Crítica | Jack Reacher: Sem Retorno

Crítica | Jack Reacher: Sem Retorno

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Daddy Reacher

Baseado no 18º livro da série Jack Reacher, criada pelo autor Lee Child, Sem Retorno traz novamente o astro Tom Cruise no papel protagonista, impulsionando o novo thriller recheado de adrenalina do personagem, ex-policial do exército norte-americano. Como você deve lembrar ou não Jack Reacher deu as caras pela primeira vez nas telonas em 2012, na adaptação de One Shot (no Brasil, O Último Tiro), o 9º livro na cronologia criada por Child, num total de 21 obras literárias.

É interessante ver Cruise, um dos maiores astros da história do cinema, que vem mantendo tal status desde a década de 1980, investindo em outra franquia além de Missão: Impossível. Baseado no que vimos no cinema, os livros de Lee Chid aparentam serem ricos e detalhados, contando com todos os elementos que compõem uma boa história de intriga, espionagem, ação e suspense. O problema está justamente na transposição de mídias, na qual algo acaba se perdendo na tradução.

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A sensação que tive ao assistir ambas as produções que levam o nome de Reacher como protagonista, foi a de uma grande promessa prenunciada, que poderiam sim render obras cinematográficas acima da média, mas que vão perdendo o gás conforme o desenrolar, até terminarem totalmente sem fôlego e nós, o público, sem interesse restante. Dessa vez, sai o cineasta Christopher McQuarrie (Missão: Impossível – Nação Secreta) e entra Edward Zwick (O Último Samurai), no comando do longa, ambos escolados no cinema de Cruise.

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Na trama de Sem Retorno, Reacher (Cruise) se corresponde através de cartas com uma colega de profissão – sim, ele é old school o suficiente para não saber o que é WhatsApp ou Messenger. Apesar de nunca terem se visto pessoalmente, os dois estendem cordialidade e afeição em suas escritas e depois em uma eventual ligação de telefone. Quando chega a hora, Reacher vai ao encontro da moça em sua base militar. No entanto, ao chegar no local, o protagonista descobre que a Major Turner, a mulher em questão, papel da carismática Cobie Smulders, foi detida, acusada de traição e espionagem.

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Nem é necessário dizer que o personagem durão decide agir por conta própria para provar a inocência da mulher por quem criou amizade, no percurso descobrindo tramoias dignas dos mais grandiosos e elaborados textos dentro do gênero. Outra peculiaridade das obras de Child – ao menos no cinema – é que são donas de tramas tão intrincadas, dando voltas mirabolantes até seu desfecho, que se torna um exercício redundante tentar acompanhar todas as reviravoltas, a menos que você seja um aficionado. O que é mostrado à primeira vista fascina mais do que a desconstrução em si.

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Pode ser dito que a força do segundo Jack Reacher está nos elementos humanos e nas interpretações. Se no primeiro filme, a vantagem era ter um elenco renomado, com atores como David Oyelowo, Rosamund Pike, Richard Jenkins e até o cineasta alemão Werner Herzog, no segundo o apelo está em trazer a história para um lado mais pessoal para o protagonista. Reacher está de volta em seu ambiente de trabalho, o exército serve como invólucro para a trama, apresentando melhor o misterioso protagonista ao público. Além disso, a história de Sem Retorno fica ainda mais pessoal com a suspeita de paternidade do ex-milico, com a adolescente Samantha (Danika Yarosh) sendo parte integral do roteiro.

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A estrutura se repete em sua forma, com um Reacher mais vulnerável em seu íntimo, mas tão imbatível quanto, quando o assunto é confronto homem a homem. A funcionalidade de personagens dentro da trama também é cronometricamente programada, fazendo de Child quase um Dan Brown. Um chamariz no novo Jack Reacher é presença de Smulders, mais conhecida como Robin da série Como Eu Conheci Sua Mãe, e a agente Maria Hill de Os Vingadores. Aqui, a atriz repete muito da persona de sua agente dos filmes da Marvel, mostrando ser páreo da inteligência, sagacidade e preparo de Cruise nas cenas de ação ou decisões astutas. A presença da personagem talvez tenha inclusive sido o motivo para a adaptação deste livro como continuação. Jack Reacher: Sem Retorno é burocrático, mas entretém minimamente para se manter como a ‘franquia menor’ de Tom Cruise na atualidade e preencher o tempo até o próximo Missão: Impossível. Esse sim, esperamos para ver.


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