Crítica | Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Crítica | Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

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Cinema Catástrofe em toda a sua Glória

Os filmes catástrofe se tornaram um subgênero popularizado na década de 1970, com destaque para produções como Aeroporto (1970), O Destino do Poseidon (1972), Terremoto (1974) e Inferno na Torre (1974). A estrutura era a mesma, rechear a obra de nomes muito reconhecíveis circundando, bem, como o nome diz, uma catástrofe, fosse um grande terremoto, problemas infernais em um arranha-céu, num aeroporto ou num navio transatlântico.

Depois de um breve descanso, o subgênero ensaiou retorno no fim da década de 1990, quando em 1997 dois vulcões entraram em erupção em uma cidadezinha americana e em plena Los Angeles, respectivamente em O Inferno de Dante e Volcano – A Fúria; e em 1998, asteroides gigantescos entraram em rota de colisão com nosso planeta, em Impacto Profundo (não, não é nome de filme que vocês costumam pesquisar na internet) e Armageddon.

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Atualmente, o subgênero está em falta no mercado, dominado e saturado com filmes de super-heróis, sendo o principal requisito das massas que dominam os multiplex. Justamente por isso, uma alegria nostálgica cinéfila tomou conta deste que vos fala ao adentrar a sessão de Terremoto: A Falha de San Andreas (2015), que incluiu certa galhofa no todo, não se levando nada a sério e assim se tornando incrivelmente irresistível em seu esplendor megalomaníaco.

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Em uma dimensão mais próxima do que eram os filmes catástrofe originais, Horizonte Profundo chega finalmente aos cinemas brasileiros, depois de ser adiado repetidamente. A nova superprodução protagonizada pelo astro Mark Walhberg e dirigida pelo cineasta Peter Berg mantém vivo o espírito original do cinema catástrofe, dando um enfoque mais dramático ao desastre, mas não se libertando de rótulos como “espetáculo”. Esse é um blockbuster, mas um que fala de uma tragédia real e a trata com o respeito merecido.

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Na trama, Wahlberg vive Mike Williams, um dos técnicos da plataforma de petróleo Deepwater Horizon. Se você acompanha os noticiários mundiais deve se lembrar deste desastre, que é considerado o maior da história norte-americana envolvendo tal tipo de instalação.  Explosões, chamas, incêndios e mortes chocam desesperando os personagens, de forma realística na tradução de Berg e dos realizadores, nos envolvendo instantaneamente e nos fazendo seguir de perto os ocorridos. Na tradição de um bom filme do subgênero, nomes como Kurt Russell, Kate Hudson, John Malkovich, Gina Rodriguez e Dylan O´Brien se amontoam entre os sobreviventes e as vítimas.

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Além da parte técnica impecável, o roteiro de Matthew Sand e do eficiente Matthew Michael Carnahan (O Reino, Leões e Cordeiros, Intrigas de Estado), baseado no artigo de David Rohde e Stephanie Saul, cria bons momentos, salientando a tensão de cenas chave, entregando bons diálogos e desenvolvimento de personagens acima do esperado para produções deste tipo. A interação dos personagens, mais do que as cenas apoteóticas, é o verdadeiro cerne aqui, realizado de forma bem humana.

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O diretor Peter Berg, que deu uma bela escorregada com Battleship: A Batalha dos Mares (2012) – um dos piores filmes dos últimos anos – volta aos trilhos nesta produção de classe, se reinventando como cineasta de qualidade. Pode-se inclusive apontar as parcerias com Wahlberg como alguns dos pontos altos de sua carreira. Além de Horizonte Profundo, a dupla colaborou em O Grande Herói (2013), filme de guerra e sobrevivência, que questiona a idolatria bélica norte-americana. É possível até mesmo afirmar a existência de uma trilogia não declarada, tendo como ligação apenas o diretor, seu novo ator fetiche e os temas incendiários (seja a guerra, um desastre laboral ou um atentado terrorista). O terceiro elemento desta, até então, tríade é Dia de Heróis (Patriots Day), que fala sobre os atentados a bombas de Boston, cuja estreia ocorre em janeiro nos EUA e em fevereiro no Brasil. Que a dupla siga gerando bons rebentos.


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