Crítica | O Poderoso Chefinho – Um filme muito bonitinho e só

Crítica | O Poderoso Chefinho – Um filme muito bonitinho e só

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No terreno da animação é difícil competir com a Disney. Não bastasse o alicerce de anos, que data da década de 1930, o estúdio casa do Mickey ainda tem o colosso Pixar – desde 1995 – ao seu lado. O jogo, no entanto, começou a mudar a partir justamente da década de 1990. Na época, o estilo de animação que dominava o mercado era a tradicional, feita a mão, e a Disney tinha como principal concorrente a Warner e a Fox – falo um pouco mais sobre o assunto no texto de A Bela e a Fera – que tentavam entrar na disputa por público.

Quando a tendência começou a virar para as animações “do futuro”, criadas através de efeitos computadorizados em 3D, abandonando um pouco a parte artesanal da técnica, diversos outros estúdios viram a oportunidade nesta brecha provida por tal reestruturação. Apesar da Disney ter sido a pioneira, com Toy Story (1995), estúdios como a Dreamworks mostraram que agora sim podiam fazer frente. Um dos casos mais claros foi quando Shrek (2001), um conto de fadas subversivo e altamente irônico, surpreendeu e levou o Oscar de melhor animação, além do topo das bilheterias em seu respectivo ano. O reinado da Disney no segmento estava definitivamente ameaçado.

O Poderoso Chefinho é a nova animação da Dreamworks, distribuída pela Fox no Brasil, que possui como companheiro de casa o famoso ogro verde. No panteão do estúdio, sucessos de público, vide Madagascar, Kung Fu Panda e Como Treinar o Seu Dragão; de crítica, como os subestimados Os Sem-Floresta (2006), Bee Movie: A História de uma Abelha (2007), Os Croods (2013) e As Aventuras de Peabody e Sherman (2014); e alguns outros que não cativaram nenhum dos dois (crítica e público) – estes, talvez seja melhor não serem citados. Tom McGrath é quem dirige o novo filme, tendo em seu currículo a citada franquia Madagascar, no comano dos três filmes sobre os animais fugitivos do zoológico.

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Por esta introdução, fica claro que a Dreamworks compete, além dos estúdios rivais do segmento, com ela mesma, para conseguir manter o padrão de qualidade atingido em suas citadas obras infantis. A ideia de O Poderoso Chefinho é mais interessante e divertida do que o filme em si. Na trama, conhecemos Tim (voz de Miles Bakshi no original), primeiro e único filho, até o momento, de seus amados e carinhosos pais – aqui referidos apenas como Papai (voz de Jimmy Kimmel, o apresentador do último Oscar) e Mamãe (voz de Lisa Kudrow, a eterna Phoebe de Friends). A família vive em perfeita harmonia, com bastante amor direcionado à pequena cria, entre as rotinas diárias, como leitura na cama antes de dormir. Quando perguntado sobre um possível irmãozinho, Tim não hesita em negar a oferta, já que esta dinâmica atingiu a perfeição para ele.

No entanto, o novo rebento chega de qualquer maneira. E para perturbar ainda a paz do pequeno Tim, ele vem nas formas do Poderoso Chefinho (Boss Baby no original, ou Bebê Chefe), um recém-nascido que usa terno, fala e age como um funcionário do alto escalão de uma grande empresa. Na verdade, é exatamente isso que o protagonista, que tem a voz de Alec Baldwin no original, é. O título em português, remetendo ao clássico imortal de máfia, de Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), pode pegar algumas pessoas com a errônea concepção de que existe aqui algum elo com filmes criminais, ou qualquer outra ligação com a icônica obra da década de 1970. Não existe!

Fora isso, a animação escrita por Michael McCullers (Austin Powers 2 e 3), adaptada do livro de Marla Frazee, é bem inocente e tímida, apresentando muitos indícios de cansaço antes de seu desfecho. A ideia por trás do bebê chefe é uma boa sacada, assim como a explicação do porquê certos recém-nascidos não crescem, permanecendo para sempre no corpo de um infante, mesmo já sendo donos do intelecto de adultos. Aliás, toda a parte do mundo corporativo que move a “fábrica de bebês” é bem bolada e faz uso de muita criatividade. Outro trecho no qual o filme se sai bem, é nas partes emotivas, quando conecta de forma eficaz o sentimental que permeia uma tênue linha, sem recair na pieguice, criando assim bons momentos de aceitação em família. O desfecho é emocionante.

No ponto negativo, a trama central, que faz tudo ao redor se mover, não é particularmente especial, ou sequer boa. Fala sobre a competição de bebês com filhotes de cachorros (??!!) pela atenção dos humanos. A ideia não engata e rende muitos momentos alongados, que poderão causar sono ou torção no punho de tanto olhar o relógio, aos pais que forem levar seus pequeninos ao cinema. O Poderoso Chefinho também não é particularmente engraçado, deixando a maioria das piadas para seu público alvo, as crianças mais novinhas. Em tempos de animações que igualmente favorecem os mais velhos, o novo longa animado da Dreamworks corre risco de perder o emprego (para usar um trocadilho com o tema principal). Entre erros e acertos, O Poderoso Chefinho garante sua bilheteria com a graciosidade de um bebê mandão, mas seu novo cargo junto aos filmes indicados ao Oscar na categoria animação não deverá ser liberado pelo chefe.


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