Crítica | Lemonade

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A LIMONADA DE BEYONCÉ

 

Ontem, a HBO exibiu Lemonade, o álbum-visual de Beyoncé. Já tinha gostado do clipe de Formation. Lemonade só confirma a boa impressão. O conceito de um álbum-visual é a união de imagem e música em uma linha narrativa (ou uma quase narrativa); nele, a música cede sentidos para a imagem e vice-versa. Estruturalmente, Lemonade é dividido em espécies de capítulos, sempre identificadas com uma palavra. A cada um desses blocos, há versos da poeta britânica-somali Warsan Shire seguida de uma música.

Em um primeiro nível de leitura, especialmente na sua primeira metade, o álbum-visual de Beyoncé fala sobre as etapas do fim de um relacionamento. Com músicas como Don’t Hurt Yourself e Sorry, os versos de Shire falam de uma mulher que busca sair de um relacionamento abusivo, e das dificuldades de superar as amarras de um sentimento doentio, de assumir que é preciso deixar alguém que só te quer se você for outra pessoa. Essa linha de leitura pode se manter até o final de Lemonade, quando essa mulher se libertou dessa relação falida. Porém, desde o começo, as imagens já ampliam os sentidos; não se fala de uma, mas de muitas mulheres. Aliás…




É inegável o lado político e feminista, claramente presente desde o clipe de Formation. A autodeterminação (vulgo empoderamento) feminina é forte do começo ao fim de Lemonade. Na primeira parte, a questão feminista é colocada especialmente por meio das imagens, que resignificam a música, lembrando que aquele drama individual também é o mesmo de muitas outras mulheres. Outra questão fortíssima é a situação do negro, evidente desde as primeiras músicas – e no título, uma referência ao uso do limão para embranquecer a pele. Essa dimensão política e social fica mais forte na segunda metade, especialmente a partir da esplendida Daddy Lessons, quando elas ficam em primeiro plano. O saboroso de Lemonade é buscar os sentidos políticos na primeira parte e os sentidos afetivos na segunda.

Para além disso, Lemonade é um festival de belas imagens, como as de Beyoncé em uma plantação ou debaixo d’água, logo no começo. Quase no final, vemos várias mulheres de mãos dadas, em uma bela e explícita menção ao poder e libertação das mulheres. Uma das mais belas imagens está quase no fim de Lemonade, quando a frase da avó de Beyoncé sobre limões e limonada é dita. Poucas vezes algo tão repetido como “me deram muitos limões e eu fiz uma limonada” teve tanta força e significado.

Independente do sentido que você preferir explorar, Lemonade é música de primeira qualidade. Algumas das minhas favoritas foram 6 Inch, Freedom e, especialmente, Daddy Lessons, que  com sua pegada no blues traz uma batida faz a gente dançar pela sala – aliás, é o trecho que tem algumas das imagens mais evocativas.

Beyoncé não apenas fez a manobra clássica de pegar um universo pessoal e colocá-lo como reflexo do universo de outras pessoas, como também fez uma ótima jogada de marketing. Em tempos de um público de atenção diluída, onde é mais difícil um músico alcançar uma unanimidade, ela consegue chamar atenção para seu trabalho de maneira criativa (por vezes apelativa, como nas roupas dos Panteras Negras), e entregando para o público músicas (e imagens) de primeira qualidade.




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