Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

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Deixe-me começar esta crítica agradecendo pelo bom senso (coisa tão rara hoje em dia) de George Miller no uso do 3D. Realmente é um alívio, depois de uma série de filmes recentes utilizarem deste recurso com pouquíssima ou nenhuma finalidade narrativa, apenas como um verdadeiro caça níquéis. E realmente, Miller aproveita este recurso com certa inteligência. Demonstrando as enormes dunas dos desertos, bem como, utilizando a separação entre os objetos, que este recurso dá, para fins dramáticos.

É bastante divertido assistir a ‘Mad Max:Estrada da Fúria‘, e isso não se deve apenas as cenas de ação corpo a corpo ou as boas perseguições de carros e explosões. Para mim, a maior diversão reside no universo distópico criado por Miller. Uma sociedade em ruína, que tem sua humanidade corroída pela escassez de recursos.

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A figura do rei Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) é central para esse universo. A ele estão ligadas as maiores desgraças e as críticas que o filme apresenta.

Immortan Joe trata-se de um ditador que oprime a população por meio da força de seus soldados, que são guiados por uma fé maluca, que prega a ida, apenas dos guerreiros mais valentes, a Valhalla. Isso provoca uma busca completamente insana e histérica, por parte desses jovens, chamados de “War Boys” (algo como meninos da guerra) que se sacrificam em função de uma guerra sem sentido, chegando até a cometer suicídio ao se jogarem, com explosivos nas mãos, em veículos, bradando antes: “Testemunhem”, num convite louco para que contemplem o que estão prestes a fazer. Além disso, se utiliza do monopólio da água daquela cidade, recurso que é chamado de “Acqua Cola”, aludindo à nefastas grandes corporações, para deixar a população refém dos seus interesses.

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O deserto de Mad Max é fotografado em planos abertos, bem como a cor que predomina é o laranja. Algo que destaca a aridez daquele espaço, bem como o quão hostil é esse ambiente, ressaltando um tema que é a premissa para o filme e que pauta o nosso imaginário atual. O medo da escassez de água ou petróleo, culminando em um apocalipse é algo que está sempre presente no nosso pensamento. A perda da humanidade, decorrente da situação extrema em que as pessoas se encontram, é retratada durante toda a obra, e bem ressaltada por Miller.




É nesse cenário que entra Furiosa (Charlize Theron), braço direito do ditador, que lidera uma espécie de cruzada caótica em direção a fazenda da gasolina. Furiosa resolve desviar do caminho, e encontra Max (Tom Hardy), que acabara de escapar de um dos carros, da frota do ditador, em que estava preso. Juntos, com algumas esposas do ditador e Nux (Nicholas Hoult), um dos garotos da guerra que se perdeu do bando, partem em uma jornada pelo deserto. No meio da jornada acabam se juntando com um grupo de senhoras, remanescentes da civilização que Furiosa origina.

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Essa parte “Road movie” poderia explorar mais a relação dos personagens, para que nos familiarizássemos com eles e entendêssemos seus objetivos e sua história. Aqui vemos uma tímida exploração, que é eficiente, mas não suficiente em criar empatia e nem complexidade aos personagens. Ficamos com às cenas de ação, que embora apresentem uma trilha completamente medíocre (com exceção do coro de vozes que apareceu no trailer, e aparece de vez em quando no filme) são bem conduzidas, mantendo a agilidade, mas sem comprometer o entendimento do que acontece ali.

O que também chama atenção nessas cenas, é o modo como os personagens não são invulneráveis, como pareceu se convencionar em alguns dos blockbusters atuais. E isso faz com que nos sintamos tensos e temamos pela vida dos personagens. Em vários momentos vemos o grupo sendo atingido e, ás vezes, se ferindo gravemente. As atuações extremamente sólidas, em especial dos excelentes Tom Hardy, Charlize Theron, Nichoulas Hoult e Hugh Keays-Byrne contribuem para essa veracidade, bem como as sensações e temas do filme.

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