Crítica | Meu Passado Me Condena 2

Crítica | Meu Passado Me Condena 2

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Ninguém imaginava o sucesso que ‘Meu Passado Me Condena‘ faria nas bilheterias, quando lançado em 2013. Adaptação da série de televisão e da peça de teatro de mesmo nome, escritas pela inteligentíssima Tati Bernardi, o filme levou 3,2 milhões de brasileiros aos cinemas, fazendo com que a sequência fosse prontamente confirmada.

Se a peça de teatro e a série são conhecidas pelas tiradas cômicas do roteiro, a adaptação para os cinemas falhou em criar situações divertidas e espontâneas, mesmo com a presença dos talentosos Fábio Porchat e Miá Mello, e em alguns momentos o primeiro filme chegava a ser pedante.

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Fui assistir a essa sequência sem muita expectativa, já que achei o filme original mediano. Eis que me surpreendi. A roteirista Tati Bernardi conseguiu se renovar, e fazer uma crônica atual do casamento, além de criar empatia do espectador com ambos os personagens principais, Fábio e Miá, coisa que não acontecia no primeiro filme (Miá era chata demais).

Enquanto vemos os dois lados da história, percebemos que os dois personagens estão certos e errados, cada uma na sua maneira de pensar. E não é que esse é o segredo para entender qualquer relacionamento afetivo? Essa dubiedade de pensamentos fazem qualquer história ter seus dois lados, e se bobear, até um terceiro.

Meu Passado me Condena 2’ mostra o que aconteceu com Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello), que se casaram com apenas um mês de namoro e tiveram uma turbulenta lua-de-mel num cruzeiro, em alto mar. Após o pedido de separação, Fábio convence a mulher a ir com ele a Portugal para consolar o avô (Antônio Pedro), que acabou de ficar viúvo. O desenrolar da história se passa em Lisboa e na aldeia de Sortelha, próxima da Serra da Estrela, local mítico e romântico. Lá, Fábio reencontra uma antiga namorada, Ritinha (Mafalda Rodiles), e Alvaro (Ricardo Pereira), com quem rivaliza desde garoto. Longe de casa, os dois passam, mais uma vez, pelas provações típicas dos jovens casais.

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O maior acerto da nova produção são as locações portuguesas de Quinta de Sant’Ana, no Gradil, e em Sortelha, um vilarejo perto da Serra da Estrela, que causam um deleite visual.

Vivendo os personagens no teatro, TV e no cinema, Fábio e Miá estão totalmente à vontade e conseguem conquistar o público com uma atuação sólida e uma química invejável em tela. Fábio rouba quase todas as cenas, com uma atuação que parece mesclar entre o profissional e a improvisação (seu grande forte), fazendo rir com seus tiques e tentativas de agradar sua companheira.

A fórmula do roteiro é a mesma do primeiro filme: um casal chega na vida dos protagonistas para atrapalhar a união. Se no primeiro os atores Alejandro Claveaux e Juliana Didone davam vida aos personagens, desta vez quem interpreta o “casal problema” são Mafalda Rodiles (ótima atriz portuguesa) e o talentoso – e também português – Ricardo Pereira. Grandes adições ao elenco.

Inez Viana (Suzana) e Marcelo Valle (Wilson), que serviam como alívio cômico como um adorável casal de trambiqueiros, retornam em uma participação bem menos divertida. Uma pena.

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A direção, da talentosa Julia Rezende, é extremamente eficiente e consegue tirar o máximo das belas locações portuguesas, transformando o país em um dos personagens do filme. Vale lembrar que Rezende lançou outro ótimo filme como diretora esse ano, ‘Ponte Aérea’.

Mesclando humor e drama, o filme consegue a medida certa tirar emoções dos expectadores, e se torna uma crítica bastante atual do casamento moderno.

Superior ao primeiro filme, ‘Meu Passado Me Condena 2‘ mostra que o cinema nacional evoluiu, trazendo uma fotografia bela e de qualidade, roteiro gracioso e atuações dignas. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas estamos caminhando na direção certa.

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