Crítica | Jessica Jones – 1ª Temporada

Crítica | Jessica Jones – 1ª Temporada

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Marvel aposta na força feminina e acerta novamente

Mesmo com diversos títulos sendo lançados anualmente, tanto nas telonas quanto nas telinhas, a Marvel Studios não cansa de surpreender e se reinventar. A parceria com a Netflix originou a ótima série do Demolidor, sucesso absoluto de crítica e público, que por ter atributos artísticos genuínos acabou gerando duvidas em relação às produções futuras anunciadas pelos dois estúdios. Mas foi só começar a divulgação do material de marketing de Jessica Jones que os fãs ficaram novamente entusiasmados. Primeiro pela proposta sombria que cerca os chamados Defensores; depois pela introdução de novos personagens e expansão do submundo em Hell’s Kitchen. A aprovação final e geral veio com a liberação dos episódios na Netflix, nessa última sexta-feira (20).

Ambientada na mesma atmosfera suburbana de Matt Murdock e companhia, o show narra o cotidiano da poderosa investigadora Jessica Jones (Krysten Ritter), que atende os clientes em seu largado escritório (e residência) chamado de Alias Investigations – uma alusão à série de quadrinhos Alias, de Brian M. Bendis e Michael Gaydos, a principal fonte de inspiração aqui. Acompanhamos também através de flashbacks o passado negro da heroína e conhecemos o seu némesis, Kilgrave (David Tennant). Apesar do jeito grosseiro que exibe e das poucas palavras desaforadas, Jessica é rodeada de amigos, justamente por ser tão verdadeira.

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A amizade certamente é uma dos pontos temáticos investidos, estes que são numerosos e relevantes. A relação de Jones com sua irmã e subcelebridade Trish Walker (Rachael Taylor) marca o lado mais dramático do material e ao mesmo tempo serve como alivio cômico natural. A história de ambas possuem feridas ainda abertas que sangram com a chegada da mãe Dorothy Walker (Rebecca De Mornay), uma mulher que aparentemente visa o interesse e parece ter adotado a órfã Jessica apenas por capricho.

Encaradas com visões estereotipadas à primeira vista – a revoltada e a patricinha – as garotas vão aos poucos mostrando sua força e porque merecem o protagonismo. Donas de si e sem abrir brecha para que nenhum marmanjo interfira nas suas vidas, cada uma delas tem características distintas e são figuras fortes. A força da mulher, aliás, é um dos temas mais explorados em Jessica Jones. As alegorias sociais que surgem durante todo programa são muitas e nunca soam gratuitas. A trama está lá intacta e é envolvente, ainda que não tenha lá grandes reviravoltas ou exiba uma complexidade intrigante, mas há camadas palpáveis dos problemas enfrentados rotineiramente pela classe feminina. A advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) é um símbolo importante dessa luta no meio corporativo e judicial.

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Assim como os demais tópicos, o vilão da série também aparece como função temática, o machismo é o conceito analisado dessa vez. Kilgrave é imundo em sua concepção, ele pode controlar a mente das pessoas e faze-las realizar coisas terríveis, até mesmo matar alguém. Uma clara alegoria de forças maiores controlando as convenções sociais. O nível do sujeito é tão baixo que ele não ver problemas em controlar mulheres para fazer sexo. O dito estupro é de fato consumado, mas não na cabeça dele, não na cabeça do machista. Sua ânsia e desejo de controle vão ainda mais além, quando ameaça os familiares e amigos das vitimas para ter o que quer. Outra clara alegoria de casos passionais que acontecem diariamente. Um personagem que certamente marca a galeria dos vilões mais bem construídos da Marvel. Tennant não desperdiça a oportunidade e dá um show na sua versão do Homem Purpura.




As comparações com o seriado do Demolidor foram diversas, das mais positivas às mais negativas. É certo que ambas as produções se sobressaem em alguns pontos se confrontadas. O texto de Melissa Rosenberg é mais sólido e enxuto, não tem barrigas e detém diálogos mais diretos, além de trazer facetas temáticas pungentes. Por outro lado, a obra de Drew Goddard é visualmente mais charmosa e caprichada – mesmo que a de Rosenberg não faça feio nesse sentido. Mas cada plano parece ter função em Daredevil e a mística do herói é usada como alicerce, sendo esteticamente impecável na concepção de mise-en-scène. Por sinal, o clima soturno é evidenciado por isto. E no que se refere à ação, apesar de ter uma proposta um tanto dessemelhante, mas trazendo alguém que costuma resolver várias situações no braço, Jessica Jones fica devendo. A construção das tomadas, a coreografia das lutas e a produção dos cenários mostram-se deveras pasteurizados.

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O que em nada diminui a visão micro do texto ou macro da série, pois dificilmente este aspecto incomodará o público, que não terá problemas em fazer a maratona esperada pela Netflix. Além de rica em temas, a trama se mostra tensa e curiosa do início ao fim, mantendo um bom ritmo e levando o espectador para o próximo episódio. Krysten Ritter é uma das principais responsáveis por não deixar a peteca cair. Sua Jessica é intensa, forte literal e metaforicamente, não tem meias palavras e no fim das contas ainda consegue ser adorável e carismática pelo estilo arrojado e visão de mundo crua que tem. Bem como Rachael Taylor quebra barreiras e vai construindo uma personagem que cresce ao caminhar da trama. Mas quem rouba a cena entre os coadjuvantes é Mike Colter, que já deve ter deixado todos ansiosos querendo ver o material solo de seu elegante e implacável Luke Cage.

No final, a sensação que fica é exatamente de ansiedade, por ter que aguardar o segundo ano do Demolidor e as demais produções já planejadas. A chegada do Justiceiro no mundo dos Defensores deve abrir margem para novas ideias da tal parceria que até agora permanece irretocável. Tendo em vista que os títulos da empresa no cinema estão crescendo cada vez mais, sabendo também da considerável melhora de Agentes da S.H.I.E.L.D. e dos elogios de Agent Carter, nem tão cedo vão parar de falar da Marvel Studios produzindo audiovisual.

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