Crítica | O Acampamento – terror assusta pelo realismo

Crítica | O Acampamento – terror assusta pelo realismo

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Torture Porn Realístico

Existe um subgênero dentro do terror que fica entre os filmes slasher e o torture porn. De fato, podemos até dizer que este subgênero é o primórdio dos filmes de torturas explícitas e sadismo. Filmes como a franquia Jogos Mortais (2004 – 2010) e O Albergue (2006) devem muito de suas origens a produções lá da década de 1970, de uma época em que o cinema se tornava mais subversivo para todos os gêneros, inclusive no terror. Filmes como Aniversário Macabro (1972), O Massacre da Serra Elétrica (1974) e A Vingança de Jennifer (1978) utilizavam linguagem similar na punição extremamente crua de jovens, detalhando minuciosamente tal tortura física e psicológica.

Não por menos, estes e outros filmes de tal tendência deram origem aos slasher também, na década de 1980, que trocaram o grafismo de seus atos pelo exagero, distanciando-se assim do realismo e adentrando o terreno da caricatura. Foi de onde saíram “amados” assassinos em série como Jason e Freddy. Por outro lado, indo na contramão e fugindo de ambos os subgêneros dos slasher e torture porn, algumas produções seguem fazendo jus ao cerne deste cinema marginal de terror, que usa o incômodo realismo de situações inimagináveis ao ser humano como roteiro. Este refúgio é encontrado fora dos EUA, em lugares como a Austrália e Reino Unido, por exemplo, em produções como Wolf Creek – Viagem ao Inferno (2005) e Sem Saída (Eden Lake, 2008).

Em ambas as tramas das obras citadas acima, pessoas são hostilizadas, capturadas e torturadas enquanto viajam ou passeiam em locais exóticos, tendo como algozes algum membro da “fauna” local. Brincadeiras a parte, em tais produções, assim como nas citadas da década de 1970, são os moradores do interior, seja dos EUA ou dos países citados, quem resolvem extravasar seus demônios interiores nos forasteiros, obrigando estes a lutarem por suas vidas.

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E essa é exatamente a história utilizada neste O Acampamento (Killing Ground), produção independente australiana (pois é), escrita e dirigida por Damien Power – debutando em longas – exibido no Festival de Sundance no início deste ano. Na trama, o médico Ian (Ian Meadows) e sua namorada Sam (Harriet Dyer) decidem passar o réveillon num local remoto, em um lago, aonde irão acampar. Lá, além de decidirem se casar, reparam uma barraca abandonada. Outro elemento sempre em voga em tais produções é o uso de atores desconhecidos, dando o sentimento maior de realidade, justamente por associarmos os personagens a pessoas comuns.

Um dos diferenciais aqui, que traz certa criatividade à fórmula, é o uso de diferentes linhas narrativas. Vemos a mesma história contada através de alguns pontos de vista, em tempos distintos. Assim, conhecemos um pouco os vizinhos de acampamento do casal, e seu destino trágico – ei, você quer o que, afinal este é um filme de terror. Além disso, também vislumbramos um pouco da vida pregressa dos antagonistas, dois caipiras bastante desequilibrados, vividos de forma eficaz por Aaron Glenane e Aaron Pedersen – dos quais devido ao clima criado, desenvolvimento de personagem, atuações e o nível do sadismo dos atos por eles cometidos, sentimos grande raiva e repulsa (prova de que nosso emocional foi mexido).

O Acampamento é um thriller eficiente e funcionará bastante para os aficionados. No entanto, se qualquer proximidade com o lado negro do ser humano (e aqui é pra lá de detestável) te causa calafrios, talvez seja melhor ficar afastado deste. O desfecho se assegura de certo exagero, beirando adentrar no segmento do vilão indestrutível, porém, se safa de última hora, criando enigmas em nossa mente e uma última cena tão ambígua, que garante sua entrada no hall de produções cult a serem (re)descobertas.


Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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