de Robb Stark (Richard Madden). Nenhuma cena, porém, foi mais perfeita do que a da Ilha dos Ursos. Por qualquer perspectiva, foi a cena mais impecável do episódio, quiçá da temporada.

Jon Snow, Sansa (Sophie Turner) e Davos Seaworth (Liam Cunningham) vão negociar com Lyanna Mormont (Bella Ramsey), líder da Casa Mormont. Só o fato de Lyanna ser uma criança, já impacta. O roteiro consegue, ao mesmo tempo, expor o jogo político, rememora eventos passados que influenciam o presente, como inclinações pessoas pesam em decisões políticas, tudo isso, ao mesmo tempo em que, mostrando a maturidade de Jon, Sansa e Davos para a política, traça a personalidade de Lyanna. Ufa!

Sansa tenta uma abordagem fofa!, evocando a beleza da mãe de Lyanna, no que ela responde não ser bela, mas guerreira, calando Sansa. Jon ainda tenta evocar o tio da menina, mas logo apela para uma abordagem pragmática; seu excesso de objetividade e o apelo ao juramento dos Mormont de lutarem junto dos Stark não tem sucesso. Lyanna responde que não existe mais Casa Stark, o que dissolveria o juramento. Ela ainda questiona o porquê deveria colocar em perigo seu povo. Quem salva tudo é Sir Davos.

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Davos busca primeiro uma identificação com Lyanna, pontuando, com outras palavras, que os dois eram almas miseráveis devastadas pela guerra, que fez com que assumissem responsabilidades que não desejavam. Davos arremata falando do Rei da Noite, apelando, assim, para o senso de responsabilidade de Lyanna.

Sansa inexperiente e sem noção do mundo político. Jon entende do mundo político, mas não tem vivência. Davos tem as costas calejadas pela vida. E Lyanna… bem, a cada resposta sua personalidade era definida. Até a recusa em receber um conselho faz com que ela apareça, aos olhos do público, como um estadista.

Essa riqueza de GoT nos lembra que a política e a guerra são feitas por homens e mulheres que tomam suas decisões banhadas por paixões e afetos, por raiva ou impulso, até por movimentos bem pensados, algumas vezes. De forma lúdica, GoT nos lembra dessa dimensão humana da história.

Mas, como nos recorda os livros de história do colégio, além de homens, existem os grandes eventos. E GoT nos diz, esses grandes eventos, formados por aquelas decisões individuais poucos vezes racional e muitas vezes estupidamente pensada, afetam a vida das pessoas comuns. Estou falando a comunidade religiosa na qual encontramos Sandor Clegane, o Cão (Rory McCann).

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Raras vezes em GoT um episódio começou com prólogo. E como ele foi bonito. Poucas vezes vimos uma imagem tão idílica de Westeros, até dava para esquecer a guerra. Reencontramos o Cão trabalhando nessa comunidade, cujo líder lhe salvou. Teve até um discurso pacifista bem pertinente. Porém, a calma acabou com a chegada de três cavaleiros da Irmandade Sem Bandeiras, grupo formado por soldados desertores e derrotados da Guerra dos Tronos. O episódio acaba com Sandor encontrando toda a comunidade morta pela Irmandade. É a guerra infectando tudo, mesmo aqueles que se recusam a lutar.

De longe, um dos episódios mais ricos desta temporada. E, para quem não curte esse lado de GoT, deixo aqui duas especulações da web: com a Irmandade Sem Bandeiras, aumentam as chances de vermos Catelyn (Michelle Fairley) como Lady Stoneheart; Arya (Maisie Williams) não foi esfaqueada, aquela era alguém com o seu rosto.

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E, aí, o que achou do episódio? Curte esse lado mais político de GoT? Está torcendo para que Lady Stoneheart apareça? Gostou de ver que Bronn continua com a língua afiada? Acha que a esfaqueada não era a Arya ou aposta que ela tem um plano de saúde com rede hospitalar conveniada em Braavos? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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