Crítica | Martyrs

Crítica | Martyrs

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Eu geralmente não repudio refilmagens – de fato gosto de várias –, mas alguns projetos nasceram para serem inevitavelmente odiados. ‘Martyrs‘ é um perfeito exemplo disso! Além do filme original ser recente, ele é tão único que qualquer outra tentativa de copiá-lo soaria como uma piada. Ainda assim, os produtores não se acanharam e seguiram em frente com a ideia, mesmo com toda a recepção negativa dos fãs do original. Desde o começo os diretores deixaram claro que essa refilmagem não seria tão violenta quanto o seu material de origem, confirmando todas as nossas suspeitas sobre estarem tentando produzir algo mais “comercial” – o que gerou ainda mais indignação –, justamente pelo fato da violência ser um elemento tão icônico no filme de 2008.

Na trama, acompanhamos a pequena Lucie, que depois de ser cansativamente torturada, consegue escapar do seu “cativeiro”. Ela cresce em um orfanato, tornando-se amiga de Anna, uma garota que está disposta a ajudá-la a vencer os seus demônios. Muitos anos mais tarde, Lucie está disposta a se vingar das pessoas que fizeram mal a ela no passado, arrastando Anna para uma trajetória macabra de horror e sofrimento. Atormentada por monstros do passado, traumas e ilusões, Lucie rapidamente sucumbe à loucura de seus próprios pensamentos, deixando Anna em uma situação perigosa da qual ela desconhece. Sem saber exatamente sobre o mal que está lidando, Anna não irá demorar para descobrir o sofrimento que acompanha a palavra mártir.


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Vamos deixar algo bem claro: este remake é inferior ao original em todos os sentidos. Não apenas em torno da violência – que aqui foi reduzida drasticamente –, mas também a respeito do enredo, dos efeitos, do clima opressor tão palpável no filme dirigido por Pascal Laugier; literalmente em todos os aspectos. Como já havia ficado bem claro, a fórmula do filme de 2008 seria impossível de ser replicada, então eu fiquei bastante surpreso ao ver que os envolvidos desta refilmagem foram inteligentes o suficiente para tentar apresentar um novo ângulo para história. Ao invés de se transformar em uma cópia barata do material de origem, como o decepcionante remakeCabana do Inferno‘, o roteiro segue um caminho diferente, trazendo a possibilidade de surpreender até mesmo aqueles que assistiram ao original.

A primeira metade da trama segue bastante fiel ao filme de 2008, mas é a partir a segunda metade que o roteiro desta refilmagem realmente começa a assumir alguma personalidade. Confesso que fiquei curioso para saber como as mudanças funcionariam em favor desta nova versão, e fiquei surpreendido ao perceber que, ao final de tudo, tivemos um remake decente; algo que, nesse caso, parecia ser improvável. Ao invés de nos quebrar lentamente, o enredo insere elementos de esperança para que os seus espectadores possam ter algum conforto. Me atrevo a dizer que, em determinado ponto, o filme se torna até mesmo “divertido” de se acompanhar (uma ideia que os fãs do original podem abominar). O terceiro ato deste remake é sustentado com mais ação e pelo velho heroísmo americano, trilhando um caminho completamente contrário à proposta original.

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Tenho certeza que muitos irão odiar o clima mais positivo da trama, mas eu particularmente prefiro ser surpreendido com essas mudanças do que ser condenado a assistir uma cópia descarada e inferior do filme de Pascal Laugier. Aliás, com o desenrolar do enredo, fiquei me perguntando de qual forma eles concluiriam a trama, considerando que o desfecho original parecia ser improvável a certa altura dos acontecimentos. Apesar de terem quebrado com toda a reflexão e ambiguidade do desfecho original, o novo final combinou com o tom apresentado pela refilmagem. Fiquei satisfeito, tendo consciência, é claro, da sua inegável inferioridade.




No final das contas, alguns momentos desse remake pareceram apressados e as dimensões da tortura sofrida pela protagonista só serão devidamente compreendidas por aqueles que assistiram ao original. Essa refilmagem se esquiva da violência, o que acaba aniquilando um dos elementos mais importantes do filme de 2008, que é a plena compressão da protagonista e dos espectadores a respeito da situação em que ela se encontra. No geral, apesar das falhas, este remake merece consideração por tentar trilhar o seu próprio caminho. Além de recomendar às pessoas que não teriam coragem de assistir ao original, também acho que será uma boa experiência para aqueles que mantiverem a mente aberta. É um filme aceitável em si, mas sempre vai sofrer por estar à sombra de um outro filme tão icônico e imponente quanto o original.

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