Crítica | No Olho do Furacão – Quando ‘Velozes e Furiosos’ encontra ‘Sharknado’

Crítica | No Olho do Furacão – Quando ‘Velozes e Furiosos’ encontra ‘Sharknado’

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O que difere um bom filme de um filme ruim, além de muitos detalhes cruciais, claro, é também o quão firmemente a obra prende a atenção do espectador e cumpre com a proposta anunciada. E neste quesito,No Olho do Furacão('The Hurricane Heist') se insere perfeitamente, ao apresentar exatamente o que se espera de um filme com essa premissa: ação desenfreada, tiroteio e muita destruição em CGI. A receita para o desastre está formada, e não de forma positiva.

O diretor Rob Cohen, que já havia mostrado talento ao lidar com cenas de ação envolvendo carros no primeiro Velozes e Furiosos, prova (de uma vez por todas!) que sua especialidade é a insanidade cinematográfica. Quanto mais improvável um filme pode ser, mais ele desenvolve uma trama alucinada. Como no caso de No Olho do Furacão, seu novo filme, que traz na trama um roubo épico de US$ 600 milhões em meio à um furação Categoria 5, em uma pequena cidade dos Estados Unidos.

Apesar da premissa maluca, até que o roteiro começa a fazer sentido após alguns minutos de filme, iniciado de forma enérgica, semelhante ao recente Mad Max: Estrada da Fúria’ (que George Miller me perdoe pela comparação!). O longa põe o pé no acelerador e vai em alta velocidade até o final, parando apenas para desenvolver alguns diálogos genéricos entre os protagonistas aqui e ali. E é essa ação megalomaníaca que prende nossa atenção, mesmo que feita em partes com uma terrível computação gráfica. Há momentos interessantes e até mesmo divertidos.




O elenco, por sua vez, entrega o que o roteiro permite, destaque para a ótima Maggie Grace (‘Lost’), que consegue carregar sua personagem com dedicação e tenta o máximo possível passar realidade aos fatos. Diferente da dupla Toby Kebbell (‘Black Mirror’) e Ryan Kwanten (‘True Blood’), que supostamente deveriam acrescentar emoção à trama, como dois irmãos que viram o pai morrer devido a outro furacão na infância. Porém, a química entre eles não convence, assim como o vilão vivido pelo Ralph Ineson (‘A Bruxa’), caricato demais e totalmente descartável, um desperdício de um bom ator.

Mesmo com toda a ação bem dirigida, a grande quantidade de plot twists põe nossa inteligência à prova o tempo todo. E como se isso não bastasse, o longa ainda encontra espaço para utilizar o famoso artifício deus ex machina quando tudo parece estar desandando. Sem contar os clichês, excesso de personagens coadjuvantes e convenções de  filmes desse gênero, algo que o roteiro preguiçoso preferiu não corrigir e se focou apenas na criação de cenas alucinadas dentro da tempestade.

Porém, um mérito do filme, sem dúvida, é o ritmo. Sempre crescente, diferente de muitos outros filmes de ação que acabam se perdendo dentro de sua própria insanidade, este caminha para frente e consegue instigar nossa curiosidade para saber como essa loucura vai terminar, entregando assim um 3º ato digno de um filme de Roland Emmerich, só que com mais carros e menos inteligência.

No fim das contas, No Olho do Furacão até tenta ser original e cumpre sua proposta, mas não passa de um híbrido entre filmes catástrofe e Velozes e Furiosos, muito mais esse último, no caso, pois a destruição causada pelas forças da natureza deixou a desejar. O tão temido e surreal furacão parece existir apenas para livrar os protagonistas de enrascadas, quase como uma força sobrenatural. Sem dúvida vai agradar quem procura apenas entretenimento e não se preocupa com a coerência. E para esse público, o filme pode até ser divertido à la Sharknado.




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