Crítica | O Exorcista – 1×02 (Chapter Two: Lupus in Fabula)

Crítica | O Exorcista – 1×02 (Chapter Two: Lupus in Fabula)

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“Fale do Diabo e ele aparecerá.”

Depois do primeiro episódio ter causado uma boa impressão, estava ansioso para saber a direção que os roteiristas levariam a história, e este segundo já trata de delinear muito bem os plots que já foram introduzidos. Com um ritmo surpreendentemente movimentado, Chapter Two: Lupus in Fabula consegue aprofundar sua mitologia, apresentar novas tramas e ainda desenvolver os seus personagens. Acredito que a maior questão neste momento gira em torno da quantidade de episódios que esta primeira temporada terá. No IMDB estão listados apenas 5 episódios, mas isso obviamente não quer dizer que a série não possa ter mais. Nada foi confirmado oficialmente ainda, o que deixa aberto o alcance deste primeiro ano.

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Há outro ponto, porém, que precisamos discutir antes que possamos falar sobre o episódio desta semana. Acredito que todos já estejam cientes que The Exorcist atraiu uma audiência modesta em sua Series Premiere. A série registrou 1.0 na demo, o que não é ruim em uma noite de sexta-feira, mas se tornou preocupante por causa da inevitável queda que todo programa enfrenta na semana seguinte da sua estreia. Este segundo episódio sofreu uma queda de 40%, o que coloca a série em uma situação muito preocupante; 0.6 é baixo até mesmo para os padrões atuais da Fox, passando a ser a menor audiência daFall Season até o momento. As únicas coisas a favor de The Exorcist é que ela é exibida às sextas, e o seu primeiro episódio teve um bom desempenho em DVR – ganhando 50% a mais de sua demo inicial nos três dias seguintes de sua exibição ao vivo; ou seja, terminando com expressivos 1.5. Ano passado a Fox declarou que não mais consideraria a audiência ao vivo, então a força da série em DVR é muito importante para ela tenha uma chance de sobrevivência.

Sobre o episódio em si, este segundo conseguiu ser ainda melhor do que o primeiro. Tivemos algumas cenas muito bizarras, assim como a trama foi aprofundada de uma forma que eu não estava esperando. Agora fica claro que a menina possuída não será o foco exclusivo deste primeiro ano. De fato, é mais como se ela fosse uma peça importante em um quebra-cabeças. Há toda uma conspiração, sacrifícios, assassinatos e, amarrando tudo isso, a iminente visita do Papa. Logo no começo vemos que a Angela terá responsabilidade direta nesta visita, o que logo me fez pensar que este é o principal motivo de um demônio ter se infiltrado em sua família. A série não está lidando com casos aleatórios, e o ataque coordenado no final deste episódio prova isso. Os demônios têm um objetivo específico em mente. E o que poderia ser?




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A primeira coisa que passou pela minha cabeça seria um atentado contra o Papa, obviamente. Mas depois li algumas teorias muito interessantes sobre o próprio Papa ser o anticristo – e todo esse ritual demoníaco seria uma espécie de “despertar”. Seria uma boa reviravolta na trama, mas acredito que entraria muito no território de A Profecia, e seria melhor para a série continuar construindo sua própria mitologia. E isso é algo que ela tem feito muito bem até agora. A trama em si está bem diferente da do filme original – e do livro na qual a história é baseada –, e, tirando algumas referências, The Exorcist poderia tranquilamente trocar de nome e ser exibida como uma entidade independente. Fazer uso do título, que é uma das maiores referências do gênero, pode ter trago algum buzz, mas isso claramente não se refletiu nos números. Muita gente julgou a série e sequer tentou dar uma chance, o que acabou afastando muitos espectadores.

O fato é que The Exorcist continua superando minhas expectativas e estes dois primeiros episódios mereciam muito mais atenção do que realmente tiveram. Chapter Two: Lupus in Fabula trouxe, inclusive, mais uma ótima referência do filme de 1973. A cena em que a Regan vomita uma gosma verde na cara do padre é uma das mais icônicas do filme. E, aqui, tivemos uma recriação deste momento. Logo depois da Casey ter bebido água benta, ela sobe até o seu quarto e vomita um líquido verde na privada. E, no final, essa mesma cena acrescentar uma surpresinha para os seus espectadores, trazendo uma das sequências mais bizarras e nojentas que assisti em uma série de TV nos últimos tempos. Ressalto também que foi interessante ver que o demônio foi capaz de suprimir sua reação por saber que estava sendo observado atentamente pela mãe da menina. O capiroto até deu um novo gole na água olhando pra ela, o que eu considero ser um nível completamente novo de afronta.

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Muita gente tem reclamado do uso de CGI – deve ser as mesmas pessoas que ainda gritam sobre as hienas computadorizadas em O Exorcista: O Início –, mas acredito que os efeitos visuais estão decentes; especialmente para o orçamento limitado de uma série de TV. O efeito que as lacraias tiveram sobre mim não tiveram um impacto menor por terem sido criadas por computação gráfica. E, convenhamos, a cena que as lacraias saíram da boca da menina ficou bem feita. A única reclamação em torno deste assunto é durante a cena em que a Casey está jogando no colégio. Ela faz uma adversária quebrar a perna, e os efeitos são muito ruins – nível SyFy de ruindade. E o pior é que sequer era necessário usar CGI para mostrar a perna da garota entortada. Um ângulo diferente, uma maquiagem e/ou montagem resolveria o problema e daria um aspecto muito melhor.




Uma das maiores forças dessa série está em seu elenco. Geena Davis é uma das minhas atrizes favoritas, seus trabalhos são sensacionais e espero muito de sua personagem quando a situação ficar mais dramática. Acho que ela trará bons momentos assim que receber um diálogo realmente marcante. Alfonso Herrera – marcado na minha cabeça pelo eterno Miguel da novela Rebelde e, mais recentemente, na série da Netflix, Sense8 – tem se saído muito bem em seu papel, trazendo o peso necessário para o personagem, sem deixá-lo desaparecer ou ser ofuscado pelos colegas de trabalho. Por último, Ben Daniels, o intérprete do padre Marcus, também merece destaque. Essa semana soubemos um pouco mais sobre o personagem, e ele teve a chance de brilhar em uma cena dramática que o ator soube tirar de letra.

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Neste episódio nós também descobrimos que o padre Marcus perdeu sua fé, o que o torna inútil contra os demônios ao seu redor. É por causa disso que ele precisa do padre Thomas, e provavelmente irá guiá-lo para que ele enfrente uma batalha que agora o padre Marcus não pode mais lutar. Acredito que os roteiristas também irão tentar desenvolver esse reencontro do personagem com Deus e sua fé, até porque, seria um desperdício mantê-lo no banco reserva durante toda a temporada. Enfim, The Exorcistestá conseguindo construir sua própria identidade, levantou muitas tramas interessantes e tem tudo para desenvolver com uma ótima temporada. Só espero que os seus números melhorem – eles definitivamente não podem mais cair – para que ela tenha uma chance de ser renovada (ou que pelo menos tenha uma conclusão).

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