Crítica | Joy: O Nome do Sucesso

Crítica | Joy: O Nome do Sucesso

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Após uma cena de novela inspirada na linguagem cinematográfica do início do século XX, surge na tela a frase:

“Inspired by the true stories of daring women. One in particular.” (Inspirado em histórias verdadeiras de mulheres ousadas. Uma em particular).

Este é o começo para um filme com a autonomia do discurso feminino. Novamente ao lado de Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro – presentes em O Lado Bom da Vida (2012) e Trapaça (2013) – estrelam  uma comédia dramática pinçada da realidade.




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Joy: O nome do Sucesso conta ludicamente parte da trajetória de Joy Mangano por meio de uma narradora onipresente e póstuma, o que remete ao clássico Crepúsculos dos Deuses (1950), de Billy Wilder, e o mais recente Beleza Americana (1999), de Sam Mendes. Apesar da comparação, a história de Joy é apresentada de modo mais simples e menos envolvente que ambos.

Em uma breve narrativa, o enredo nos apresenta os personagens da vida de Joy e aponta os seus caminhos de perseverança e redenção em busca de um ideal. Desde a menina que cria seus próprios brinquedos – e deixa claro que não precisa de príncipe nesta história – até a mãe solteira à procura de uma vida melhor para os seus filhos, Joy representa a mulher valente.

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Os contos de fadas não têm espaço neste percurso. Aqui, a vida é dura e não permite que nenhum cavaleiro apareça para socorrer a moça indefesa. Jennifer Lawrence já comprovou algumas vezes ser uma grande intérprete – acredito que as suas melhores performances até então foram em Inverno da Alma (2010) e Trapaça (2013).

No longa, a atriz de 25 anos transita de uma jovem colegial até uma empresária aos 40 anos e suas nuances são bem comedidas, mas ela consegue segurar o filme em todas as etapas. Seu melhor parceiro em cena é o venezuelano Edgár Ramirez, como seu ex-marido, amigo e parceiro de negócios Tony.

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Em contrapartida, observamos um Robert De Niro opaco e contido como o pai da protagonista, ao lado da eterna musa Isabella Rossellini. Já para Bradley Cooper, sobrou um personagem tão curto que ele pouco causa no filme, mas se apresenta bem em seus raros minutos em cena.

Joy: O nome do sucesso possui o lado de autoafirmação feminina, um pouco semelhante ao filme Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (2000), os quais as mulheres não são apenas as parceiras e estimuladoras, mas a presença ativa na sociedade e na independência de suas vidas. O roteiro e a direção são muito bem trabalhados para dar mais dinâmica à narrativa e o tom cômico predomina com a família disfuncional, no entanto, o drama aos poucos se faz presente.

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Junto com David O. Russell, Annie Mumolo desenvolveu uma história focada em quatro gerações de mulheres. A partir da avó Mimi (Diane Ladd), que sempre incentivava a neta a correr atrás dos seus sonhos; a mãe (Virginia Madsen) amargurada com a vida e presa ao mundo televisivo de contos de fadas; Joy no limbo entre desejo e ação e, por fim, a sua pequena filha a quem ela dirige todas as suas angústias, medos e anseios.

A pequena Christie (Aundrea e Gia Gadsby) serve como um amparo na lembrança da jovem Joy e um motivador para continuar em frente, isto é, ensinar para filha a mulher que ela pode ser. Esta mensagem é bem forte no filme, tanto que o filho quase não aparece e a menina acompanha a mãe em quase todas as cenas.

Apesar de ser o século XX, Joy adentra um ambiente em que as mulheres são pouco valorizadas, seja nos espaços públicos ou nas posições de comando, dominadas durante tempos pelos homens. David O. Russell é muito bom em criar pontos chaves e pontes de desencadeamento para as suas histórias. Em Joy – O nome do sucesso, ele não faz diferente.

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Há uma cena muito forte e emocionante para a protagonista, quando ela chega a perder toda a esperança em si mesma e é obrigada a decretar falência, possivelmente esta sequência justifica a indicação de J. Law pela quarta vez ao Oscar. Logo depois, a personagem ressurge em um momento de redenção, ao chão, cortando as mechas do próprio cabelo e se preparando para próxima fase da sua vida.

Depois de uma bela construção de direção e atuação, os desenlaces seguintes são aguardados com paciência. A volta à infância para justificar o sucesso futuro é uma leve alusão ao renomado Cidadão Kane (1941) e o seu enigma rosebud. Enfim, prevalece a trajetória de uma família sob as perspectivas femininas, e a inventora do “esfregão mágico” se multiplica em dezenas de papeis ao encarnar um roteiro de homenagens, porém tépido.

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