Crítica | O Exótico Hotel Marigold 2

Crítica | O Exótico Hotel Marigold 2

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Comédia romântica da terceira idade

Foi realmente uma surpresa a confirmação de sequência da comédia inglesa O Exótico Hotel Marigold (2011), mais ainda pelo cineasta John Madden dirigir novamente o título. Apesar do peculiar humor britânico, o primeiro longa apresentava gags funcionais, detinha um elenco estrelado e abordava temas interessantíssimos. O maior deles era o preconceito (racial, e xenofóbico), que se encaixava em quase todas as figuras da trama e tinha um cinismo latente. Ainda assim abria espaço para o romance entre gente da terceira idade, sem nunca soar forçado ou ridículo. Um trabalho deveras singular na carreira de Madden, que já entregou dramalhões como O Capitão Corelli (2001) e A Prova (2005).

Contando com praticamente todo elenco da fita original – Judi Dench, Bill Nighy, Penelope Wilton, Dev Patel e Maggie Smith, só tirando Tom Wilkinson, mas inserindo Richard Gere -, o diretor decidiu seguir por outros caminhos, deixou de lado o debate social e focou na vida pessoal e conjugal de seus personagens. Entretanto isso não foi de tudo ruim, pois como já tinha os apresentado anteriormente, o processo de identificação, de certo modo, existia, possibilitando assim abordar mais a fundo seus sentimentos.




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O caso do agora protagonista Sonny Kapoor (Patel), que prestes a se casar com a linda Sunaina (Tina Desai), passa por uma fase conturbada não só em sua vida amorosa quanto profissional. Principalmente quando seu primo Kushal (Shazad Latif) aparece como uma espécie de ameaça nos dois aspectos, uma vez que dá em cima da garota e pretende comprar um promissor e futuro investimento, que vai de uma vez por todas fazer decolar sua franquia de hotéis.

Do outro lado vemos os já conhecidos senhores que ainda se hospedam no Marigold. Evelyn (Dench) trabalha comprando tecidos, mas ainda não se acertou com Douglas (Nighy). Muriel (Smith), agora sócia majoritária do hotel, enfrenta o problema da administração do hotel e, pior, tem que lidar com as loucuras de Sonny. O então irreverente casal Norman (Pickup) e Carol (Hardcastle), vive lado a lado com a desconfiança, um ciúme que acaba sendo hilário. Mas o grande caso amoroso aqui é mesmo o do suposto escritor Guy Chambers (Gere) com a mãe de Kapoor. Ou seja, mergulhamos numa comédia romântica sem grandes pretensões.

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E sem pesar a mão, John Madden cria uma narrativa que se mostra orgânica do início ao fim, que tem lá seus exageros quando fala a respeito da cultura local, mas que também é sutil em alguns momentos, como naquele que vemos a história familiar de um taxista que se envolve com Madge (Imrie). A fotografia de Ben Smithard é importante nas cenas externas por auxiliar a atmosfera enérgica presente. Bem como a trilha do sempre ótimo Thomas Newman matem o ritmo em vários andamentos.

As risadas também são mais numerosas aqui, vemos piadas prontas que, mesmo não sendo originais, funcionam bem, obrigado. Muito desse feito, inclusive, se deve ao elenco estar conectado e aparentar se divertir em tela. Como na cena de encerramento em que todos dançam ao ritmo de uma canção indiana – artificio bastante clichê, que já foi visto, por exemplo, em Quem Quer Ser um Milionário? (2008), e é impossível não fazer comparações, já que Patel também o protagoniza.

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Todavia, se colocarmos na balança, os prós são bem maiores que os contras. Ainda que seja um filme de proposta simples e que apenas tenha a função de entreter, é notado que em essência o longa possui sutileza narrativa e aborda seus personagens de maneira humana e honesta. Aliás, são poucos os exemplares do gênero que dão destaque a figuras de idade mais avançada, como vemos aqui. E é ótimo poder observar astros que outrora eram aclamados e que, naturalmente pelo tempo, foram restringidos a poucos papéis. Em suma, vale conferir.

Texto originalmente publicado na cobertura do Cine PE 2015.

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