Crítica | La La Land: Cantando Estações

Crítica | La La Land: Cantando Estações

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Cidade de Estrelas

A esta altura você já deve ter ouvido todos os elogios possíveis para La La Land: Cantando Estações, novo filme do menino prodígio Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição). Caso esteja por fora, o Globo de Ouro no último domingo tratou de colocar todos a par do fenômeno que é o musical, despontando rumo ao Oscar como favorito. Se prêmios não importam muito para você, mesmo assim saiba que o filme é bom neste nível e não se trata de um caso de superestimar.

La La Land é uma ode à Los Angeles, a cidade dos sonhos. Conhecida por guardar as esperanças de sucesso de todos os seus habitantes, ou a maioria, a glamourosa cidade californiana já foi alvo de diversas produções cinematográficas, sempre no radar quando o tema é a busca pelos sonhos de fama no meio artístico – seja na música ou cinema. Neste cenário, o cineasta Chazelle constrói sua história de amor, que funciona como grande insight ao mundo no qual os personagens habitam.

Assim como Birdman (2014), vencedor do Oscar de melhor filme em 2015, La La Land adentra de forma muito honesta, nos levando aos bastidores da maior indústria de celebridades do mundo. Enquanto o protagonista vivido por Michael Keaton queria mostrar legitimidade como ator, tendo atingido o sucesso e sido menosprezado artisticamente por suas escolhas, o personagem de Ryan Gosling em La La Land enfrenta um dilema similar, mantendo-se fiel artisticamente ao que o jazz significa para ele. Essa eterna discussão, do que é vendável, do que é legítimo artisticamente, do que é apreciado, se torna um dos temas pulsantes do roteiro.

     


Na trama, o trânsito de Los Angeles nos apresenta – junto ao primeiro número musical – os protagonistas desta jornada, que não se bicam à primeira vista. Ambos sonhadores. Mia (Emma Stone) é garçonete de uma loja de café dentro dos estúdios da Warner, que sonha em se tornar atriz. A jovem não vive só de sonhos e encara um teste de elenco atrás do outro, a maioria com resultado decepcionante. Do outro lado do espectro está Sebastian (Ryan Gosling), um amante fervoroso do jazz, com aspirações de um dia conseguir seu próprio bar. Depois de alguns esbarrões e tropeções, o caminho da dupla finalmente se entrelaça da melhor forma possível.

A história criada por Chazelle é simples, mas o roteiro é complexo – assim como em Whiplash. A estrutura de boy meets girl, ou rapaz conhece moça, é a adotada pelo cineasta, mas suas entrelinhas (e diálogos) são onde o filme ganha verdadeiramente vida. O frescor com que Chazelle conta esta história, utilizando-se do respaldo de todos os envolvidos, faz toda a diferença para o êxito de La La Land. A fantasia de conto de fadas, com pessoas apaixonadas flutuando no ar, desandando a cantar de amor ou sapateando em coreografias cronometradas, recebe o contraste da realidade nua e crua, equilibrando a doçura com doses iguais de amargor – o que finca esta bela história, tornando-a crível.

O empenho dos atores é louvável. Ryan Gosling entrega um desempenho físico admirável, o ator canta, dança e toca piano de forma impressionante. A química com sua coprotagonista, conquistada ao longo de outros dois filmes, é irretocável. Mas quem impressiona mesmo é Emma Stone. Menos falada do que seu colega de cena, a atriz prova mais uma vez o que cismamos em esquecer: que ela é uma das jovens estrelas mais talentosas em atividade hoje. Se Birdman abriu portas para seu reconhecimento, aqui é difícil não se render a Srta. Stone. É nas decepções da personagem que a atriz se abre verdadeiramente, e podemos ver o paralelo entre ficção e realidade, já que Stone também abandonou tudo e se mudou para Hollywood buscando o estrelato e provavelmente passou por situações semelhantes as de Mia.

Cada teste ruim que a personagem realiza, rende para nós, o público, uma performance intensa de Stone, muitas em close de rosto. O talento da atriz é posto em cheque diversas vezes pelo cineasta e ela corresponde. O carisma e otimismo exalam de seu desempenho, transpassando e criando um elo de identificação imediata.  A trajetória contada através das estações do ano, guarda os subtextos de questões importantes para Chazelle, abordados também em Whiplash, e que vem se tornando indispensáveis em suas obras. Uma das principais é a colisão da vida profissional e a vida pessoal, na qual faz questão de enfatizar que dificilmente podem caminhar juntas, se o objetivo é ser grande de verdade. Muitas vezes é preciso desligar o emocional. O mundo cínico que criou Chazelle e que agora ele recria não é cem por cento frio, no entanto, já que o arrependimento do que poderia ter sido são sempre suas conclusões.

Confeccionado com a maestria esperada de seu diretor, pronto para ganhar todos os prêmios que lhe possam oferecer, La La Land é uma celebração ao cinema, ao amor e à vida. Um deleite visual e auditivo, que deixa o coração mais alegre e o desejo de cantar e dançar.


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