Crítica | Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

Crítica | Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

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Pão e Circo (Panem et Circenses, em Latim). Essa frase exemplificava a política com que os líderes romanos lidavam com a população em geral. Buscando manter a ordem, eles davam à população aquilo que os deixaria alienados: diversão e alimento.

O Império Romano conquistou a riqueza máxima e sua capital, Roma, se tornou o principal centro dos maiores acontecimentos políticos, sociais e culturais. Nos tempos de crise, as autoridades acalmavam o povo com a construção de enormes arenas, nas quais realizavam-se sangrentos espetáculos envolvendo gladiadores, animais ferozes e corridas de bigas. Era o Pão e Circo em sua forma mais bruta.

Isso é transposto para os dias de hoje de maneiras mais amenas: reality shows como Big Brother, No Limite, etc. E é sobre isso que se trata a trilogia de ficção científica de Suzanne Collins, ‘Jogos Vorazes‘. Ela retorna ao modo mais bruto e sangrento da política Pão e Circo, mesmo direcionando seus livros para os Jovens Adultos.




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Panem (ou Pão, em Latim) é o que restou dos Estados Unidos num futuro distante. A Capital, como é chamada a cidade principal, comanda os 12 distritos que a circundam. Devido a uma revolta levantada contra a Capital, agora todos os anos os distritos têm que pagar com um casal de jovens representantes de sua região. Eles são chamados de “tributos”, e devem lutar até a morte numa competição chamada de “Jogos Vorazes”.Para defender sua irmãzinha Primrose (Willow Shields), que foi escolhida como tributo pelo Distrito 12, a jovem Katniss (Jennifer Lawrence) se oferece para participar dos jogos. Junto a ela, o filho do padeiro, Peeta Mellark (Josh Hutcherson), é quem foi sorteado para representar o lado masculino.

Se nos dois primeiros filmes a personagem de Jennifer Lawrence trazia uma ar abobado e perdido por não saber como foi parar no meio de uma revolução eminente como principal combatente (abobada, mas ano luz melhor que a atuação de Kristen Stewart em ‘Crepúsculo‘), nessa terceira parte ela abraça a causa e parte para a luta, dando espaço para a atriz brilhar na construção de uma personagem concisa e guerreira. É incrível a evolução da personagem e da atriz nesse filme.

Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.




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A arena é deixada de lado nesse filme para que possamos conhecer os bastidores dessa revolução, dando mais espaço para um roteiro bem trabalhado e cheio de viradas na trama do que para a ação incessante. E este é o grande acerto do filme. Um blockbuster com um roteiro bem amarrado que traz em seu plano de fundo uma mensagem que serve para qualquer governo. Difícil não lembrar da nossa Democracia ao longo da produção e os problemas que enfrentamos com nosso governo corrupto. Infelizmente, a metáfora do enredo serve para nós, brasileiros.

O diretor Francis Lawrence (‘Água Para Elefantes’, ‘Eu Sou a Lenda’) faz um trabalho fantástico aqui, com enquadramentos abertos que aprofundam a relação dos personagens com o caótico mundo em que se encontram.

As novidades no elenco são o outro ponto alto da produção: Julianne Moore está fantastica em sua interpretação como a presidente Coin, deixando para trás sua caricata personificação da mãe de ‘Carrie – A Estranha‘, e o saudoso Philip Seymour Hoffman nos brinda de maneira gloriosa com sua última e sóbria atuação.O alívio cômico fica por conta da ótima Elizabeth Banks, que retorna como a irônica Effie Trinket, desta vez sem as perucas e maquiagem.

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Melhor que seus antecessores, ‘Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1‘ é um ótimo filme de transição (vale lembrar que ele não tem um começo, nem final definido). O drama de ação com toques políticos consegue dar dramaticidade para a história e aprofundar seus personagens, deixando a ação de lado (mesmo que existente e espetacular) para entregar algo maior: um blockbuster com crítica social. Palmas.

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